Resenha - New Model Army (Clash Club, São Paulo, 07/08/2007)

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Por Marcio “The Leveller” Baraldi (TV Rock)
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ALELUIA!!!!Deus é Pai e trouxe o NMA de volta para o Brasil, após 16 anos!!! Tudo graças a uma mãozinha do jornalista e produtor André Barcinski, que negociou a vinda da rapaziada pra cá!

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TARDE DE AUTÓGRAFOS – London Calling - 6/8/2007

E eles não só vieram, como viram e venceram! Começa pela simpatia dos caras na tarde de autógrafos lá na loja London Calling, bem no centrão da Paulicéia Desvairada. Eu, muito cara de pau, fui o primeiro a ver os caras chegando na escada rolante e já organizei entre os fãs presentes uma salva de palmas para a banda, que lógico, ficou muito feliz com a calorosa recepção. Depois saí correndo e fui o primeiro a apertar a abençoada mão de Justin Sullivan, o lendário líder do New Model Army e meu mestre musical-filosófico (aprendi muito com este cara, sim senhor!). Simpaticíssimos e bem-humorados, os cinco nos receberam no balcão da London e autografaram zilhões de discos, fizeram fotos, conversaram conosco de broder pra broder. Sem estrelismo nem viadagem. Coisa de almas evoluídas mesmo! Justin é exatamente aquilo que mostra em suas letras e músicas: um sujeito muito inteligente, politizado até a medula, bem-humorado, apaixonado pelo mundo, pela vida e pelas pessoas, enfim um cara MUITO LEGAL!

Lógico que eu aproveitei a deixa pra entregar uns livros do Roko-Loko (que tem histórias do Roko com o NMA) pra eles, que se surpreenderam e deram muita risada. Ganhei até uma entrevista exclusiva com o Justin que sairá na Rock Brigade de setembro. Não percam, ó fiéis fãs do NMA!

O SHOW - Clash Club - São Paulo - 7/8/2007

Após a excelente tarde de autógrafos do dia anterior, chega finalmente o momento do tão aguardado show. Clash Club lotado pra receber a banda independente mais respeitada do pós-punk mundial! 26 anos de carreira compondo só músicas de altíssimo nível e extremamente pessoais, sem vender a alma pro diabo nem pro vil metal, e sem seguir modinha de bosta pra ganhar milhões. NMA tem público fidelíssimo e apaixonado ao redor do mundo todo, graças a sua extrema honestidade, transparência e coerência política, ideológica e musical. Não ficaram milionários, mas vivem bem e com a consciência em paz. É mais do que a maioria dos mortais por aí!


22 horas e uns quebradinhos e começa uma introdução que está no novo disco “High”, o nono da carreira da banda e que ainda não foi lançado em lugar nenhum. ”Vocês vão ser os primeiros a ouvir as músicas deste disco!” avisa o vocalista Justin para a platéia. Muito obrigado pela honra, mestre! E começam com “Rumours and Rapture”, música nova que saiu apenas no EP “BD3”,lançado recentemente (menos no Brasil, lógico!). Música praticamente desconhecida dos brasileiros mas que é um petardo maravilhoso, bem típica da sonoridade deles, letra imensa e politizadíssima, com Justin no violão e o tecladista Dean White assumindo uma guitarra em dobradinha com Marshall Gill, o novo guitarrista, que entrou no lugar de Dave Blomberg e deixou o som (e o visual) do NMA muito mais agressivo e virulento.

A música causa boa impressão e já prepara a platéia para a porrada a seguir: ”51th State”, simplesmente o maior hino do NMA, que o povaréu cantou de forma religiosa, botando a casa abaixo! Na seqüência vem a estupenda “Wonderfull way to go” e três do novo disco pra testá-las junto ao público, ”Bloodsports”, ”High” e “Wired”. Todas muitíssimo bem recebidas! ”Wired” com certeza será um hit clássico deles, obrigatória em qualquer show daqui até a eternidade. Justin, sempre carismático e simpático, conversava com a platéia que o aplaudia merecidamente.

Na seqüência os hómi abriram fogo com uma saraivada de músicas incendiárias. Saca só a seqüência: ”The Hunt”, ”Here comes the War”, “Better than them” (acústica, com Justin sozinho ao violão), ”White Coats”, ”Before I get Old” e o clássico-mor “Vagabonds”, que quebrou tudo de vez! O povo suava, berrava, pulava, pogava feito doido. E os caras não tiveram dó e ainda abriram mais fogo: ”No rest for the wicked”, ”Poison Street” e “Get me Out”. Dá-lhe forças pra aguentar tanta paulada!

A banda dá a apresentação por encerrada e sai do palco exausta, mas o povão exige um bis. Então os “homens de melodias rudes” voltam ao palco e mandam mais três: ”Faith” e as exuberantes “Purity” e “Valley of Green and Grey”. O povo pira na cocada. É muito clássico pra uma noite só!

Os cabras se arrastam pra fora do palco, encharcados de suor, mas o povão está insano e ainda exige mais um bis. Os cabras demoram um pouco (decerto estavam caídos de cansaço no camarim) mas ,por fim, retornam pra saideira com “I love the World”, um verdadeiro hino de amor à vida e uma das canções que melhor resumem o espírito do NMA. Nessa música Justin deixa a guitarra de lado e faz apenas o vocal, ficando livre para fazer uma performance bem dramática e intensa no palco. Um final apoteótico e muito carregado de energias positivas. Impossível também não citar a avassaladora performance do batera Michael Dean, que é uma verdadeira locomotiva e matou a pau nessa música extremamente rápida e pesada. Um batera cheio de técnica, peso e uma pegada muito pessoal, aliás herdada do batera original Rob Heaton, de quem Michael foi roadie e discípulo, e que infelizmente faleceu em 2004.

Justin bate no coração simbolizando amor pela platéia brasileira (aliás, Justin gosta muito do Brasil e disse que as melhores férias de sua vida foram em Paraty, litoral carioca) e se despede da galera.

Mais uma missão muito bem cumprida do Novo Modelo de Exército do rock’n’roll!

Até a próxima, mestre Justin!!!

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