The Cult: Banda ainda com muita lenha para queimar
Resenha - The Cult (Claro Hall, Rio de Janeiro, 09/12/2006)
Por Rafael Carnovale
Postado em 16 de dezembro de 2006
Quando entrei no Claro Hall (por volta de 21hs) a imagem inicial foi algo de assustar: deviam estar presentes no máximo umas 80 pessoas, que nem chegavam a tapar a grade, e mais alguns gatos pingados nos camarotes. Está certo que o The Cult não tem a popularidade de um Guns N’ Roses ou mesmo de um Whitesnake, mas a banda de Ian Astbury e Billy Duffy (vocal e guitarra respectivamente) conta com fãs fiéis e que reconhecem a importância dos mesmos para o rock mundial.
Fotos: Rodrigo Scelza
Curiosamente a má impressão e o receio de casa vazia foram diminuindo à medida que chegava a hora do show, e quando o mesmo começou (por volta de 23hs), a lotação da casa atingiu um nível bem agradável (cerca de 2500 pessoas estimadas). Não foi "sold-out", mas ficou longe de fazer feio, considerando que estávamos diante da "Return Of The Wild Tour", que trazia a banda de volta aos palcos, após Ian ter passado um ano e meio encarnando Jim Morrison com o The Doors Of 21st Century (agora Riders Of The Storm).
Mas alguns pontos curiosos devem ser citados antes de falarmos do show: o público carioca nestes eventos que não se encaixam no contexto heavy metal/hard rock é totalmente eclético, de fãs fiéis, a fãs ocasionais, chegando ao ponto de termos na casa aqueles que sequer conhecem a banda, estando lá apenas para umas cervas e para curtir um som. Um tanto quanto esquisito, mas que pelo menos garante um público legal aos shows... que você acha? Diga-me sua opinião no fórum.
Voltando ao show propriamente dito, por volta de 22h30 as luzes se apagam e "Helter Skelter" (Beatles) começa a soar no som mecânico, seguida de 30 minutos de uma banda que eu nunca ouvi falar e que literalmente torrou o saco deste e de alguns presentes. Se alguém souber de que banda estamos falando, pode dizer no fórum, porque na modesta opinião deste que vos escreve, isso só serviu para encher linguiça.
Terminado o "show de abertura", eis que as luzes se apagam e Billy, John Tempesta (bateria), Mike Dimkitch (guitarra, com seu visual "Tom Morello Cover") o baixista Chris Wyse e Ian entram no palco para executar "Lil’ Devil", seguida de "Sweet Soul Sister" e "Eletric Ocean". Primeira constatação: o som está altíssimo e embolado, a guitarra de Billy além dos limites e a bateria de John (uma máquina de ritmo e peso) abafando a voz de Ian, que não parecia estar em seus melhores dias, com altos e baixos no vocal, no que pese a favor sua empolgação e agitação, dignas de um grande showman.
O show seguiu com "The Witch" e "Spiritwalker", e Ian aproveitou para dar umas alfinetadas no público pouco empolgado (boa parte da platéia permanecia apenas parada, enquanto que os mais próximos ao palco saltavam e cantavam), dizendo que "somos 5 caras no palco e fazemos mais barulho do que vocês aí!" ou que "não somos o Cirque Du Soleil, façam barulho". As provocações surtiram efeito e boa parte da galera começou a agitar, assim que os caras mandaram o hino "Revolution" e "Rain" (com o público cantando até os riffs). Ian voltou a provocar a galera cantando um trecho de "You Give Love A Bad Name" e dizendo que "não somos o Bon Jovi" (mal sabe ele que Jon Bon Jovi canta muito mais do que ele, mas valeu a brincadeira), emendada com um solo de Billy(totalmente sem sal) e seguida por "Phoenix". Os companheiros Chris, Mike e John mostram entrosamento e empolgação, enquanto Billy mantém sua cara sisuda e seu estilo paradão, deixando a agitação para Ian, no que pese contra o uso desnecessário de um pandeiro (para que usar essa droga se ele não vem microfonado?)... pelo menos o mesmo serviu como um bom souvenir, já que Ian jogou dois para a platéia.
Neste momento as luzes se apagam e Ian e Duffy fazem um pequeno set acústico com "Star" e "Eddie (Ciao Baby)", aonde os problemas de Ian com sua voz ficaram quase gritantes... ele alternava bons e maus momentos, mas nitidamente a voz não é a mesma de 2000 ou de 1991... penso que ele apenas estava num dia ruim, já que o mesmo adoeceu no começo deste giro sul-americano, mas o tempo mostrará se o Jim Morrisson Cov... ,quer dizer Ian Astbury, ainda tem o vozeirão que marcou época na história do The Cult. Na sequência, a banda emenda "Fire Woman" (com Billy levando riffs de vários clássicos do rock, inclusive "Hells Bells" do AC/DC"), e as tediosa "Wonderland" e "Peace Dog", numa sequência que não empolgou (a banda tem músicas muito melhores para por no lugar destas). Para uma recuperação honrosa e revigorante, foram executadas "Rise" e "Wild Flower", encerrando o set normal.
Depois de quase 20 minutos de intervalo, eis que os caras voltam para "(She Sells) Sanctuary" e o final apoteótico com "Love Removal Machine", que encerraram 1h30 de um show muito bom, de uma boa banda, que mostra que ainda tem muita lenha para queimar, já que um novo disco está previsto para 2007. Tomara que Ian se recupere, já que seu vozeirão ficou bem aquém do que se esperava, mas este foi compensado pela sua performance de palco (a época como Jim Morrison fez muito bem a ele). Grande momento de um sábado frio, mas muito quente dentro das instalações do Claro Hall.
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