Helloween: Encerrada a turnê brasileira na cidade de Santos

Resenha - Helloween (Clube de Regatas Vasco da Gama, Santos, 01/04/2006)

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Por Alexandre Cardoso
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O Helloween encerrou sua turnê brasileira passando pela cidade de Santos, no último sábado, dia 1º de abril. A demanda por ingressos foi tanta que o show teve que ser transferido do Clube Atlético Santista para o Ginásio do Clube de Regatas Vasco da Gama, o que mostra a força do Helloween junto ao público (especialmente entre os jovens) e também o potencial da baixada para shows internacionais, algo que muitos produtores teimam em não acreditar.

Fotos: Lidiane dos Santos (lidiane@allfotos.fot.br)

Problemas alheios à organização do evento tornaram complicada a entrada do público no local, o que acabou provocando uma certa revolta dos presentes. Assim, muitos perderam o show de abertura do Shadowside, que começou pontualmente às 20h30.

Promovendo seu “debut” “Theatre of Shadows”, o Shadowside, que já abriu shows de outras grandes bandas como Primal Fear, Nightwish e Shaaman, mostrava-se muito à vontade e não se abalou pelos tradicionais problemas com o som no ínicio de seu show. “Vampire Hunter”, com seu refrão marcante, abriu a apresentação de forma empolgante, com a vocalista Dani Nolden comandando o público, que durante todo o show, aplaudiu e vibrou com a banda. “Highlight” veio na sequência, pesada, com uma pegada bem hard e com grande trabalho da dupla de guitarristas formada por Bill Shadow e Ricky Slater.

Infelizmente, a acústica do local era muito ruim e era difícil ouvir o som da banda. Não foram poucas as vezes que o público gritou para que aumentassem o volume da voz e das guitarras.

Dani Nolden agracece o público presente (vale dizer que muitas pessoas ainda não tinham entrado) e então a banda manda o clássico “Rainbow in the Dark”, do mestre Dio. O “riff” de teclado dessa música levanta qualquer um! “Shadow Dance”, o ato 1 da música “Theatre of Shadows”, com seu riff galopante, mostrou que a cozinha formada por Lucas de Santis (baixo) e Fábio Buitvidas (bateria) não brinca em serviço, o que ficou comprovado na porrada “Illusions”. Após a apresentação da banda, o batera Fábio Buitvidas introduz “Painkiller” (Judas Priest), que foi tocada numa versão mais pesada e teve grande perfomance de todos os músicos. “Red Storm” e “Here to Stay” fecharam a grande apresentação do Shadowside, que fez mais do que um mero show de abertura, pois mostrou muita personalidade, presença de palco (em especial, a vocalista Dani Nolden) e qualidade no que apresentou.

Com todo o público dentro do ginásio, o calor ficou infernal. Bom para os ambulantes, que faturaram uma boa grana vendendo água no meio da pista. Também era vendida cerveja do lado de fora do ginásio, algo que me preocupou no começo, já que isso poderia ser estopim para muita confusão, caso houvesse abuso por parte dos presentes. Felizmente, não houve qualquer tipo de problema, a não ser aquele pequeno número de pessoas que exagera e acaba vomitando em um canto ou outro...

Arriscar novamente o conceito “Keeper Of The Seven Keys” foi uma manobra muito arriscada para o Helloween, ainda mais levando em consideração que a palavra “Keeper” remete diretamente aos nomes Kai Hansen e Michael Kiske. Não que eles tenham sido os únicos responsáveis por aqueles dois excelentes álbuns, pois Michael Weikath compôs muitas músicas (leia-se clássicos) daquele período. Mas sejamos honesto:as melodias e solos de Hansen e a incrível voz de Kiske não são fáceis de serem relevadas.

No entanto, o momento é outro: mesmo com mudanças de formação ao longo dos anos, o Helloween voltou a ser relevante de 1994 pra cá. E os méritos disso vão pra Weikath, que chamou o ex-Pink Cream 69 Andi Deris, que tirou a banda do buraco e fez inúmera contribuições, impondo seu estilo e dando uma cara nova à banda.

Pretendia-se resgatar o espírito “Keeper” nessas turnê, tocando muitas músicas desses três álbuns. Algo, para mim, equivocado, pois muita coisa boa produzida na “era Deris” foi deixada de lado em nome da nostalgia.Será que vale mesmo a pena?

Os ajustes de palco demoraram quase 50 minutos após o término da apresentação da Shadowside. Por volta de 22h15, as luzes se apagaram e “For Those About To Rock”, do AC/DC, serviu como o último aquecimento para o público, como havia acontecido também em São Paulo. Ao final da música, alguém da produção, vestido como o “Guardiã das Sete Chaves”(usando um tênis bem surrado), cuida da parte teatral do show, segurando algo que deveria parecer uma bíblia ou coisa do tipo, mas que na verdade era um guia de páginas amarelas. Tudo bem, isso é o de menos, já que quem viu isso foi só o pessoal da imprensa que estava à frente da grade. Devido às limitações físicas do ginásio, o belo pano de fundo com a capa do último álbum “Keeper Of The Seven Keys – The Legacy) não pode ser erguido totalmente, porém a iluminação estava bem montada.

O “Guardião” sai do palco e a banda adentra o palco, enquanto rola a introdução de ”King For A 1000 Years”. O público vai à loucura e Andi Deris é só sorrisos vendo tudo aquilo. A música fica galopante e a platéia pula junto, aumentando ainda mais o calor no local (se é que isso era possível).

A empatia que o Helloween tem com seus fãs sempre foi notável, e nesse dia não foi diferente. Quem estava na grade, mais perto de seus ídolos, não parava de sorrir e gritar, enquanto aqueles mais atrás erguiam seus braços e pulava.

O tamanho limitado do palco em nada atrapalhou a banda. O baixista Markus Groskopf não pára um momento sequer e o guitarrista Sascha Gerstner também se movimenta bastante, chamando os fãs para o show. Michael Weikath agita a sua maneira, mas nem de longe lembra aquele cara sisudo da turnê do “The Dark Ride”, por exemplo. Dani Löeble, o novo batera, soca sua bateria com muita empolgação.

Acredito que abrir o show com uma música longa não fisgou o público logo de cara, já que “King For A 1000 Years” tem várias mudanças ao longo de seus quase 15 minutos. Além disso, o som estava muito ruim, era difícil de ouvir o que rolava em cima do palco, em especial a voz de Andi Deris.

Ao final da música, Andi troca as primeiras palavras com o público e pede para que gritem bastante para que ele teste o seu monitor de ouvido. Prontamente atendido e feliz com o que ouviu, ele anuncia o primeiro clássico da noite. A arrasadora “Eagle Fly Free” causa estrago onde quer que seja tocada, e em Santos não foi diferente: público cantando a plenos pulmões e pulando demais. E antes que falem qualquer coisa do Andi Deris: sim, ele mandou bem, inclusive em todos os agudos da música, mostrando uma evolução técnica impressionante. Claro que não soou como Michael Kiske, afinal, Andi é outra pessoa, com uma outra voz e personalidade. E isso com certeza ele tem bastante.

A única irritante durante a música foram algumas garotas(em especial uma que usava um par de “antenas”na cabeça) que ficavam pulando sem parar na área reservada aos fotógrafos, numa demonstração de histeria, atrapalhando quem estava lá para trabalhar. Isso mostra uma falta de critério na hora de liberar o credenciamento, algo constante quando se fala de shows de heavy metal no Brasil.

“Hell Was Made In Heaven” foi a única do álbum “Rabbit Don’t Come Easy” tocada na noite. Uma típica música “Happy, Happy, Helloween”, com riffs que grudam na cabeça e um refrão idem. No entanto, ela poderia ser facilmente trocada por outra do mesmo álbum, como “Just a Little Sign”, “Liar” ou “Sun For The World”.

Sem descanso pro público, mandam a grande (mesmo) “Keeper Of The Seven Keys”, essa sim, uma emoção especial para os fãs santistas, que não tiveram a chance de ouvir esse clássico na turnê do “Rabbit Don’t Come Easy”, em 2003. Mesmo sendo tocada um tom abaixo do original (assim como as outras músicas da fase Kiske), essa música não perde sua força e mostra toda a competência da banda, pois sua execução é muito difícil.

A balada “A Tale That Wasn’t Right” serviu pro público descansar um pouco pois o calor, repito, estava de matar.

E então, tivemos o primeiro momento que considerei desnecessário no show: o solo de bateria de Dani Löeble. Solos de bateria tanto podem ser muito bacanas como podem ser muito chatos; eu fico com a segunda opção.Tudo bem que rolou um brincadeira entre Dani e Markus, que propôs um “duelo” contra seu companheiro, tocando numa bateria improvisada na parte superior do palco. Além de ter sido muito longo, o solo do novo baterista Dani Löeble foi massante, sem muita criatividade. Claro que o cara tem muita técnica, velocidade e força, mas confesso que senti falta do Uli Kush.

Mais uma do “Keeper – The Legacy” veio na sequência. E outra música longa: “Occasion Avenue”, com grande performance de Andi Deris, que mostrou grande domínio de sua voz.

Já se passava uma hora de show e apenas 6 músicas haviam sido tocadas. O roteiro para reavivar o espírito “Keeper” era seguido à risca, mas já estava cansando. Talvez a banda mesmo tinha consciência disso, tanto que mandaram duas músicas do “The Dark Ride” que levantaram o público: a ótima “Mr. Torture” e a balada “If I Could Fly”, com seu refrão cantado a plenos pulmões pelos presentes.

Se o solo de bateria já foi chato, o de guitarra então nem se fala. A mesma brincadeira de “duelo” se repetiu, só que desta vez foi entre Sascha Gerstner e Dani Löeble, que empunhava uma guitarra de brinquedo e dublava os as notas tocadas pelo tecladista. Foi engraçado, mas mesmo assim cansativo e dispensável.

“Power”, do álbum “Time Of The Oath” serviu pra mostrar que o público ainda estava lá depois do solo. Uma versão mais longa de “Future World” serviu para apresentar a banda e para aquela tradicional brincadeira com o púbico e que Andi Deris tanto gosta: lado esquerdo contra lado direito.

A primeira parte do show termina com “Invisible Man”, outra música do novo “Keeper – The Legacy”. Uma breve pausa e banda volta com o single do novo álbum, a feliz “Mrs. God”, muito bem recebida pelos presentes. As divertidas – e clássicas - “I Want Out” e “Dr. Stein” encerraram o show, mostrando que realmente, o lance era só “Keeper Of The Seven Keys” e não tinha como ser diferente.

O público santista sai do local em êxtase: era evidente a emoção e a satisfação no rosto de cada. Porém, o Helloween poderia ter sido mais objetivo, evitando as músicas longas do novo álbum, os desnecessários solos e esquecendo um pouco essa coisa de “Keepers”, pois a história da banda vai muito além disso.

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