Resenha - Kamelot e Epica (Via Funchal, São Paulo, 03/12/2005)

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Por Lidiane dos Santos
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Num ano em que o público de São Paulo não teve o que reclamar sobre shows internacionais – tanto em quantidade quanto em qualidade, a Hellion Records promoveu seu segundo mini-festival com bandas de seu cast, fechando o ano com chave de ouro. E a Via Funchal recebeu um bom público, mesmo com a concorrência do show do Pearl Jam no mesmo dia.

Fotos: Alexandre Cardoso e Lidiane dos Santos (www.allfotos.fot.br)

A noite começou com o show dos mineiros do Noturna, banda de gothic metal que teve seu primeiro álbum, “Diablerie”, lançado recentemente pela própria Hellion Records. Infelizmente, o a banda não teve o tratamento que merecia, pois além de não terem feito passagem de som, a bagunça em cima do palco antes de seu show e o atraso para o começo do mesmo foram fatores que prejudicaram demais a banda, tanto que tocaram apenas duas músicas. Apesar dos problemas e do visível nervosismo, o Noturna tocou, com muita vontade, “Tears of Blood” e “Evil Heart”, mostrando a qualidade de seu som, um gótico moderno com bases pesadas e cadenciadas funcionando muito bem com a voz lírica de Vivian Bueno e os guturais do guitarrista Fábio Bastos. O Noturna é uma banda que merece atenção e que esperamos que volte a São Paulo para um show com mais organização e mostrar toda a sua qualidade.

A bagunça que estava no palco antes do show do Noturna não se repetiu antes do show do guitarrista Kiko Loureiro, já que apenas dois roadies deram conta de fazer todos os ajustes de palco. Acompanhado pelo seu companheiro no Angra Felipe Andreloli no baixo e por Fernando Schaefer do Pavilhão 9 na bateria, Kiko mostrou porque é considerado um dos maiores guitarristas do país, tocando temas do seu primeiro álbum solo, o instrumental “No Gravity”, grande sucessso de crítica e público. “Enfermo”, “No Gravity”, “Pau de Arara” e “Escaping” são alguns dos temas que mostraram porque o cara é um monstro das 6 cordas. Porém, um show instrumental intercalando os de duas bandas de gothic metal pareceu estranho, pois mesmo com aplausos que mostravam a aceitação do público, muita gente aproveitou o show do guitarrista para descansar e bater papo. Talvez se o show fosse mais curto ou se um cover do Angra fosse tocado, o público teria agitado mais.

Uma das bandas de maior destaque na cena gothic atual, o Epica veio para o Brasil para promover seu novo álbum, o ótimo “Consign to Oblivion”. Poucas bandas de heavy metal tiveram a exposição na mídia como o Epica: eles participaram tocando ao vivo no Programa do Jô (fato muito raro para bandas de heavy metal) e ainda participaram de um dos muitos programas vespertinos voltados para mulher, na TV Gazeta, também tocando ao vivo. Tudo isso contribuiu para que se criasse uma expectativa ainda maior para o show dos holandeses.

Desde o primeiro momento que a banda pisou no palco até o final a vibração foi constante, tanto por parte do público quanto dos músicos, que se mostravam mais do que contentes em estar ali. O guitarrista Mark Jansen era um dos mais empolgados, visivelmente surpreso com tamanha animação do público, que cantava e pulava durante todas as músicas.

As semelhanças do Epica com o After Forever não se dão apenas pelo fato de Mark Jansen ter tocado no After, mas também pelo fato de ele ser o principal responsável por aquele estilo mais gótico presente nos dois primeiros álbuns do After Forever; estilo esse que ele manteve e aprimorou ao criar o Epica que, com o vocais da bela Simone Simmons, tornou-se uma banda única.

Aliás, não há como negar que a vocalista é o centro das atenções da banda. Sua beleza, simpatia e a inegável qualidade como vocalista se mesclam de tal forma que ela pode ser facilmente considerada uma das grandes “frontwoman” do metal atual. O jeito de menina contrasta com sua voz ora poderosa, ora suave, com tal intensidade que fez muito marmanjo se arrepiar.

Com uma ótima qualidade de som e iluminação, o Epica executou um excelente repertório com as músicas de seus dois ábuns, “The Phantom Agony” e o recente “Consign to Oblivion”. Destaque para “Dance of Fate’”, excelente na abertura do show, “The Phantom Agony”” e a linda balada “Linger”, numa interpretação inspirada de Simone.

A banda conquistou o público e este não fez por menos: as juras de amor aos brasileiros, que muitas vezes pode soar clichê de tantas bandas que se apresentam por aqui, mostraram-se muito verdadeiras ao final do show, quando Simone vestiu uma blusinha com as cores da camisa da seleção brasileira de futebol e Mark Jansen usou uma bandeira do Brasil em suas costas. Ao final do show, demonstram uma consideração e carinho ainda maior com os fãs, pois foram até a pista e a grade, distribuir autógrafos, tirar fotos e conversar com o público. Depois disso, agora é só esperar pela próxima vinda do Epica ao nosso país, algo que não deve demorar de acontecer.

O Kamelot foi a última banda a se apresentar na noite. Infelizmente, muita gente foi embora logo após o fim do show do Epica, causando até uma certa indignação naqueles que ficaram, pois sentiram que o Kamelot fora desrespeitado por esses. Mas há de se considerar que muita gente foi ao show para ver apenas o Epica e também, que o estilo das duas bandas são bem diferentes e não agradam a todas as pessoas.

Com uma introdução grandiosa e o bonito jogo de luzes vermelhas, o público já foi à loucura e quando a banda subiu ao palco mandando a porrada “Center of the Universe” (do álbum Épica), ninguém ficou parado. Aposto que muitos se surpreenderam positivamente com a banda e com o público, já que mesmo sendo uma banda conhecida, era difícil pensar que a banda conseguiria ter os fãs na mão tão facilmente logo de cara.

O som perfeito e uma banda talentosa eram ferramentas a mais para o vocalista Roy Khan ganhar o carinho do público desde o início da apresentação. Com um olhar intenso e uma performance teatral, não é à toa que ele é considerado um dos grandes vocalistas da atualidade, apesar de, na minha opinião, sua voz ainda demonstrar uma falta de potência ao vivo, principalmente nos ataques nas notas mais agudas. No entanto, o potencial do cara é enorme e ele ainda pode ser uma referência na cena metal mundial.

Sem pausa, mandam na seqüência “Soul Society”, do novo álbum, “The Black Halo”. Roy Khan cumprimenta o público e anuncia a pesada “The Spell”, outra que agitou bastante. O guitarrista Thomas Youngblood, o cabeça da banda, parece um cara bem sério, mas agitou muito durante todo o show e comandou as seis cordas com competência. A cozinha pesada e rápida formada por Glenn Barry (baixo) e Casey Grillo(bateria) mostrou perfeita sintonia e o tecladista Oliver Palotai agitava muito, fato raro entre tecladistas.

Mesmo estando em turnê para divulgação do novo álbum, o Kamelot não concentrou seu repertório apenas nos novos sons, até porque essa foi a primeira passagem da banda pelo Brasil. Também tivemos sons de álbuns anteriores, como “Edge of paradise”, “The Fourth Legacy”, “Forever” e “Farewell”. Por diversas vezes podia-se ouvir pessoas gritando “Puta que o pariu” em alguns momentos do show, tamanha era a felicidade dos presentes em ver a banda ao vivo.

Dentre os muitos pontos altos do show, aponto a ótima “Abandoned” e a rápida “March of Mephisto”, ambas do novo álbum. “The Haunting” foi outro momento especial, pois contou com a participação de Simone Simmons do Épica nos vocais e pôs o lugar abaixo. “Karma” fechou a noite, mostrando uma banda que veio e mostrou exatamente o que seu público esperava, até mesmo superando expectativas e conseguindo novos fãs.

Em seu segundo mini-festival, a Hellion acertou outra vez colocando ótimas bandas no mesmo palco, mas ainda pecou por erros de organização, já que o Noturna foi muito prejudicado. Mesmo assim, não se pode desmerecer o sucesso do evento e a qualidade dos shows. Espero que outros eventos assim aconteçam nos próximos anos, sendo feitos não apenas com a paixão pelo estilo, mas com muito profissionalismo.

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