Whitesnake e Judas Priest: A expectativa foi grande
Resenha - Whitesnake e Judas Priest (Gigantinho, Porto Alegre, 06/09/2005)
Por Paulo Finatto Jr.
Postado em 17 de setembro de 2005
A expectativa foi grande para o primeiro show do Judas Priest em Porto Alegre, com Rob Halford nos vocais. A banda havia tocado aqui na turnê de "Demolition", na fase póstuma de Ripper Owens como 'frontman'. Mas nesta resenha não iremos falar de um passado recente, e sim explorar algo mais longínqüo. A turnê de "Angel of Retribution", em retribuição aos fãs da América de Sul, levou todo o aparato de palco necessário para um grande espetáculo, não só por termos em cena o Judas Priest. Mas também uma banda de "abertura" digna à apresentação principal em qualquer lugar do mundo, o Whitesnake.
Fotos: Fernando Polanczyk
Mais de quatro mil gaúchos estiveram presentes na noite do dia seis, véspera do feriado de Indepedência. Um motivo a mais para o bom público que compareceu ao Gigantinho para assistir, especialmente, o Judas Priest. E chegando ao local foi perceptível todo o cuidado da produção quanto ao som, palco e iluminação. Um bom público já se aglomerava em frente ao palco e tomando uma boa parte das arquibancadas, quando, ainda com a luz do local acesa, o guitarrista Fernando Noronha foi o responsável pela iniciação sonora da noite. Não quero julgar por quais méritos o músico estava no palco, mas os menos de dez minutos foram os piores para os 'headbangers' presentes. Alguns riffs, solos e poucas linhas de voz em nenhuma música inteiramente executada, apenas trechos de canções já consagradas de grandes guitarristas do rock – foi o quê vimos. Mas vamos direto para o que realmente interessa.
Com o pano de fundo já a posto, o Whitesnake subiu ao palco por volta das 21h30. David Coverdale (vocal), Doug Aldrich (guitarra), Reb Beach (guitarra), Uriah Duffy (baixo), Timothy Drury (teclado) e Tommy Aldrige (bateria) executaram um 'set' de aproximadamente uma hora com muito carisma. Com certeza, muitos torceram o nariz ao saber que o Whitesnake viria junto com o Judas para esta turnê, mas certamente se surpreenderam com esta apresentação de puro hard rock. David Coverdale se mostrou, apesar de vários anos de estrada, um vocalista ímpar e que por si só já vale toda a apresentação. O restante da "nova" formação do Whitesnake conta com músicos para lá de eficientes, como os guitarristas Doug Aldrich (ex-Dio) e Reb Beach (ex-Dokken). Mas o que David tem em participação, acaba faltando nos demais músicos, com exceção do baterista Tommy Aldrige (ex-The Eagles) que agita do início ao fim. Pois bem, a noite começou pegando fogo literalmente com "Burn", do Deep Purple, intercalando um pedacinho de "Stormbriger", do mesmo Purple. A agitação continuou com alguns clássicos do Whitesnake, como "Bad Boys" e "Love Ain’t No Stranger", que mantiveram a mesma pegada do início do show. Após um solo (e show particular) de bateria, em que Tommy solou até sem as suas baquetas, o retorno triunfal do Whitesnake foi com outros clássicos, como a balada "Is This Love?" e "Here Go Again". Ao todo foram dez músicas, mas a nítida sensação de surpresa e comprovação estava no ar.
De pano de fundo, a capa do DVD "Electric Eye". A expectativa foi saciada quando Glenn Tipton (guitarra), K.K. Downing (guitarra), Ian Hill (baixo) e Scott Travis (bateria) subiram ao palco ao som da introdução "The Hellion". Sob uma agitação imensa, o público viu Rob Halford (vocal) aparecer em diversos pontos do palco por um artifício, durante a execução da primeira música, "Eletric Eye". Simplesmente demais, ainda mais quando vemos a continuidade da apresentação com grandes clássicos do metal, como "Metal Gods" e "Riding on the Wind". Produção impecável (como se nota nas fotos), som magistral e uma ‘performance’ do Judas merecedora de elogios. Scott Travis se mostra ao vivo como um baterista coeso e de muita técnica, Ian Hill faz a sua parte bem feita e sem chamar muita atenção, enquanto que a dupla de guitarristas, Glenn e K.K., utilizam todo o espaço físico do palco. Halford, porém, pela grande quantidade de apetrechos em seu visual, fica mais reprimido e concentrado em sua voz durante todo o espetáculo. Espetáculo que fechou a sua primeira parte com outra música sensacional, "A Touch of Evil".
O pano de fundo mudou, para a capa do mais novo disco da banda. E o show continuou com "Judas Rising", um petardo da fase atual, seguido por "Revolution", que contou com Rob agitando bandeiras nas duas extremidades superiores do palco, simulando realmente um ato revolucionário. Dando seqüência, "Breaking the Law", um dos hinos absolutos do Judas, que animou muito os presentes, que cantaram em uníssono. O show seguiu com a veterana "I’m a Rocker", a acústica e bela "Diamonds and Rust", "Beyond the Realms of Death" (que há tempos era esperada nos shows) e "Turbo Lover". Do novo material "Deal with the Devil" (uma das melhores) e "Hellrider". Fechando a apresentação, "Victim of Changes" (que contou com um solo de Glenn no seu meio), "Exciter" (ótima versão mais pesada) e por fim, "Painkiller", música que colocou abaixo o Gigantinho.
Para o bis, lá estava a banda novamente, a espera de Rob Halford. Com um pano de fundo diferente (apenas com o nome e logotipo da banda), Halford invade a cena com a tradicional Harley Davison, para surpresa de muitos, que talvez não esperavam essa particularidade. E três clássicos encerram a noite, "Hell Bent for Leather", "Living After Midgnight" (com a maior participação do público em todo o show) e "You’ve got Another Thing Coming". E assim a banda se despediu do seu primeiro show em solos brasileiros, para um público saciado e com certeza de ter presenciado o melhor espetáculo dos últimos anos na capital gaúcha. Pena dos que não foram...
Whitesnake:
01. Burn/Stormbringer
02. Bad Boys
03. Love Ain't No Stranger
04. Slow an' Easy
05. Give Me All Your Love
06. Snake Dance
07. Crying in the Rain
08. Is This Love?
09. Here I Go Again
10. Still of the Night
Judas Priest:
01. The Hellion/Electric Eye
02. Metal Gods
03. Riding on the Wind
04. A Touch of Evil
05. Judas Rising
06. Revolution
07. Breaking the Law
08. I'm a Rocker
09. Diamonds And Rust
10. Deal with the Devil
11. Beyond the Realms of Death
12. Turbo Lover
13. Hellrider
14. Victim of Changes
15. Exciter
16. Painkiller
17. Hell Bent for Leather
18. Living After Midnight
19. You've got Another Thing Coming
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