Resenha - Paul Di'Anno (Manifesto Bar, São Paulo, 30/01/2005)

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Por Bruno Sanchez
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Fotos: Tiago Marion

Domingão à noite, aquela preguiça, mas também um ótimo momento para jogar o tédio para escanteio e curtir um showzinho básico com uma lenda do Metal, o último da longa turnê de Paul Di´anno em terras brasileiras. E o mais legal: o show seria em um bar, o que facilitava ainda mais o clima de “camaradagem” entre os presentes.

Para o Brasil, exatamente como acontece há alguns anos, Paul escolheu músicos locais para acompanhá-lo, e a escolha não poderia ser melhor: desta vez, a banda de apoio era o Sexta 13 (os mesmos de 2001), músicos competentes e veteranos do Rock e do Metal, com destaque para o guitarrista Felipe Machado (um dos integrantes da formação original do Viper) e para o baterista Renato Graccia (outro que também tocou no Viper por quase 10 anos). Marcelo Mello (Guitarra) e César Talarico (baixo) completam a formação.

O Manifesto é um bar antigo e bem conhecido da cidade de São Paulo; Localizado na Zona Sul, longe do metrô mas na rota de várias linhas de ônibus. Exatamente como aconteceu com o Led Slay há alguns anos, o bar passou por diversas reformas para comportar shows de pequeno e médio porte, mas mesmo com a sua ampliação, o palco continua muito pequeno se comparado aos outros bares. Toda a parte de iluminação e sonora, no entanto, melhoraram bastante.

O show estava marcado para as 22 hs e duas horas antes a casa abriu com uma pequena fila no lado de fora onde pude reencontrar velhos amigos como o Toninho, presidente do fã clube do Sepultura e grande fã do Maiden. Dentro do bar, as caixas de som soltavam clássicos da NWOBHM intercalados com alguma coisa Punk, mostrando bem a mistura que estávamos prestes a encarar. O público compareceu em um bom número (mas não lotou o bar) e era bem heterogêneo: você podia encontrar desde senhores com mais de 45 anos até crianças menores de 10 acompanhadas pelos pais, um excelente começo no Heavy Metal, diga-se de passagem. Algumas caras famosas também estavam lá como Derrick Green do Sepultura e o Pit Passarell do Viper.

Às 21 horas, Paul chegou ao bar com uma camiseta do Corinthians e, cercado por alguns seguranças, se dirigiu aos camarins. Mesmo passando rapidamente do meu lado, ainda tive tempo de soltar um “hey Paul, nice shirt man!” ao que ele respondeu prontamente sorrindo “of course...”.

Quase às 23 horas, com uma hora de atraso, um Paul Di´anno meio chapado e a banda Sexta 13 desceram as escadas em direção ao palco do Manifesto e começaram a famosa introdução instrumental Ides of March, a mesma que abre o álbum Killers da donzela.

Como no álbum, o eterno clássico Wrathchild dá as caras e Paul começa o seu show. Antes de qualquer comentário sobre o que viria a seguir, vamos falar um pouquinho sobre o Sr. Di´anno. Tudo bem que o cara já não está mais em forma (na verdade, ele engordou bastante), já não tem mais os cabelos de 25 anos atrás, nem a presença de palco dos anos 80 (ele fica parado quase o show inteiro, mas o palco do Manifesto também não ajudava muito caso ele quisesse se movimentar) e sua voz também não é mais a mesma, mas o cara ainda sabe como animar seus velhos fãs, pelos menos aqui em São Paulo, pois também ouvi por alguns amigos que as apresentações da banda em outras cidades não foram tão legais.

De volta ao show, Paul dá boa noite ao Manifesto (em um português decente) e seguem com uma das músicas mais perfeitas do Heavy Metal: Prowler, a primeira música do primeiro disco do Iron Maiden, tocada com uma energia de fazer inveja a muita banda nova por aí. Esse é, por sinal, o adjetivo perfeito para esse show: energético.

A equalização do som, infelizmente, não cooperou muito com a apresentação e a voz de Di´anno volta e meia sumia. Mesmo assim, esse começo foi impecável com todo o público participando e cantando.

Sempre brincando e sorridente com o público, Paul não deixava de elogiar os brasileiros e prometeu uma volta ao país em breve pois sempre que tocava em São Paulo se sentia em casa. Esse fato se confirmou especialmente quando o vocalista se revelou um corintiano fervoroso e mandou uma banana para os torcedores do Tricolor Paulista – um daqueles momentos antológicos que valem cada centavo do ingresso, isso sem contar quando ele se declarou um hooligan e mandou os outros torcedores tomarem naquele lugar em italiano.

Em retribuição ao carisma, o pessoal tentou puxar um coro de “Di´anno, Di´anno”, interrompido prontamente pelo vocalista que disse apenas realizar o seu trabalho em cima do palco e sua vida era isso mesmo: tocar música pelo mundo para os amigos (apontando para o público). Um exemplo a ser seguido por muitas estrelinhas por aí.

Deixando um pouco a donzela de lado, afinal o frontman também tocou em outras bandas e projetos, Paul anuncia a ótima Marshall Lokjaw, faixa bem pesada do primeiro trabalho, Murder One (lançado em 1992), do projeto Killers. Fiquei surpreso com a ótima receptividade dos paulistanos para a música.

Voltando ao Maiden, mais um clássico, Murders in The Rue Morgue com mais um show do público.

Mais uma música bem legal do projeto Killers (do mesmo Murder One) dá as caras: The Beast Arises. Ótima composição que agitou bastante, seguida de Children of Madness, faixa título do segundo trabalho do projeto Battlezone de 1987.

A primeira balada do Iron Maiden, Remember Tomorrow (reza a lenda que Paul a compôs para o seu avô), vem a seguir e o vocalista praticamente deixa o público levar sozinho sua letra no momento mais emocionante do show. A parte rápida da música ficou bem pesada nessa versão ao vivo, com destaque para a performance de Felipe. O cara não parava de pular e bater cabeça um segundo sequer e sua alegria em estar no palco era visível e contagiante, e olha que ele é um nome respeitado na cena metálica nacional.

Novamente, somos levados ao primeiro disco do projeto Killers e a banda toca Impaler, na minha opinião a melhor composição de Paul em sua fase “pós-Maiden”. Música legal e pesada pra cacete que pega algumas influências do Thrash Metal, mais ou menos como o Judas Priest fez com o seu Painkiller. Na seqüência, outra música do mesmo projeto (porém de uma fase mais recente), Faith Healer.

Já que estamos falando tanto do Killers (o projeto), a música do Iron Maiden que deu nome à banda e também ao título do segundo álbum da donzela, apareceu e quase botou o Manifesto abaixo.

Sem deixar a empolgação cair, Paul anuncia que a próxima composição é de um cara chamado Steve Harris e mandam uma versão bem pesada de Phantom Of The Opera. A resposta dos bangers paulistanos você já deve imaginar.

Segundo a programação oficial, a música que viria a seguir era The Living Dead do trabalho Nomad (que contou com as participações de Felipe Andreoli e Aquiles Priester, atualmente no Angra), mas Paul lembrou que este CD saiu em uma época conturbada de sua vida, quando se divorciou de sua esposa e ficou longe de seus filhos, então não trazia boas recordações e eles iriam pular para a próxima faixa, essa sim trazendo boas lembranças: nada menos que Running Free. O vocalista original do Sexta 13 subiu ao palco e dividiu essa versão com Paul.

A banda agradece e sai para o bis. Na volta, o guitarrista Felipe Machado solta um berro “Transylvania”. Neste momento lembrei que um dos meus grandes sonhos dos meus 16 anos era ouvir Prowler e Transylvania ao vivo com a donzela. Já que nas últimas turnês, pelo menos na parte sul-americana o Iron deixou essas duas músicas de lado, eu estava de certa forma realizado. A versão do Sexta 13, seguindo a tradição para este show, ficou bem pesada e lembrou bastante o cover que o Iced Earth lançou há alguns anos.

Paul agora começa o momento “surpresa” (para quem não viu os shows anteriores) e menciona que ama o Heavy Metal mas também é um Punk de carteirinha e queria ver todo mundo agitando na próxima música, o cover de Ramones, Blitzkrieg Bop com seu famoso “Hey Ho, Let´s Go” cantado por todos.

Para fechar o show com chave de ouro, exatamente como o próprio Iron Maiden, Paul e a banda mandaram o clássico Sanctuary.

Se não fosse pelo problema já citado com o som do Manifesto, o show seria perfeito, especialmente pelo contato direto do ex-vocalista do Iron Maiden com os fãs. O cara pode estar velho e bêbado, mas ainda sabe como animar o público, isso sem contar seu carisma, o bom humor e, logicamente, sua voz. Ok, sua garganta já não é a mesma, mas em alguns momentos ele até arriscou com sucesso algumas linhas guturais no meio das músicas.

O Sexta 13 também está de parabéns por colocar peso nos velhos clássicos, porém respeitando o limite de cada composição.

Ótimo show, igual ao do Tom Brasil em Sampa há alguns meses, é verdade, porém mais uma chance de se ver uma lenda viva do Heavy Metal mundial a poucos metros de distância.

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Sobre Bruno Sanchez

Paulistano, 26 anos, Administrador de Empresas e amante de História. Bruno é colaborador do Whiplash! desde 2003, mas seus textos e resenhas já constavam na parte de usuários em 1998. Foi levado ao Rock e Metal pelos seus pais através de Beatles, Byrds e Animals. Com o tempo, descobriu o Metallica ainda nos anos 80 e sua vida nunca mais foi a mesma. Suas bandas preferidas são Beatles, Metallica, Iron Maiden, Judas Priest, Slayer, Venom, Cream, Blind Guardian e Gamma Ray.

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