Resenha - Nightwish (Bar Opinião, Porto Alegre, 02/12/2004)

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Por Paulo Finatto Jr.
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Fotos (show do Rio): Antonio Cesar

Quinta-feira quente, casa lotada. Estas são as primeiras palavras que podem ser ditas quanto a segunda apresentação do Nightwish em Porto Alegre (RS), em sua terceira turnê pelos palcos brasileiros. E quanto a este mais recente show na capital gaúcha, tivemos um maciço público lotando todas as dependências da mais conceituada casa de shows da cidade, o Bar Opinião. Mesmo com um ingresso um pouco caro para os padrões nacionais (R$ 80,00) muitos fãs calorosos do grupo finlandês, assim como curiosos e uma grande parte de “fãs atuais” – que surgiram graças a seguidas aparições da banda na MTV e congêneres – foram os responsáveis por uma noite bem agradável, com exceção do calor demasiado, é claro.

Marcado para começar às 23h, o show realmente começou no horário previsto. O fato interessante foi a abertura da casa duas horas antes de a banda pisar no palco, algo um pouco raro de se acontecer (digo a antecedência) se tratando de apresentações no Opinião. Uma boa jogada da produção, dando maior comodidade e atenção para um público que certamente ultrapassou quatro mil pessoas. Após muito som mecânico, uma introdução orquestrada, Tarja Turunen (vocal), Emppu Vuorinen (guitarra), Marco Hietala (baixo), Tuomas Holopainen (teclado) e Jukka Nevalainen (bateria) entraram em cena, com um barulho ensurdecedor por parte dos fãs, que agitaram do início ao fim de “Dark Chest of Wonders”, uma das músicas mais pesadas do último CD dos finlandeses, “Once”. Não poderia haver música melhor para abrir o show, não esquecendo, inclusive, de suas partes orquestradas (via ‘sampler’). Um pouco de surpresa era visível nos rostos dos cinco integrantes, acredito que não acostumados com platéias tão agitadas como as brasileiras. Sem parar de agitar, “Planet Hell”, trouxe a ótima presença de Marco Hietela dividindo os vocais com Tarja e com o público presente, também. A melhor música do “Once” na minha modesta opinião.

Falando em Marco Hietala, este é para mim um dos membros mais importantes da atual fase do Nightwish, além de tocar muito bem, ter ótima presença de palco, ele ainda é um exímio vocalista – e se você ainda não notou, o maior responsável pelo contato via microfone com os fãs durante os shows da banda. Mas voltando à apresentação, “Deep Silent Complete” serviu para comprovar que não havia somente fãs da banda na platéia, já que foi considerável o número de pessoas que sequer conhecia uma música sem vinculação comercial do Nightwish. Mas de qualquer forma, “Phantom of the Opera” e a forte “The Kinslayer” seguiram com o show, já neste ponto, trazendo uma banda já sentindo o forte calor que fazia no local. Mas mesmo com muito suor no rosto, a balada “Sleeping Sun” fechou a primeira parte do show, que na seqüência trouxe o cover para “Symphony of Destruction”, do Megadeth, cantado por Hietala e com Tarja no ‘backstage’ se preparando para a sua próxima entrada em palco. Uma versão eu diria que curiosa, de início ela acabou me agradando muito, mas com o seu desenrolar eu acabei tendo as minhas dúvidas...

Mas bem, “Bless the Child” deu continuidade ao espetáculo, uma composição bem forte do disco anterior, matadora. Tarja Turunen volta ao palco vestindo um traje mais “aberto” (acredito que por causa do calor) e cantando com muita classe. E é nesta faixa que notamos o perfeito entrosamento entre Emppu e Marco, sem nunca deixarmos de citar o trabalho majestoso da “cabeça” do grupo, Tuomas Holopainen. “Wishmaster” foi a próxima execução, para a alegria de muitos presentes, que cantaram durante a música inteira, que tem uma excelente ‘performance’ de Jukka Nevalainen nos dois bumbos. Quando se imaginava que o melhor já havia sido executado, ainda restou para a banda trazer a balada “Dead Boy’s Poem” (que poucos conheciam) e a pesada “Slaying the Dreamer”. “Nemo”, composição que mais me torce o nariz dentro de “Once” fechou o show, trazendo uma curiosa dose de peso excedente e uma já esperada resposta maciça dos presentes, porque, ah, vocês sabem...

Após uma pausa e o anunciado “fim” do show, o bis trouxe a épica e maravilhosa “Ghost Love Score” primeiramente, que deixou muitos hipnotizados (inclusive eu). Surpreendente o que a banda faz com essa música ao vivo... E mesmo com o público pedindo “Over the Hills and Far Away” e “Elvenpath” em coro, Hietala fecha a apresentação com o mais novo “hit” da banda, “Wish I Had An Angel”, com a mesma e já esperada participação muito calorosa por parte dos fãs gaúchos (porém esta, para mim, merecedora). E após isso, fim de papo – além de Tuomas usando uma camiseta do Brasil e Tarja estar com ainda menos roupa....

Em um resumo geral, 1h30 de show contínuo, músicas tocadas em sua perfeição plena e uma apresentação majestosa de cada um dos integrantes do Nightwish, que trabalhando desta forma, só confirmam a presença da banda hoje entre os maiores nomes do metal mundial. Nitidamente ficou uma sensação de dever não cumprido, queríamos mais, sim, mas o planejamento para esta noite foi executado em sua forma completa. Parabéns a todos os presentes que fizeram mais do que a sua parte, a todos da banda pelos 90 minutos de qualidade sonora para os nossos ouvidos “sensíveis” e parabéns para a produção deste espetáculo. O show foi maravilhoso, é verdade, mas a sensação de satisfação plena, desculpem-me pela redundância, mas acho que ninguém levou para casa na madrugada de quinta para sexta.

Set-list:
01. Dark Chest of Wonders
02. Planet Hell
03. Deep Silent Complete
04. Phantom of the Opera
05. The Kinslayer
06. Sleeping Sun
07. Symphony of Destruction (Megadeth)
08. Bless the Child
09. Wishmaster
10. Dead Boy’s Poem
11. Slaying the Dreamer
12. Nemo
13. Ghost Love Score
14. Wish I Had An Angel

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Post de 02 de dezembro de 2012


Sobre Paulo Finatto Jr.

Reside em Porto Alegre (RS). Nascido em 1985. Depois de três anos cursando Engenharia Química, seguiu a sua verdadeira vocação, e atualmente é aluno do curso de Jornalismo. Colorado de coração, curte heavy metal desde seus onze anos e colabora com o Whiplash! desde 2000, quando tinha apenas quinze anos. Fanático por bandas como Iron Maiden, Helloween e Nightwish, hoje tem uma visão mais eclética do mundo do rock. Foi o responsável pelo extinto site de metal brasileiro, o Brazil Metal Law, e já colaborou algumas vezes com a revista Rock Brigade.

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