The Troggs: Da banda original, somente Reggie Presley e Chip Taylor

Resenha - The Troggs (Village Underground, Greenwich Village, 26/06/2001)

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Por Márcio Ribeiro
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A noite foi um festival de bandas, cinco ao todo, mini festival promovido por ninguém menos que Little Steven, guitarrista da extinta E Street Band, que fez Bruce Springsteen tão famoso. Das três bandas mais jovens: Johnny Chan & the New Dynesty Six, Creaters of the New Dawn e Insominacs, foi Johnny Chan nesta noite aquela que mais agradou, com solos empolgantes e uma apresentação de muita fibra.

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Mais adentro na noite, sobe no palco a esquecida banda dos anos sessenta Richard & the Young Lions, que voltam a se apresentar com a formação quase original. Banda criada em Newark, New Jersey, entre amigos de ginásio em 1965. Poder assistí-los hoje, é não só um testemunho histórico, como também uma grata surpresa. Richard, o vocalista da banda, evidencia com seu físico, já encurvado, sem pescoço ou molejo, os anos que se passaram na vida maldita do rock n' roll. Acredito que normalmente, seria mais dado a se fazer piadas desta figura à frente de uma banda com seis integrantes, do que respeitá-lo como cantor ou músico. Não obstante, o velhinho, apesar de bem acabado, entra muito bem na onda quando a musica está tocando. Canta bem, ajudado pelos backing vocals de outros dois membros, e acaba oferecendo um primoroso testemunho do que é uma alma autenticamente roqueira por toda vida. A banda The Young Lions tem músicos bons e é de fato uma banda com personalidade e sonoridade própria. No final, aplaudi de pé aqueles que, de início, sequer cogitei levar a sério. Parabéns Richard & The Young Lions.

O show dos Troggs, programado para começar as 23hs (na prática, nem os Young Lions começaram nesta hora), subiu no palco precisamente à uma da manhã. Da banda original, somente Reggie Presley (o vocalista) e Chip Taylor (na guitarra)persistem. Reggie, muito bem vestido e animado, apesar de ligeiramente obeso, comandou o espetáculo conversando com o público, contando casos ocorridos com a banda durante a carreira e oferecendo seu vocal doce/rascante, que junto com os riffs de Taylor, fazem de The Troggs a banda amada que é. Essencialmente pop nas composições e arranjos, é a guitarra de Chip Taylor que instiga. Taylor, uma figura bastante magra, quase só osso e músculo, dando pinta dos seus excessos na juventude. Quase sempre de preto, com cabelos cortados em máquina um e um sorriso de brilho verde musgo, faz a gente imaginar se não é um dos sortudos a ter sobrevivido aos anos sessenta e setenta com vida. Como músico, Chip Taylor é o comandante supremo dos Troggs. A sua pegada é o pilar característico da banda enquanto Reggie Presley é a voz.

Foram apenas quarenta minutos de show, com vários dos grandes sucessos, além de outros números menos lembrados. Brincam com o tema "Wild Thing" desde o inicio do show, música símbolo que ficou, e obrigada a ser tocada em cada show. Mas sacanas como são, despistam instigando com um riff similar, e tocando "Louie, Louie" no lugar, enquanto observam pelas reações do público, quantas pessoas eles "pegaram" desta vez. Tocam também a clássica "Walkin' The Dog" com um arranjo se não brilhante, caindo bem com o som da banda. Entre os seus maiores sucessos, foram tocados "Night of the Long Grass", possivelmente o último hit da banda, lançado em 1970, "Anyway That You Want Me", "Can't Control Myself" e a baladona "A Girl Like You", que Presley ainda consegue cantar com tremenda paixão. O show fecha com a bastante aguardada "Wild Thing" em que Reggie repete com perfeição seu famoso solo de ocarina.

Se não foi um dos mais memoráveis shows da vida, foi certamente uma noite bastante agradável. Melhor seria se tivesse mais tempo de show, para a banda oferecer mais do seu material vastíssimo.

Repertório da noite:

1. Give It To Me
2. Feels Like A Woman
3. Strange movie
4. Evil
5. Night of the Long Grass
6. I Do Do
7. The Yellow In Me
8. Louie, Louie
9. Walkin' The Dog
10. Anyway That You Want Me
11. Love is All Around
12. A Girl Like You
13. Wild Thing

Bis:

14. I Can't Control Myself




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Sobre Márcio Ribeiro

Nascido no ano do rato. Era o inicio dos anos sessenta e quem tirou jovens como ele do eixo samba e bossa nova foi Roberto Carlos. O nosso Elvis levou o rock nacional à televisão abrindo as portas para um estilo musical estrangeiro em um país ufanista, prepotente e que acabaria tomado por um golpe militar. Com oito anos, já era maluco por Monkees, Beatles, Archies e temas de desenhos animados em geral. Hoje evita açúcar no seu rock embora clássicos sempre sejam clássicos.

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