Resenha - Bonded By Blood (Led Slay, São Paulo, 23/10/2004)

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Por Bruno Sanchez
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O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.

Matéria escrita para o site DELFOS – www.delfos.art.br

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O ano de 2004 está ótimo para os fãs brasileiros do bom Heavy Metal. Nestes 10 meses já tivemos shows de grandes nomes da cena de quase todos os sub-gêneros como Iron Maiden (leia resenha), Dimmu Borgir (leia resenha), Children of Bodom (leia resenha), Edguy, Therion (leia resenha), Dio (leia resenha), Cradle of Filth, Primal Fear (leia resenha), Brujeria, Cannibal Corpse, a consagração do BMU (leia resenha) e até mesmo um novo festival que começou com o pé direito, o Sepulfest (leia resenha). E, como você pode ver, o DELFOS esteve em quase todos eles e para o ano que vem, quando estaremos mais estabelecidos e com uma equipe maior, vamos tentar cobrir todos os shows internacionais e grande parte dos nacionais (afinal, cobrir todos os nacionais é impossível, até porque o DELFOS não é um site apenas de música).

A vinda do Exodus, lendária banda de Thrash Metal da Bay-area de San Francisco e que chegou até a contar com Kirk Hammet (atualmente no Metallica) em suas primeiras formações, também já estava agendada há alguns meses e a banda faria os seus shows no mês de setembro nas cidades de São Paulo (onde rolaria um mini-festival chamado Bonded By Blood Thrash Fest na Via Funchal), Recife, Belo Horizonte e Ribeirão Preto.

Uma semana antes da viagem, o então vocalista, Steve "Zetro" Souza, teve um ataque de estrelismo e deixou a banda na véspera de um show no México. Ninguém entendeu muito bem a saída de Zetro, afinal, a banda acabara de lançar um dos melhores (na opinião de muitos – o melhor) álbuns de sua carreira, Tempo of the Damned, e vivia um momento intenso com muitos shows agendados e, conseqüentemente, muito dinheiro entrando. Inicialmente, o Exodus não cancelou as apresentações, mas pouco depois, mudou de idéia e decidiu adiá-las até que encontrassem um novo vocalista e tivessem tempo para ensaiar. As bandas brasileiras que abririam os shows: Drowned, Betrayer, Helltrucker, Absolute Disgrace e Perpetual Dusk, ficaram indignadas com a perda das apresentações e a atitude de Zetro e criaram como protesto, um festival em Belo Horizonte intitulado Fuck off Zetro, acontecido no último dia 25 de setembro.

Enquanto isso, Holt e o restante do Exodus caçavam desesperadamente um novo vocalista para reagendar os shows e o encontraram na figura de Steve Esquivel, experiente músico da cena norte-americana e famoso pelo seu trabalho com o Skinlab. De novo vocalista e com novos ares, a banda reagendou toda a turnê sul-americana para outubro e fomos conferir de perto como está a nova formação e como foi o show de São Paulo, que contou com um novo cast, incluindo os veteranos do Korzus, Vulcano, Atomica, Andralls e um tributo ao Death do saudoso Chuck Schuldiner cujo vocalista e baixista é Bruno Sutter, que caso você não saiba, é o Detonator da banda de mentirinha da MTV, Massacration.

O novo local escolhido para a realização do evento foi o tradicional Led-Slay, um dos mais antigos bares de rock da cidade, localizado na Zona Leste, com 32 anos de idade e muita história para contar. Por ele, já passaram nomes como Korzus, Gilberto Gil, Sepultura, Viper, Dr. Sin, Camisa de Vênus, Shaman, as primeiras edições do BMU e um momento especial com Zé Ramalho que reuniu 4000 pessoas no local em 1997, de acordo com o site oficial do evento. Aliás, se alguém souber como colocar 4000 pessoas dentro do Led-Slay, por favor me avise já que é difícil imaginar esse número lá dentro, mesmo após as recentes reformas que aumentaram o lugar. Outro ponto de interrogação é como um festival agendado para uma casa do porte do Via Funchal foi rebaixado para um bar que, por melhor e mais tradicional que seja, convenhamos, não é nenhum Via Funchal, nem em estrutura, nem em tamanho. Baixas vendas na primeira tentativa, talvez?

O show estava marcado para começar às 20:00 hs, mas somente às 20:35 os portões foram abertos já que algumas bandas ainda passavam o som e apenas às 21:20 o evento começou. Esses atrasos infelizmente estão virando um péssimo hábito nos shows paulistanos e levou o show do Exodus a acabar por volta das 5 da matina.

O Andralls fez o papel de “novato” da noite dentre tantas feras do Thrash/Black Metal nacional e ficou encarregado de abrir o novo Bonded By Blood Thrash Fest. A banda também aposta em um Thrash/Death anos 80, com fortes influências de Slayer, Megadeth e Sepultura. Quando os caras subiram ao palco, a casa ainda estava bem vazia, provavelmente fruto do péssimo congestionamento em São Paulo, que fica ainda pior nas sextas à noite.

A banda fez um show de pouco mais de 30 min, onde tocou clássicos de seus três álbuns (sendo um ao vivo – meio cedo para um lançamento do tipo, não?). Todos os integrantes se movimentam e agitam bastante, com destaque para o vocalista Alex Coelho e o baixista Eddie C. No começo da apresentação, o som estava um pouco abafado, especialmente nas guitarras, mas a banda mandou bem com as músicas Hate, Terror Fetus, os covers Children of the Grave/War Pigs (do Black Sabbath em um medley bem legal) e Angel of Death (Slayer). Fecharam com Andralls on Fire, de longe a melhor música do Andralls, na minha opinião.

Uma grande expectativa cercava o show que viria a seguir: o Vulcano, uma das primeiras representantes brasileiras do Black Metal, ainda no começo dos anos 80. Para se ter uma idéia do pioneirismo, o primeiro trabalho, Om Pushne Namah, foi lançado em 1982, com letras enigmáticas em português e é uma das grandes preciosidades do som pesado nacional, em uma época em que ainda nem haviam revistas especializadas. A nova formação conta com Zhema (baixo – único remanescente da primeira formação), Angel (vocal), Arthur (bateria), André e Passamani (guitarras).

Quando o Vulcano subiu no palco, às 22:10, o Led-Slay já estava bem mais cheio, mas não chegou a lotar (o que não aconteceu nem para o Exodus) e a banda soube retribuir toda a expectativa do público paulistano com muito profissionalismo, garra e competência em um ótimo show de 40 minutos onde não faltaram clássicos como Bloody Vengeance, Fallen Angel, From Beyond e Guerreiros de Satã. É difícil falar do Vulcano sem mencionar o carisma de Angel e Zhema, que não param de agitar um minuto sequer e fizeram um dos melhores shows da noite. Parabéns à banda e ficamos na expectativa por um novo trabalho de estúdio.

A banda que viria a seguir no festival, era o Death Tribute, um projeto encabeçado por Bruno Sutter, inclusive com o aval da mãe de Chuck – que se tornou praticamente uma celebridade no meio Metal desde a morte de Schuldiner. Durante o show, Bruno esclareceu também que a banda gravará um tributo ao Death/Control Denied em CD no ano que vem. Ótima notícia para os fãs da carreira musical de Chuck, especialmente pela competência impressionante do Death Tribute.

Um problema na bateria de Nando atrasou o início da apresentação em mais de uma hora, mas com tudo resolvido, os caras despejaram uma tonelada de clássicos de todas as fases do Death: Symbolic, The Philosopher (essa não precisou nem ser anunciada para abrirem as rodas), Scavenger of Human Sorrow (excelente versão), Overactive Imagination e o mega-clássico Spiritual Healing com a participação especial de Andreas Kisser (Sepultura, que concedeu uma exclusiva para o DELFOS há algumas semanas e que será publicada aqui em breve). Infelizmente, durante a apresentação de Andreas, uma boa parcela do público começou a chamá-lo de traidor para baixo. Posso apenas imaginar a moral que alguém tenha para chamar uma pessoa que fez tanto pelo Metal nacional de traidor. Problemas à parte, o show foi excelente e surpreendeu bastante quem só conhecia o trabalho de Bruno como humorista do programa Hermes e Renato: o cara manda muito bem no vocal gutural e o baterista Nando, apesar dos problemas iniciais com a bateria do show, foi impecável e mostrou muito bom humor e carisma, especialmente quando depois da apresentação, desceu para a pista e conversou com todos, sempre com um largo sorriso no rosto. Para quem é fã de Death e Control Denied, é um prato cheio.

Mais uma longa pausa para a troca de instrumentos (e mais um problema na bateria) e os veteranos do Atomica (sem acento mesmo, mas a banda era conhecida como Attomica até algum tempo atrás), entraram no palco quase à meia noite. Eles começaram em 1985 na cidade de São José dos Campos e contam, da formação original, com João Paulo Francis (guitarra), Mário Sanefuji (bateria), André Rod (baixo), e de uma formação mais recente, Fábio Moreira (vocais) e João Márcio Francis (guitarra).

No começo do show, o som da guitarra estava inaudível, mas a partir da segunda música as coisas melhoraram. A banda tocou clássicos de seus três discos, com destaque para Ways of Death, Dying Smashed, Flesh Maniac, o clássico The Chainsaw e fecharam a apresentação com Forbidden Hate do álbum Disturbing the Noise. O destaque máximo vai para o baterista Mario Sanefuji, dono de uma precisão impressionante.

A noite estava quente e mais uma banda experiente viria a seguir. Os paulistanos do Korzus subiram ao palco para apresentar ao público do Led-Slay músicas de seu mais recente e aclamado trabalho, Ties of Blood, além de vários clássicos dos mais de 20 anos de carreira e posso afirmar, sem dúvida, como essas duas décadas fizeram bem pros caras. Marcelo Pompeu (vocais), Sílvio Golfetti (Guitarra), Dick Siebert (baixo), Heros Trench (guitarra) e o novato, Rodrigo Oliveira (bateria), sabem como fazer um show e não deixar o pessoal parar um minuto em um set empolgante.

As músicas do novo álbum ganham uma energia absurda ao vivo e a banda mandou ver com Respect, What are You Looking For?, a clássica Catimba e Punisher. Mas o momento mais inesperado da noite ocorreu quando Pompeu chamou um convidado especial que faria um número com eles aquela noite (embora o Corrales, que tirou as fotos que você vê ilustrando essa matéria, tenha comentado pouco antes que isso poderia acontecer). Todos esperavam por João Gordo ou Andreas Kisser, mas quem subiu ao palco foi ninguém menos que Andre Matos, o vocalista do Shaman e ex-vocalista do Angra, que gravou a faixa Evil Sight com a banda para o Ties of Blood. Quando André subiu no palco, ninguém sabia muito bem qual seria a reação dos bangers mais fanáticos em relação à sua participação especial, já que até Andreas teve que encarar a ira do pessoal. Mas tudo correu muito bem e ele foi bem aplaudido cantando uma versão ao vivo pesadíssima de Evil Sight, sem dúvida uma jam histórica para um festival de Thrash Metal. Para finalizar o show, a banda mandou uma versão muito legal de Raining Blood (Slayer) com participação especial de Alex Coelho (do Andralls) e Steve Esquivel, o novo vocalista do Exodus, dando uma pequena palhinha do que estava por vir.

Mais um intervalo de meia hora e finalmente os estadunidenses do Exodus se apresentariam novamente em São Paulo. A última vez foi em 1998, na turnê de reunião com o falecido Paul Baloff. Sem introduções gigantescas ou show de luzes, os caras entraram no palco cumprimentando a todos e começaram com Scar Spangled Banner, um dos novos clássicos da banda do último trabalho de estúdio.

Alguns releases entregues à imprensa, diziam que haveria a participação especial do guitarrista Frank Gosdzik (Ex-Kreator e Sodom) e informavam que a banda tocaria o clássico disco, Bonded By Blood, na íntegra, mas na prática nenhuma das duas coisas aconteceu, mesmo que eles tenham tocado várias músicas deste álbum, como a faixa-título, Piranha (versão maravilhosa), Exodus, A Lesson in Violence, And Then There Were None, além de músicas dos outros trabalhos como Pleasures of the Flesh e Brain Dead. O show também contou com a nova War is My Sheppard, em um discurso claro contra a política genocida de George W. Bush.

Steve entrou na banda há menos de um mês, e acabou precisando recorrer à ajuda de um papel com as letras das músicas. Mas para quem entrou há algumas semanas com uma baita responsabilidade nas costas, ele superou as expectativas, além de ter um timbre de voz que combina com o Exodus e um carisma muito grande. O show teve pouco mais de uma hora e meia, e a banda mandou no bis os clássicos The Toxic Waltz (que ficou demais) e finalizou com Strike of the Beast.

Os destaques vão, com certeza, para o guitarrista Rick Hunolt e o baixista Jack Gibson. Gary Holt, apesar de ser a grande mente por trás do Exodus, tem uma postura mais discreta em cima do palco. O novo vocalista, Steve, é um excelente frontman para essa nova fase e só precisa de mais alguns ensaios para ficar perfeito na função e consolidar o lugar conquistado. Uma pena que no final ele me vem com um “Gracias, São Paulo”. Pô Steve, gracias? E a capital do Brasil é Buenos Aires, certo?

Um fato lamentável que não posso deixar de citar é a atitude dos dois seguranças que ficavam nas laterais do palco. A questão é que, obviamente, em um show de Thrash Metal, é comum a invasão de palco ou stage-diving (inclusive Steve puxava os fãs para cima do palco, realizando o sonho de muitos headbangers de ficarem perto de seus ídolos) mas os seguranças não enxergavam isso com os mesmos olhos e era só alguém subir para os brutamontes darem uma chave de braço no pobre indivíduo, tratando-o como se fosse um marginal (verdade seja dita, atitude comum em seguranças). Pior ainda, empurrar um cara que estava de costas para ele (virado para a platéia) para fora do palco com toda a estupidez possível. Acontece que o palco do Led-Slay é bem alto (deve ter uns três metros), tanto que poucos se arriscavam no stage-diving, mas os caras pareciam não se importar muito e literalmente empurraram de volta algumas pessoas que tentavam escalar o palco para chegar à banda. Por sorte não aconteceu nada de grave mas fica a pergunta: e se alguém realmente se machucasse? Ou pior, e se o indivíduo cai de cabeça e morre? Pode ter certeza que aqui no DELFOS nós não abafaríamos um caso desses como a grande imprensa costuma fazer.

Imprevistos e atrasos à parte, o Bonded By Blood Thrash Fest foi um excelente festival para os fãs do Thrash Metal e uma ótima oportunidade para os fãs nacionais conhecerem o trabalho de tantas bandas brasileiras legais, além de presenciar um ótimo show do Exodus. O ano de 2004 está realmente sendo diferenciado para os fãs tupiniquins do Metal. E que venham mais shows clássicos. O público brasileiro aguarda.

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Sobre Bruno Sanchez

Paulistano, 26 anos, Administrador de Empresas e amante de História. Bruno é colaborador do Whiplash! desde 2003, mas seus textos e resenhas já constavam na parte de usuários em 1998. Foi levado ao Rock e Metal pelos seus pais através de Beatles, Byrds e Animals. Com o tempo, descobriu o Metallica ainda nos anos 80 e sua vida nunca mais foi a mesma. Suas bandas preferidas são Beatles, Metallica, Iron Maiden, Judas Priest, Slayer, Venom, Cream, Blind Guardian e Gamma Ray.

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