Bem-vindo à selva, AC/DC
Por Marcos Hiyoga
Postado em 15 de maio de 2016
Não há como negar a importância do Guns N’ Roses no cenário Rock mundial. Slash , Axl e Cia. foram responsáveis por composições épicas, shows memoráveis, atrasos inesquecíveis, que marcaram a vida de mais da metade dos roqueiros terrenos. Um passado glorioso, uma carreira de sucesso incontestável. Uma escultura do Hard Rock.
Ao som do riff inicial de "Sweet Child O’ Mine", o grito de "UHU" (para uma gigantesca legião) há décadas vem rasgando a garganta numa euforia desmedida, chegando a causar estrebuchamentos involuntários regados por um copioso derramamento de lágrimas. Ao vivo, especialmente, a sensação é descomunal. No entanto, para outro grupo, esse arranjo produz um sentimento de deprimência, uma angústia aterrorizante. Para completar, quando Axl entoa seu vocal, a pessoa tem uma vontade imensa de furar os tímpanos, porém o máximo que consegue fazer é tampar os ouvidos, cantarolar um blá-blá-blá e recorrer aos fones mais próximos para "lavar" seus orifícios audiorreceptores com sabão de barra Bowie, detergente Morrison (maçã verde-lagarto) e sabonete Mercury Queen.
E é, justamente, sobre essas duas situações antagônicas que gostaria de falar. Gostar ou não, eis a questão. Existe uma palavrinha chamada eufonia, que significa, em síntese, uma agradabilidade harmoniosa de sons. Ela é negligenciada tanto pelos fãs de qualquer coisa -portadores da mais absoluta verdade sobre seus ídolos -, quanto pelos abominadores de plantão, que amam odiar, quando se trata de compreender o lado oposto. Infere-se que o agradável varia de um indivíduo para outro, certo? Então, há algum motivo para se digladiar em ralação a preferências musicais?
Sabe-se que o radicalismo devotado às bandas prediletas, o endeusamento religioso aos "frontmen", muitas vezes, barram quaisquer tipos de opiniões contrárias. Amizades se desfazem, amigos se transformam em rivais. Existem cabeças tão fechadas musicalmente, que pensar diferente delas não passa de uma ofensa ou heresia. E por se tratar, única e exclusivamente, de uma questão de gosto, não vejo sentido nesta rinha entre "lovers and haters".

Na verdade, eu quero propor-lhes uma reflexão: será instinto ou consciência discutir por tudo? A discussão se tornou imprescindível à sobrevivência? E sobreviver dessa forma implica ser chato? Postura irascível é o novo padrão da conduta moderna?
Natural ou não, uma boa discussão é saudável. Contudo, o povo desaprendeu a conversar. A tolerância para ouvir se esgotou. O raciocínio é interrompido, a conclusão é precipitada e o barraco está armado. É o famoso "fala que eu discuto!" Sob o ponto de vista psicológico, eu me preocupo ainda mais. Parece um bando de torcedores lunáticos. Uns amando cegamente sem um mínimo de criticidade; outros odiando pelo simples prazer da repulsa. Se tiver uma pedra ao lado de um louco desses, fuja. Uma vez comentei num grupo de rede social sobre uma famosa vocalista de quem todos eram fãs, disse que achava sua voz lindíssima, sexy e marcante, apesar de seu estilo meio gemebundo e sussurrado. Veja bem, minha adjetivação positiva foi instantaneamente olvida (esquecida), mas minha observação sobre os "sussurros-gemidos" ecoou eternamente como se eu tivesse falado somente argumentos depreciativos. Até hoje pensam que eu odeio essa mulher. É ou não é preocupante? Tenho até medo de dizer o nome dela, mas ela anda meio "evanescida" do cenário atual. Seus fãs são tão fervorosos, que minha crítica teve de "evanescer-se" para eu não ser apedrejado. Sacou? Ah, noutra ocasião, disse que o Ozzy não cantava bem, embora no Rock não seja necessário cantar bem para ser FO%@, basta ser autêntico e ter atitude que já está bem encaminhado. Fui "fuzilado" por matracas metálicas, hostilizado pela "headbangerização" tradicional; quase que eu amanheço na sarjeta com a boca cheia de morcegos, ops, de formiga. Perceba que uma besteira dessas se torna algo sério, imagine o que algo de relevância se tornaria. Depois dizem que evangélico é fanático. O ódio deliberado está para o amor extremo assim como a imbecilidade, para a soberba.
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E o que tudo isso tem a ver com o AC/DC? Recentemente a banda dividiu opiniões com uma decisão polêmica: a substituição de Brian Johnson por nada mais nada menos que Axl Rose nos shows da nova turnê. A receita de perfeição do AC/DC, sempre unanimidade entre "rockers", entrou no fogo cruzado. Toda raiva e paixão acerca desse bafafá me leva a pensar em outra conjectura: o show realmente "must go on" a qualquer custo?

Antes de descarregar sua metralhadora de respostas prontas, conte até 10 e pense no "depende". Vamos lá, se você faz parte dos milhões de fãs que querem ser reembolsados, porque não aceitam essa gambiarra com Mr. Ex-Cuequinha Vermelha, cuja voz está tão deteriorada, que mais parece o berro esgoelado de uma criança com laringite crônica depois de ter se engasgado com um caroço de manga, NÃO, o show deve parar imediatamente. Já se preferir juntar-se aos outros que acham que essa convergência cósmica de estrelas Axl-DC Roses Welcome To The Highway To Jungle Of Hell é um fenômeno de magnitude extraordinária, maior até que o da explosão de supernovas, e que tem de ser visto, pois jamais alguém terá tal oportunidade novamente, SIM, o show "must go on" de qualquer jeito.

Identificou-se com alguma das opções? Tirando os exageros, aposto que sim. De fato, é uma questão delicada. Portanto, deixemos de lado nossos lados, e fiquemos um pouco em cima do muro. Num acontecimento dessa natureza, com uma reverberação no globo inteiro, muita coisa está em jogo: a paixão dos músicos por sua arte, uma vida inteira dedicada à música, o tesão de executar seu trabalho numa estrutura monstruosa, ter suas composições adoradas por um imenso público apaixonado; preparação da turnê, o profissionalismo dos funcionários que agregam a família AC/DC, os empregos indiretos, os contratos firmados, o marketing envolvido, a dinheirama gasta, a expectativa generalizada, enfim... São tantas coisas envolvidas, que emitir uma opinião frívola pode ser injusto. Você tem todo o direito de não ir ao show e ser ressarcido, mas acho que crucificar a banda não vem ao caso. Vejo cada opinião superficial, que me dá vontade de voltar à época da lamparina. Geralmente, ou são aquelas pessoas que acham que gostam de Rock só por curtirem Guns, mesmo conhecendo somente a November Rain versão acústica editada para o rádio (fazendo uma pequena analogia ao futebol, é mesma coisa da pessoa que se diz fã de futebol, torce flamengo, e fica na expectativa de o Júnior Baiano entrar no segundo tempo). Ou são críticos sabichões viciados em suas vaidades, acostumados a descer o pau doa a quem doer. Sério, a opinião dessas pessoas não me computa.

Sintetizando, dizer que é mito ou lixo, Deus da Voz ou Pato Rouco é muito passional. A partir do momento em que um dos lados se abster, o outro não terá com quem competir, e a guerra chegará ao fim. O que importa é: se aos ouvidos alheios soa incrível, incomodar-se para quê? Se não gosta, não aperte o play. Deixe o povo ser feliz, seja com o Michael Kiske ou Andi Deris, Xuxa ou MC Melody, OK? Goste ou não, o mundo não para, e não parar para sentir raiva da predileção do amiguinho é um requisito primordial para não parar no tempo. O melhor do mundo no fim das contas é pessoal. Lembre-se de que você pode gostar ou não, mas saiba que o discernimento é avaliar algo com sensatez e clareza, o ódio só atrasa. Evolução é para os fracos que querem se tornar fortes. Ter bom senso é o segredo.
Longa vida ao Rock’n’Roll, que está idoso, e por isso merece mais respeito.
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