Indústria Fonográfica: as picaretagens das bandas mais velhas
Por Denner Maxwell
Postado em 30 de julho de 2015
Não é por acaso que estamos vivenciando a "maior era de reuniões" de bandas extintas nos últimos quinze anos: Os cheques das vendas de discos pararam de chegar para os astros, que tiveram que voltar aos palcos para ganhar dinheiro. É aquela "velha" conversa: O avanço descomunal na capacidade de compartilhar dados pela internet acabou engolindo qualquer esperança de que as grandes bandas e (principalmente) as gravadoras - que estavam acostumadas a "surrupiar" a maior fatia das vendas de discos -, voltassem a faturar como há 20 anos atrás.
Daí você tem o Toto, o A-ha, o Duran Duran, o The Who e diversos outros dinossauros reaparecendo sem razão aparente e anunciando shows muitas vezes mais caros do que quando estavam no auge. Ainda assim continua sendo um privilégio para quem nasceu nas últimas duas gerações e gosta de música mais antiga poder ter a oportunidade de ver ao vivo algumas lendas que talvez, sem a necessidade fazer o dinheiro voltar a circular, jamais voltassem a tocar. Compensa! Mas o mesmo não pode ser dito de um outro método que especialmente os empresários vem adotando para explorar os bolsos dos menos espertos: É aquela coisa asquerosa que ganhou forma e o nome de Meet & Greet.
O conceito é simples: O sujeito paga uma fortuna para ganhar do artista um "oi", um "flash" e pronto. Tchau!! É melhor dar um fora antes que os seguranças lhe deem um pé na bunda. Absurdo? Só quem paga por essa migalha!
Se gente como Ronnie James Dio e o próprio Michael Jackson eram reconhecidos pelo ilustre respeito que demonstravam ter pelos fãs - Dio estava acostumado a parar de esquina em esquina para assinar CDs, DVDs e tirar fotos, e o outro chegava ao ponto de abrir as portas da própria limusine para bater papo com alguns fãs mais sortudos -, agora há quem esteja interessado em fazer fortuna em cima dessa tarefa quase obrigatória. Já não basta a grana que pagamos nos materiais originais, nas versões especiais e nos shows que assistimos? Nós já os sustentamos, e não devíamos pagar mais justamente no momento em que ELES deveriam nos dizer 'muito obrigado'! Mas a julgar pela postura dos artistas que hoje estão ficando cada vez mais inacessíveis, não é difícil concluir que em alguns anos será quase impossível conseguir um autógrafo à moda antiga (numa praça, sem pagar) deixando como única alternativa o abu$o do tal Meet & Greet, que inclusive chega a ser mais caro que os próprios shows!
Agora, se você é um daqueles fanáticos que se importa até com o que seu ídolo comeu no café da manhã, acredite, vale muito mais apena correr atrás dele feito louco no meio da rua e tentar chegar o mais próximo possível. Até que os seguranças lhe deem um pé na bunda. É old school, mas sai de graça.
Outro golpe que está se repetindo com sucesso e com mais frequência nos últimos anos é o da "turnê de despedida". Os artistas/bandas anunciam o fim da carreira em uma "mega turnê", e depois de ganharem a maior grana voltam como se nada tivesse acontecido. Chega a ser ridículo arrastar uma série de shows sob ameaças de o fã nunca mais poder ver a banda, ao invés de excursionarem em cima de um bom disco.
James Hetfield chegou a comentar o seguinte sobre algumas dessas picaretagens: "O KISS já fez umas dez turnês após a Farewell Tour. O Scorpions anunciou o fim e continua na estrada. Não acho que isso seja justo com as pessoas. Não gostaria de ficar marcado na história por ter mudado de ideia no meio do caminho. Somos únicos e pretendemos terminar nossa história deste modo".
Vale lembrar que o METALLICA também não costuma cobrar pelos Meet & Greet. Ao invés disso, geralmente é feito um sorteio pelo fã clube da banda na cidade em que ela estiver, e os sortudos ganham os "passes" para ter acesso aos camarins.
O AC/DC é outra banda que dá exemplo. Quando estiveram no Brasil há seis anos, durante a turnê "Black Ice", os preços dos ingressos variavam entre R$ 150 e R$ 300, o que é MUITO compensatório se levado em conta toda a gigantesca estrutura que a banda trouxe para a apresentação. Mas casos assim estão ficando cada vez mais raros. Lembremos que bandas menos grandiosas - no sentido econômico, panaca! -, como o Megadeth cobraram até R$ 350, mesmo com uma estrutura pouco espalhafatosa e uma equipe infinitamente menor para pagar.
Até quando vão esses novos métodos de fazer dinheiro, e a que absurdo isso vai nos levar no futuro não muito distante, é um enigma que nem o mais esperto ser do Universo pode decifrar!
(E VOCÊ, o que vem achando desses novos métodos que os artistas vem bolando para ganhar uns tostões a mais? Pagaria pelo Meet & Greet? Acha desonesto essa de anunciar a despedida da carreira sem se despedir?).
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



"Acordo toda manhã e penso: 'Meu Deus, isso ainda continua'", diz Roger Glover
Dave Mustaine cita seus guitarristas preferidos de todos os tempos
A melhor época do U2, de acordo com o guitarrista The Edge
Os cinco maiores compositores de todos os tempos para Roger Waters
5 músicas de heavy metal que todo tiozão brasileiro se lembra com carinho
O hino clássico do Metallica que fala abertamente sobre vício em drogas
O hit de 1958 que Jimmy Page e Bob Dylan concordam ser obra-prima: "Fenomenal"
Guitarrista não se arrepende de ter recusado proposta de voltar ao Megadeth
Os guitarristas que para Angus Young fazem os melhores solos do rock com menos de três notas
Geezer Butler exalta "o melhor jogo da Copa do Mundo" até agora
A melhor música já escrita em todos os tempos, segundo Bob Dylan e Billy Joel
O pior disco do Iron Maiden, de acordo com o Ultimate Classic Rock (e não é "Virtual XI")
As 5 melhores músicas do Black Sabbath de todos os tempos, segundo Geezer Butler
Deep Purple lança "Splat!", seu disco mais pesado em muitos anos
As 25 melhores músicas do Iron Maiden, segundo a Metal Hammer


A música boa escondida no pior disco do Metallica, segundo a Louder
Dream Theater era uma mistura entre Metallica e Yes, segundo John Petrucci
As bandas de metal que Hetfield não compreende; "Como diabos conseguem lembrar das músicas?"
Os 11 maiores solos com pedal wah da história do rock e metal, segundo a Loudwire
As piores músicas do Metallica, segundo a Metal Hammer
Site coloca continuações de "The Unforgiven" entre as piores músicas do Metallica
A música de "Load" que não melhorou com o tempo, segundo o Ultimate Classic Rock
Lobão: a defesa do roqueiro solitário
Preconceito: dificuldades de ser roqueiro em cidade do interior


