Angra: O que esperar de "Secret Garden"?
Por Luiz Felipe Lima
Fonte: DELFOS
Postado em 02 de dezembro de 2014
Na semana passada, eu trouxe uma análise do último disco do Angra, o Aqua. Depois de defendê-lo e ter ouvido noticias a respeito de delfonautas fazendo pipi na minha foto, eu deveria desistir dessa tarefa ingrata de falar sobre CDs. Mas eu sou brasileiro, delfonauta. E não desisto nunca.
Matéria originalmente publicada no site DELFOS - delfos.jor.br
Dessa vez eu me proponho a ir mais além e não apenas falar de um disco qualquer, mas de um que nem sequer foi lançado. Isso mesmo, como você deve ter reparado pelo título - duh - hoje eu vou falar do Secret Garden. Secret Garden, para o delfonauta indie ali do fundo, é o novo disco do Angra, um dos maiores representantes do Metal Nacional. O problema é que nos últimos anos a banda não estava lá muito bem das pernas e muita gente, inclusive aqui do Oráculo, achou que a banda fosse acabar. Felizmente, isso não aconteceu e a banda continuou na ativa.
Depois de muitas histórias após a saída de Edu Falaschi (que incluíam um reality show para escolher o novo vocalista), a banda acabou optando pelo caminho mais fácil e seguro: arrumaram um empresário novo e chamaram um vocalista reconhecido. Esse vocalista, conhecido aqui no DELFOS como Fabio "arroz-de-festa" Lione, é italiano e é tão conhecido lá fora quanto o próprio Angra, então nada mais natural que a sua entrada na banda. Agora, findo esse momento inicial de reconhecimento do status atual da banda, passemos ao que interessa: o que esperar do Secret Garden?
NADA MAIS DE AGUDOS
A primeira coisa a ser pontuada é que muito provavelmente os agudos sumirão. Isso talvez seja meio óbvio pelo fato de que o Lione não alcança notas agudas tão facilmente quanto o Andre, mas o fato é que o Edu também não tinha essa facilidade e mesmo assim teve que cantar agudo quando esteve na banda.
Porém, o fato é que o Lione é um vocalista renomado e não precisa alçar o nome dele na cena Heavy Metal como o Edu, à época, precisou. Pensando assim, me parece claro que ele não se sujeitaria a fazer isso, uma vez que forçar a voz e correr o risco de ter problemas é um tiro no pé - e o próprio Angra tem um exemplo próximo disso.
Mas, ao mesmo tempo, eu aposto que teremos uma utilização bastante frequente de vocais de ópera. O Lione é barítono e canta ópera, e esse tipo de vocal foi o que gerou um dos momentos mais épicos de toda a história da banda. Refiro-me aqui, claro, à performance presente no DVD da banda de Stand Away.
Nos shows do Angra vemos a banda apostando nos vocais de ópera do Lione para entreter o público, como ocorreu no show do Rio de Janeiro resenhado aqui no DELFOS. E, como se não bastasse, havia vocais de ópera no pequeno trecho de Black Hearted Soul, música do novo disco, que foi tocado no programa de rádio Bem que se Kiss. Finalmente, a participação especial de Simone Simmons, do Epica, me parece outro bom indicativo de que teremos bastante ópera neste disco.
MAS E OS RITMOS BRASILEIROS?
Eu não me prenderia a eles. A banda chamou um vocalista europeu, produziu e gravou o disco na Europa, e trabalha temáticas europeias nos seus discos desde, pelo menos, o Temple of Shadows. Isso deixa bastante claro pra mim que a banda nunca mais fará nada com tantos ritmos brasileiros como no Holy Land, e que os ritmos brasileiros serão restritos a uma ou duas músicas, como ocorre desde o Rebirth.
Há também 99% de chance do CD ser conceitual, mas a julgar pelo fato de que conceitual não necessariamente significa contar uma história, não sei como será. Pode ser conceitual aos moldes do Temple of Shadows e do Aqua, em que de fato há uma história sendo contada, ou no estilo do Aurora Consurgens, em que o conceito está mais na criação de uma atmosfera do que propriamente em uma história com começo, meio e fim. Eu fico bastante dividido entre o que pensar, nesse caso, mas diria que esse disco penderá mais para o segundo tipo, e explicarei o porquê.
UM ANGRA MAIS PESADO E MENOS POWER METAL
Eu aposto todas as minhas fichas em uma reinvenção da banda neste novo disco. Não vai ter quase nada do que a banda era na época do Andre e muito pouco do que havia na época do Edu - nesse caso, creio que o que se manterá é basicamente a construção de um conceito no disco. Em termos de sonoridade, penso que a banda fará algo bastante diferente do que tem feito até agora.
A julgar pelo que as músicas novas mostraram, eu diria que Secret Garden será um disco bem mais pesado do que seus antecessores. Em certa medida, creio que será um disco tão pesado quanto o Aurora Consurgens o foi, uma vez que este, se comparado com o resto da discografia da banda, é com certeza o mais heavy.
Digo isso porque a banda se reinventou quando da entrada do Edu e mudou bastante o seu estilo. Com o Andre o Angra era uma coisa, com o Edu foi outra, então nada mais natural do que o Lione provocar uma terceira mudança. E, como o Power Metal anda em baixa por aí, me parece bem crível ver a banda criando um som mais palatável e distante do Metal Melódico normal.
E assim eu encerro as minhas conjecturas. O que você acha, delfonauta? A banda seguirá o mesmo estilo de antes? Se reinventará? Vai virar uma cópia de Rhapsody? Só teremos as respostas quando o disco sair. E enquanto ele não sai, fique com o single lançado pela banda e divirta-se especulando no nosso espaço de comentários.
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