Quebrando Tabus e Preconceitos
Por Carlos Alberto de Carvalho
Postado em 12 de março de 2005
Hoje em dia são muitos os meios de comunicação dedicados ao rock e heavy metal. E quase todos têm aquele espaço dedicado aos leitores e fãs, onde os mesmos 'soltam o verbo' sobre o que quiserem. E muitas das cartas ou e-mails destinados a essa seção têm como ênfase a crítica à outros estilos (ou vertentes) dentro do rock e do heavy metal.
Por exemplo, pegue qualquer uma de suas revistas de rock e vá até essa seção... Não será muito difícil de encontrar cartas com os dizeres "se venderam", "ultrapassados", "lixo", e tantas outras coisas... Também não será difícil encontrar críticas a bandas como Metallica, Sepultura, Pearl Jam e Nirvana, e com as vertentes, Black Metal, White Metal, Grunge, Punk, Hardcore, New Metal e etc...
Unificação da música e propagação do respeito! Essa deveria ser a ideologia de todo "roqueiro" (detesto essa palavra). Chega de ficar "metendo o pau" (desculpem a expressão) nas bandas, chega de ficar tentando achar um defeito no som, no visual, na ideologia, ou o que quer que seja, para pura e simplesmente causar mais baderna dentro da cena. Chega de dizer que bandas se venderam pra MTV, rádio, internet, ou ao raio que o parta! O que é se vender? Até mesmo muita gente que usa essa expressão ainda não consegue entender. Se vender seria fazer um som ao gosto da banda, para poder tocar no rádio? Se a banda mudou seu estilo, mas continua gostando do que faz, que mal há em ganhar mais dinheiro fazendo o que gosta? Ou vocês acham que música é só diversão? Quando você tem o chamado "paitrocínio" é legal ser underground, mas e depois? Você vai ter que ganhar dinheiro. Eles são profissionais. Dependem de dinheiro, como qualquer outro ser humano no mundo. Concordo que é chato quando uma de suas bandas favoritas muda de estilo, e a nova cara da banda não é lá muito ao seu gosto. Mas e quanto ao livre arbítrio da banda de fazer o que quiser? E quanto aos outros fãs que eles ganham? Bom para eles, e para a banda também. Está certo, também acho errado se a banda mudar para um estilo, do qual não gosta, só para satisfazer a gravadora e a mídia. Os músicos têm que fazer o que acharem melhor para sua carreira, e não para a carreira da gravadora. E quanto àquelas centenas de mensagens criticando e até mesmo xingando bandas que fazem parte do chamado "grunge", dizendo que eles não sabiam tocar e que acabaram com diversas bandas, digo e repito "Sou contra qualquer tipo de preconceito!", acho que deveríamos nos preocupar em acrescentar algo a mais dentro da música, seja ela qual for, seja o estilo que for. Xingar um estilo musical ou quem gosta dele, me desculpem, mas é assinar atestado de ignorância. Se não gosta, não gosta e pronto, não precisa ferrar com o trabalho de gente que gosta do estilo, gente que trabalha duro e merece um pouco mais de respeito. Isso acontece em quase todos os estilos, não é só no grunge (do qual não gosto, mas respeito quem gosta e quem faz). O mundo já está uma droga por causa da falta de respeito que um ser humano tem pela opinião do outro, pra quê causar mais intriga? Não leva a nada, só empobrece a cena, e dá ainda mais motivos para a mídia podre sujar ainda mais o nome do rock. Mostrem que vocês são inteligentes (porque realmente são) e acrescentem alguma coisa de útil dentro da música. Mostrem isso principalmente para aqueles que julgam o rock como música de marginal, drogado, bandido, e de rebeldes sem causa.
É maravilhoso ver bandas como Sepultura e Angra (só pra citar as mais influentes) misturarem ritmos brasileiros num som basicamente internacional. E o melhor de tudo é ver que essas bandas são ainda mais respeitadas lá fora por terem um estilo próprio, por não negar as origens e muito menos a cultura do seu país. Não é somente música brasileira que as bandas daqui 'injetam' em seu som, são de diversas partes do mundo. Mostrando que além de excelentes músicos, são também de uma criatividade e cultura musical enorme, pois conseguem misturar com rock coisas que de rock não têm nenhuma característica. E bandas de fora também misturam ritmos e cultura de seus países, fazendo com que o rock seja uma eterna metamorfose, sem perder sua essência. Merecem ser respeitadas por isso também, pois não são todas que se propõem a fazer uma junção de estilos totalmente distintos, e que muitas vezes são vistos como rivais, como é o caso aqui no Brasil do rock e do samba. Quem diria que um dos embaixadores do Brasil lá fora, Max Cavallera, misturaria samba com metal? São artistas assim, de personalidade, que merecem nosso respeito. E fãs que sabem entender a idéia e a respeitam, merecem ainda mais nosso respeito. Aerosmith e Run’DMC com Walk this way, e Anthrax e Public Enemy, são outros exemplos de bandas que misturaram estilos diferentes, no caso o hip hop, com rock. Outra banda que também fazia isso era o Faith no More, e que hoje é considerada uma das maiores influências à bandas de New Metal, como Linkin Park, Korn e Limp Bizkit. Vários outros artistas também eram e são adeptos do ‘crossover’ como, Freddie Mercury e Montserrat Caballe, Ian Gillan e Luciano Pavarotti, e tantos outros músicos e estilos que se misturam, sempre mantendo a qualidade musical em alta. Temos que lembrar que o rock surgiu do Blues, e que tudo isso descende da música clássica, que hoje em dia ainda é muito utilizada por bandas de rock, principalmente heavy metal.
Temos que nos unir para formar uma cena onde pelo menos não haja tanta hipocrisia e desrespeito, onde possamos viver e entender as diferenças alheias, pois é muito bom ser respeitado por aquilo que faz e pensa, e melhor ainda se for respeitado por alguém que não concorda com seu gosto. Como diria o mestre Frank Zappa, "Só há dois estilos de música, a boa e a ruim".Vençam e ultrapassem todo e qualquer tipo de preconceito. Respeite a opinião e o gosto dos outros, e faça com que os outros também respeitem seu gosto e opinião. Mostre que você não está aqui só para curtir seu som e pronto. Que você está aberto a novas culturas. Mostre que mesmo que não goste do que ouviu, você ainda respeita o trabalho realizado pelos outros, que gastaram seu tempo, dinheiro, e buscam um sonho, que pode não ser o seu, mas merece todo o respeito.
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