O Ano do Blues
Por Carlos Augusto de Oliveira
Postado em 20 de fevereiro de 2003
Salve, salve, blues fãs! Estou aqui assumindo esta coluna exatamente no ano que foi declarado o "Ano do Blues" lá nos Estados Unidos da América do Norte. Quem conseguiu esta proeza foi a Senadora Blanche Lincoln, do Arkansas, cuja foto oficial está por aí. Ela é advogada, foi eleita em 98 e tornou-se a mais jovem mulher a ser escolhida para o Senado norte-americano. É advogada e sempre defendeu os pequenos agricultores do Delta do Mississippi.
O "Ano do Blues" começou oficialmente no dia 1º de fevereiro, data em que, há exatos 100 anos, William Christopher Handy (cuja foto também está por aí) viu pela primeira vez um negro tocando um blues em seu violão com uma faca. W. C. Handy é chamado com algum exagero de "pai do blues" e é hoje em dia o nome do principal prêmio no mundo do blues.
E já que devezemquandamente nos encontraremos por aqui, vou me apresentar. Meu nome é Carlos Augusto de Oliveira, me chamam de Carlão graças a meus 190 cm. Sou musicômano, rockólatra e blues maníaco. E isso há muito tempo, desde minha distante adolescência. Sempre que me deixam, vou divulgando o blues pelas ondas de rádio de Curitiba. Já freqüentei as extintas Estação Primeira e Alternativa. Estou atualmente na Educativa FM. E acho que este tal de "Ano do Blues" pode significar o início do fim de uma grande injustiça, pode trazer alguma luz sobre o trabalho dos verdadeiros pais do rock. E, se tudo der certo, devolver aquele tal de Elvis Presley pro limbo de onde jamais deveria ter saído.
Voltemos ao "Ano do Blues". O primeiro evento aconteceu em Nova York, no início do mês, com um show do B. B. King produzido pelo Martin Scorsese. Durante o ano acontecerão exposições e palestras em escolas, as redes públicas de rádio e TV mostrarão séries que vão contar a história do blues. 7 (eu disse - sete) longas-metragens falando sobre o blues estrearão nas emissoras públicas de TV. Filmes dirigidos por talentos como o próprio Scorsese e mais Wim Wenders, Mike Figgis e Clint Eastwood. Será editado um livro de referência com material de arquivo pouco conhecido. Tudo isso tem como objetivo declarar o blues como "patrimônio cultural dos Estados Unidos". E eu espero que algumas destas coisas respinguem em nosso país tropical, que também produz blues de boa qualidade - mas este é assunto pra outras Colunas.
Mas, vamos voltar à Senadora Blanche Lincoln. Ela nasceu em Helena, Arkansas, cidade que fica às margens do Rio Mississippi, bem próximo de Clarksdale, que fica do outro lado do Rio, no Estado do Mississippi. Em Clarksdale nasceram, por exemplo: John Lee Hooker, Earl Hooker, Junior Parker, Sam Cooke, Ike Turner, Johnny B. Moore e Johnny "Big Moose" Walker. O dono de uma das plantações onde nasceu boa parte destes monstros sagrados foi entrevistado e quando perguntado se ele conhecia estas pessoas, respondeu: "nunca ouvimos essas pessoas cantarem. Nunca fomos o tipo de fazendeiros que convidavam essas pessoas a entrar e cantar nas festas".
Talvez o "Ano do Blues" ajude a mudar este tipo de mentalidade. Pena que vai ser muito difícil tirar da cabeça do Bushinho que este é o ano da guerra.
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