Rodox tenta evitar síndrome do 2º disco com estréia
Fonte: UOL Música
Postado em 02 de maio de 2003
SHIN OLIVA SUZUKI
Para evitar a famosa "síndrome do segundo disco" -quando grupos falham em conservar o sucesso anterior e, por vezes, acabam desaparecendo-, nada melhor do que... gravar um álbum de estréia propriamente dito.
É assim a "primeira" incursão do Rodox no estúdio como um sexteto, em que todos, embora vendo o ex-Raimundos Rodolfo como norte, têm voz ativa nas composições.
"É o primeiro do Rodox como banda, até por isso o nome que a gente deu para o álbum foi só 'Rodox'. É o segundo, mas é o primeiro do grupo. É uma parada meio estranha, mas fica legal assim mesmo", diz o cantor que, na entrevista, não é apenas norte, mas voz ativa dos seis.
O sucessor de "Estreito" -lançado no ano passado e que vendeu pouco mais de 40 mil cópias- foi gerido durante a turnê feita no ano passado, em que a banda pôde ganhar entrosamento e trabalhar seu hardcore de toques eletrônicos para dar início às sessões de gravação.
Foram apenas 17 dias de estúdio, o que, para Rodolfo, suficientes para evidenciar um "upgrade" instrumental em relação ao álbum anterior: "O Fernandão [Fernando Schaefer, baterista, ex-Korzus] tocou no primeiro CD, mas quem fez as linhas de baixo e guitarra fui eu. E sou muito limitado como baixista e guitarrista".
Com intuito de reparar essa "deficiência", entraram o ex-Los Hermanos Patrick Laplan (baixo), o ex-roadie do Raimundos Marcus Ardanuy (guitarra) e o guitarrista Pedro Nogueira. A formação se completa com Bob (programação), que está desde o estágio embrionário do grupo.
Assim, Rodolfo tenta dar forma à sua carreira pós-Raimundos, ainda que volta e meia seja atormentado por "viúvas" da áurea fase dos brasilienses. Na internet há mais de um ano, uma página anti-Rodox (www.euodeiorodox.hpg.com.br) trata o vocalista como "aquele fdp, [que] depois de ganhar dinheiro em cima dos Raimundos agora está criticando a banda".
Outros preferem escancarar seu descontentamento (quase) cara a cara, aproximando-se do palco nos shows do Rodox para gritar um "toca 'Puteiro em João Pessoa'". "Um ou outro falava, mas acabava oprimido pelo resto da galera e ficava com cara de bobo. Isso é besteira. É como chamarem o Jairzinho de traidor porque ele saiu do Balão Mágico."
Rodolfo também não manifesta curiosidade pelo que os Raimundos andam fazendo. Nem ao menos conferiu o mais recente "Kavookavala": "Prefiro ouvir a Cassiane [cantora evangélica]".
O tema de sua conversão religiosa, ao contrário do que poderia se pensar, (ainda) não incomoda o cantor. "Eu vou quase toda semana à igreja [Sara Nossa Terra], eles me convidam para dar meu testemunho, e eu conto a minha história desde o começo", diz.
Também não há problemas em conviver com os companheiros "seculares" do Rodox, que não abdicam da cerveja. "Todo mundo aqui é bem tranquilo. Mas eu não sou pai de ninguém, velho. Eu cuido da minha vida."
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