Dave Mustaine mostra seu novo Megadeth em São Paulo
Fonte: Terra Música
Postado em 12 de outubro de 2005
O guitarrista e vocalista Dave Mustaine exibiu seu "novo" Megadeth nesta terça-feira à noite, em São Paulo, num show com duas horas de duração e pista lotada no Credicard Hall. O festival teve início com a apresentação da banda finlandesa Apocalyptica, que ganhou visibilidade ao interpretar em violoncelos covers de clássicos do heavy metal.
O show dos músicos finlandeses serviu como um mero aquecimento para o público, que lotou a casa de espetáculos paulistana com o claro propósito de rever Dave Mustaine no palco.
Enquanto a atração de fundo não começava, Eicca Toppinen, Paavo Lotjonen e Perttu Kivilaakso interpretaram nos cellos sucessos que ajudaram a construir a reputação do Apocalyptica, como os covers de Master of Puppets, Seek and Destroy, Enter Sandman (Metallica) e Refuse/Resist (Sepultura).
Após cerca de 40 minutos, os finlandeses agitaram seus violoncelos como se fossem guitarras e deram adeus ao público paulistano com um ritual de "exorcismo" no palco. Mesmo assim, o comentário geral dos metaleiros presentes não foi muito favorável ao show do Apocalyptica.
Às 23h, pontualmente, Dave Mustaine deu início ao primeiro show do Megadeth em São Paulo em sete anos - a última apresentação da banda na cidade ocorrera em 1998, no já extinto festival Monsters of Rock.
Muita coisa aconteceu com o Megadeth entre 1998 e os dias atuais. A banda passou por três grandes reformulações em seu line-up, trocou de gravadora e lançou sete álbuns - sendo três inéditos, duas coletâneas e dois registros ao vivo. Mas a mudança principal se passou com Dave Mustaine, fundador e eterno líder do Megadeth.
Em janeiro de 2002, pouco depois do lançamento do mal-sucedido álbum The World Needs a Hero, Mustaine sofreu uma lesão nervosa que limitou seus movimentos na mão e no braço direitos, impedindo-o de tocar guitarra. Por causa da doença, Mustaine acabou com o Megadeth e desapareceu da mídia, dedicando-se a um delicado tratamento terapêutico. Ainda como conseqüência do problema de saúde, ele virou um cristão praticante e passou a defender idéias políticas mais conservadoras.
Mustaine melhorou, reativou o Megadeth - com uma formação totalmente diferente - e voltou à estrada. E foi esta "nova" banda, com Glen Drover (guitarra), James MacDonough (baixo) e Shawn Drover (bateria), que ele se exibiu em São Paulo nesta terça-feira à noite.
Dave Mustaine comandou um show de fôlego. O set list começou com Blackmail the Universe, música de trabalho do novo álbum, The System Has Failed, e passou por clássicos como Wake Up Dead e In My Darkest Hours.
Após tocar seis músicas em seqüência, quase emendadas, Mustaine parou para conversar com o público. "Quem bom que vocês vieram para esta noite. Faz muito tempo desde a última vez em que estivemos aqui. Vamos tentar tocar o máximo possível para vocês", prometeu o líder do Megadeth.
E o desfile de hits da banda continuou pelos 90 minutos restantes, com clássicos do calibre de Angry Again, Hangar 18, Return to Hangar, Tornado of Souls e À Toute le Monde - com seu refrão cantado em coro pelo público.
Já perto de 1h desta quarta, Mustaine agradeceu novamente a presença do público e anunciou a última canção, Holy Wars... The Punishment Due, apresentada por ele com a seguinte introdução: "Esta música é sobre o que acontece quando você mistura política e religião."
Foi o fecho que o público mais esperava para um show que demorou sete anos para voltar ao Brasil. "Cuidem-se, pois queremos ver vocês aqui novamente", recomendou Mustaine ao despedir-se do público.
Redação Terra
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