Eddie Vedder diz que quer terminar novo CD no Brasil
Fonte: Planeta Terra
Postado em 11 de novembro de 2005
Ricardo Pieralini
Depois de 15 anos de espera, o Pearl Jam desembarca no Brasil neste mês para uma temporada de cinco shows em Porto Alegre, Curitiba, São Paulo e Rio de Janeiro. Tempo demais para os fãs da banda. E até para o vocalista Eddie Vedder, que na tarde de terça-feira deu uma entrevista exclusiva ao Terra, direto de Seattle. "Não há uma boa resposta (para a demora), a não ser um pedido de desculpas", disse o músico, por telefone.
Na conversa, Eddie também revelou que pretende terminar o trabalho de criação para o novo disco da banda no Brasil. Durante quase 30 minutos, ele respondeu perguntas enviadas pelos internautas do Terra e disse que escolherá as músicas dos shows pouco antes das apresentações começarem.
Além de abordar questões musicais, o líder do Pearl Jam fez críticas ao governo de George W. Bush e se mostrou um novato quando o assunto é internet. "Ainda uso máquina de escrever", disse. Abaixo, a íntegra da entrevista.
Terra - O que você espera da turnê brasileira, tanto dos shows quanto do contato com as pessoas?
Eddie Vedder - Sou apenas um ser humano aqui de Seattle. Tentarei ir com a mente aberta para o que vier. Nunca estivemos aí, então não sei direito o que esperar.
Eddie Vedder fala sobre a vinda ao Brasil
Terra - Será uma turnê diferente das outras do Pearl Jam?
Eddie - Só pelo fato de nunca termos estado aí será diferente. Na verdade, tratamos todos os shows como algo diferente. Esse deve ser bastante. E aí está a dificuldade. Não será um trabalho fácil, mas daremos o máximo para deixar a platéia satisfeita.
Terra - Você tem informação sobre os fãs brasileiros?
Eddie - Recebemos uma lista gigantesca de assinaturas pedindo para tocarmos aí. Desde então, planejamos a viagem. Mas às vezes o tempo passa rápido demais. Finalmente chegou a hora.
Terra - Os fãs de São Paulo fizeram uma grande manifestação algumas semanas atrás, pois o estádio do Pacaembu não havia sido liberado para os shows e existia o risco de a turnê não passar pela cidade. O que você pensa dessa devoção dos fãs pelo Pearl Jam?
Eddie - Eu estive aí antes (em 1997) com os Ramones (ele veio com a equipe da banda punk, para fazer algumas filmagens) e vi o fanatismo por eles. Mas sei que a banda merecia, tocava aí sempre. Os brasileiros são provavelmente os maiores fãs de Ramones no mundo. Nós ainda precisamos merecer isso.
Vocalista comenta a paixão dos fãs
Terra - Você se sente orgulhoso com essa receptividade?
Eddie - Acho que é um fenômeno. Estamos honrados, com certeza. É interessante ver que grandes grupos se interessam pelo que fazemos. Sempre pensamos em cada pessoa como um indivíduo.
Terra - Algumas vezes os fãs parecem agir como se você fosse um Deus. Por que isso ocorre?
Eddie - Nada vai mudar o fato de eu ser humano. Sou um cara que não consegue dormir à noite. Que está contrariado com o governo. Quando eu era garoto, ouvia a voz do Pete Townshend (vocalista do The Who) e ele parecia muito distante de mim. Parecia que ele era de outro planeta. Então, eu entendo o sentimento. E lembro de quando vi o Pete no palco pela primeira vez. Estava tão excitado pela música quanto pelo fato de ele estar ali, na minha frente. Eu quase não acreditava. Eu entendo o sentimento de estar no mesmo lugar de alguém que te influencia. Ele me ajudou a sobreviver e me deu esperanças.
Terra - Você citou que esteve aqui com os Ramomes. Desde então, já foi "visto" várias vezes no Brasil - em uma praia ou caminhando em um parque de São Paulo, por exemplo. Você realmente voltou outras vezes?
Eddie - Minha única fez aí foi com os Ramones. E fiquei a maior parte do tempo no hotel. Quase não saí. Lembro de estar na piscina com o Joe. Essa história é mentirosa.
Terra - Vocês já têm uma definição das músicas que tocarão nos shows do Brasil?
Eddie - Tudo vai acontecer no dia. Depende do que estiver rolando no mundo e conosco. Provavelmente vou olhar a platéia quando o Mudhoney tocar e pensar no que fazer. Vamos preparar o melhor menu que pudermos.
Eddie Vedder diz como escolherá as músicas dos shows
Terra - Os internautas mandaram milhares de perguntas para você esta semana. E a primeira da lista foi: por que vocês demoraram tanto para vir?
Eddie - A vida está se movendo rápido como nunca. Não podemos negar que nunca estivemos aí. E imagino que, se tudo correr bem, voltaremos depois. Mas não há um motivo real. Algumas vezes adiamos por causa da falta de tempo, em outras por motivos financeiros ou por causa da agenda lotada. Não há uma boa resposta, a não ser um pedido de desculpas.
Vocalista pede desculpas aos fãs brasileiros
Terra - Durante a turnê no Brasil vocês terão dois dias de folga. A banda planeja conhecer algum lugar?
Eddie - Estaremos nos preparando para os shows ou nos recuperando. E estou muito focado em escrever músicas, isso mantém minha mente sã. Acho difícil.
Terra - O presidente americano, George W. Bush, esteve no Brasil na semana passada e houve manifestações contrárias a ele em várias cidades. O que você pensa das ações que ele tem tomado como governante?
Eddie - Acho que ele tem um trabalho difícil. Tem de cuidar de um país, uma superpotência. Ele é o líder e exerce muita influência no resto do mundo. Mas, ao mesmo tempo, acho que desde que ele entrou, o trabalho tem sido ganhar dinheiro para grandes corporações multinacionais. Se todo o processo fosse direcionado para coisas positivas, como cuidar do meio ambiente ou trabalhar para o processo de paz, aí estaríamos focando um mundo melhor. Eles estão fazendo algo, mas não com a melhor escolha. As fontes naturais do planeta são o ponto principal. Elas causam preocupação, mas ninguém parece se dar conta disso. É como se você tivesse um motorista bêbado e poderoso no volante. E seus filhos estivessem no banco de trás.
Governo Bush é analisado por Eddie Vedder
Terra - Você já ouviu falar do presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva?
Eddie - Acho que ele tenta ter uma relação com Bush, porque eles precisam ser amigos.
Terra - Sobre a internet, como você acha que ela mudou a música nos últimos 10 anos?
Eddie - Eu ainda uso máquina de escrever. Não uso computadores nem para a música nem para escrever.
A internet é comentada pelo músico do Pearl Jam
Terra - Isso por que você não gosta mesmo?
Eddie - Eu sei como arrumar uma máquina de escrever, mas não um computador. Se alguma coisa quebra no meio da noite, não preciso chamar ninguém. Não gosto de trabalhar em uma máquina em que eu não saiba mexer. Sou como um mecânico que não sabe cuidar dos carros novos e fica com os antigos. Acho que a internet, como uma ferramenta de informação, é realmente positiva. Mas há os dois lados, como todas as invenções. Depende do modo como se usa.
Terra - Como estão os trabalhos para um novo disco? Há previsão de lançamento?
Eddie - Tem sido um disco difícil. Mas, às vezes, quanto mais duro é o trabalho, mais valioso ele fica. É muito agressivo, especialmente se ouvido bem alto. Ainda não está pronto e espero terminar as canções quando estiver aí. Estou levando minha máquina de escrever. Devemos encerrar as músicas em janeiro e lançar o CD em abril.
Novo disco pode ser finalizado no Brasil, diz Eddie
Terra - Vocês pretendem tocar algo novo no Brasil?
Eddie - Não sei se tocaremos. Talvez a gente espere até o disco ficar pronto. Vamos decidir quando estivermos aí.
Terra - O novo CD já tem nome?
Eddie - Não há título ainda. Eu pensei em um nome... O Soundgarden tem um disco chamado Superunknown e estava pensando em usar "unown", que significa não pertencer ("not own") a ninguém. Nós somos "unowned". Então o título será Superunowned (risos).
Redação Terra
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