Artery Music Fest: comentários sobre o festival
Por Erick Tedesco (Liberation Records)
Postado em 14 de fevereiro de 2007
(Press-Release)
Domingo nublado e um friozinho gradativamente tomando conta dos ares da capital paulista, cidade que no mesmo dia fora palco do clássico futebolístico Corinthians x São Paulo. No futebol, um dia de alegrias para são paulinos e tristeza para corinthianos, mas no Hangar 110 todo o público teve razões para deixar o local satisfeito devido a mais uma memorável apresentação de uma banda estrangeira que veio, tocou e agradou: o sexteto estadunidense Bleeding Through.
O Artery Music Fest apresentou ano passado a também banda estadunidense Hopesfall e até hoje o show é muito comentado. Desta vez em sua segunda edição, o evento apostou no Bleeding Through, um dos principais nomes da cena metalcore da atualidade. Desde 2005 quando lançaram o terceiro álbum, The Truth, até hoje, a banda realizou várias turnês, inclusive o Ozzfest.
Quatro bandas nacionais foram escaladas para inaugurar o evento. Até poderia questionar a funcionalidade de tantas bandas, porém trata-se de quatro bandas de sonoridades distintas e todas com novidades preparadas exatamente para o Artery Music.
A primeira banda foi os paulistanos do Leroy. Após um certo tempo afastados dos palcos devido a troca de integrantes, compondo e gravando o primeiro álbum, este show serviu para anunciar que o CD está pronto (via One Voice Records) e retomar atividades na cena. A banda amadureceu, as letras são inteligentes e politizadas. Finalizaram com cover do Nirvana versão grind/hardcore.
O Fim do Silêncio entrou logo em seguida e com um segundo vocalista, Leandro (ex-Desigualdad), que mostrou-se muito bom em seu ofício e encorpou o hardcore pesado da banda. O cara vai do gutural ao vocal limpo muito bem. Show furioso que agitou bastante o público presente.
Quase que o Children of Gaia não chega a tempo para sua apresentação. Devido a problemas na estrada, eles chegaram exatamente no momento que deveriam se preparar para o show, além de breves falhas no microfone do Gil no começo. Adversidades aparte, mostraram que estão a um passo a frente das demais bandas do Brasil. Estupendo! As novas músicas são pesadas, mais metal do que hardcore.
Talvez os caras do Are You God? gostem da qualificação "show esquizofrênico". Não entendi a reação do público, talvez porque ficaram atentos para entendê-los. E qual é a da banda? Grindcore sarcástico muitíssimo inteligente e de qualidade. Instrumental pesado, rápido e experimental. Vocal insano urrado, gritado, esgoelado. A performance do vocalista é um show à parte, ótima e engraçada (e muito irônica).
Enfim era hora do Bleeding Through e o Hangar 110 estava praticamente lotado para assisti-los. E a banda é surpreendente ao vivo, com muito peso, muita energia devido ao ânimo dos integrantes no palco, além de muito suporte técnico. O set teve base nas músicas do The Truth, lançado no Brasil via Liberation Records, e foram as músicas legais do show. Trata-se de uma banda que sabe interagir, sabe conduzir legal um show, que no caso de Domingo durou em torno de 1 hora. Valeu por ser um show diferente, uma banda de hardcore metal com teclados e que tocou para o público brasileiro no auge da carreira. No fim do concerto uma surpresa, uma agradável surpresa: cover de "Mother", clássico absoluto de Danzig. E que venha o Heaven Shall Burn em Março!
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