"Eu sei mais agora", diz James Hetfield, vocalista do Metallica
Por Douglas Morita
Fonte: Metallica Remains
Postado em 01 de setembro de 2008
O NYTimes publicou ontem um artigo sobre o METALLICA. Abaixo, podem ser conferidos os principais trechos que falam sobre o novo álbum da banda, "Death Magnetic":
Depois de alguns verões de turnê, haviam 60 horas de riffs gravados para escolher. Todos os membros compartilharam os créditos de composição de cada música. "Foi bem colaborativo", disse Trujilo. "Ninguém foi egoísta. Foi como ir à melhor escola de música que você pode imaginar".
Os riffs foram fundidos em músicas, compostas pelo todo conhecimento da banda (Hammett disse que ele pensou nisso como "recuperar a posse" do antigo vocabulário do METALLICA). Elas tem velocidade de thrash e solos de guitarra de novo, tanto no antigo estilo modal de Hammett quanto no seu novo som de blues com pedal de wah-wah. O METALLICA mais recente não foi completamente apagado: peças menos rápidas aparecem aqui e alí como conectores de seções.
As composições são formidáveis e complexas, com mudanças de tempo nos ritmos, guitarras gêmeas e solos harmonizados e algumas melodias que lembram o álbum preto. Na "The Day That Never Comes", "All Nightmare Long", "My Apocalypse" e outras você pode pensar que a música chegou ao climax ou ao final e então, uau: uma nova porta se abre, uma nova torre começa a surgir.
O Hetfield gosta das ficções de terror de H. P. Lovercraft que Cliff Burton costumava compartilhar com a banda. E ele pegou o desafio do passado ao cantar mais agudo: Rubin pediu que a banda tocasse na afinação padrão, ao invés das guitarras meio tom abaixo, como tem acontecido desde 1992.
Hammett se preparou bastante para seus solos, passando meses emprestando idéias de guitarristas de rock e jazz como Pat Martino, Sonny Sharrock, Michael Schenker, Eddie Van Halen e Jimi Hendrix. Então no estúdio ele tocou mais rápido que o usual. (Ele relembra que seus solos no "Death Magnetic" são 3/4 improvisados.) "Como a maioria dos músicos, eu sou um pouco inseguro com meu modo de tocar", disse ele. "Então eu ouvia o playback e dizia, 'como eu fiz isso e o que eu fiz?'".
Em "Some Kind of Monster", Hetfield acabava de retornar da reabilitação, havia preocupações se ele só escreveria sobre músicas de recuperação. Ele escreveu algumas aqui: "Broken, Beat & Scarred", por exemplo, com sua chamada para "mostrar suas cicatrizes" ("show your scars"). Mas na maior parte do resto do álbum, o tema da morte está de volta, livre de pensamentos positivos.
Antes do show de Bucareste, eu perguntei a Hetfield se não foi difícil voltar à pessoa que ele costumava ser, tendo se recuperado recentemente.
"Sim", disse ele. "Eu diria que aquela era uma pessoa diferente. Eu sei mais agora. Neste disco, eu precisava tomar as rédeas de novo, e ser pesado e ter medo de mim de novo. Eu não preciso ter medo da raiva. Eu acho que é muito mais fácil de atingir isso agora. Eu sei o quão longe eu quero ir com isso, e eu fui longe e ainda estou bem. Eu tive essa dualidade a minha vida inteira. Há a pessoa que eu escondo e a pessoa que eu mostro".
Ele continuou e ergueu seus braços. "Eu sou o animador por aí!" ele berrou. "Eu sou o mestre do palco!". Ele então se encolheu. "E quando isso termina, eu preciso ir e sentar sozinho", disse ele. "Então eu sou ambos. É este ou aquele que eu quero ser? Provavelmente nenhum", riu. "Mas viver no meio parece muito apático".
Nós queremos que o METALLICA seja um pouco ingênuo: rebeldes, loucos e fascinados pela fantasia da violência, lutando contra suas limitações. "Death Magnetic", por outro lado, é conhecimento. Mas não é presunçoso.
O álbum aposta no fato que estes músicos amadureceram e podem provar através da música que isso é mais complicado do que aquilo que eles estavam acostumados, mas ainda é deles. Nesse antigo estilo cavalgado e barroco, eles soam como se estivessem se ampliando e não se limitando.
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