Reznor: "Gene é um velho maquiado que entretem crianças!"
Por Diego Camara
Fonte: Inquirer
Postado em 15 de julho de 2009
O site filipino Inquirer.net recentemente conduziu uma entrevista com o frontman do NINE INCH NAILS, Trent Reznor. Diversos trechos da conversa estão disponíveis abaixo.
Você está dando uma pausa no NIN depois da turnê "Wave Goodbye", mas você continuará fazendo música. Isso acontece porque o NIN se tornou uma espécie de camisa-de-força para você, sendo que essencialmente você é o NIN?
Reznor: "Não, sei o que você está tentando dizer. O que eu especificamente disse, ou quis dizer, é que o NIN enquanto banda ao vivo para turnês, que está na estrada por todo este tempo, está parando. Eu cheguei no ponto... onde isso invadiu todos os outros aspectos de minha vida. Eu também penso que criativamente o meu tempo seria melhor gasto em outros trabalhos que poderiam ser no NIN ou fora dele. Alguns deles podem ser colaborativos. Eu tenho vários projetos que não estão relacionados musicalmente, que eu coloquei fora de prioridade por tanto tempo..."
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Muito foi dito sobre o álbum "The Downward Spiral" e como sua vida foi agitada naquela época. Mas agora, como você mantem a paixão de cantar as músicas daquele disco, quando as coisas são diferentes?
Reznor: "Bem apontado... Eu posso não ser o mesmo cara que eu era, mas por cinco minutos naquela música, e provavelmente uma hora depois, ele retorna. Não é como passar pelas ações ou atuar, você se torna - eu ainda sou controlado pelas mesmas coisas que me levaram à escrever [o disco] naquela época... Eu o escrevi como uma forma de sair do meu sistema, como uma terapia, e em seguida fomos para a turnê e eu me virei para o lado das drogas e do álcool, e as músicas derramaram e se tornaram em mim... Agora, quando estou fora do palco, eu não sou o mesmo cara do palco mas sou dirigido para o mesmo lugar. Eu nunca gostaria de ser Gene Simmons [do KISS], um cara velho que bota maquiagem para entreter as crianças, como um palhaço indo para o trabalho... Na minha paranoia, eu temia que se eu não parasse com isso, eu me tornaria ele. Pois é legal receber um salário, e agora a única maneira de receber um salário é tocando ao vivo, então todas essas coisas giraram em torno da minha cabeça".
Você tem sido bastante atuante sobre o estado da indústria fonográfica e como as gravadoras estão sendo gananciosas no negócio como um todo. Como você acha que isso pode ser melhorado?
Reznor: "É um negócio que tem esse tipo de máfia... Eles tem sistematicamente se aproveitado de artistas no decorrer dos anos, desde os BEATLES para frente. Vocês [os artistas] fazem todo o trabalho, eles emprestam o seu dinheiro para fazer os discos, então pegam de volta e são donos de tudo. Ver esse sistema desmoronar é uma coisa excitante. Não há uma resposta clara da coisa certa a se fazer agora, e como um músico você está de frente a um cenário bastante difícil: muitos jovens acham ok roubar música, e fazem isso livremente... a boa notícia é que as pessoas estão excitadas e interessadas em música...
Como um artista, é seu trabalho capitalizar nisso. Quer dizer, geralmente engolir uma pílula amarga e dizer: 'Ei, pessoas não querem comprar música, então deixe-me dar isso para vocês. Eu acharei outra maneira de fazer dinheiro, mas quero você do meu lado e ouvindo minha música. Então vamos deixar para lá esse jardim murado de ter de pagar para ouvir, aqui está, dê isso para seus amigos. Ei, tente ir para o nosso show se puder, ou compre essa camiseta se você quiser, e isso irá nos ajudar. Ou, aqui está uma versão legal do nosso álbum que nós colocamos em uma embalagem legal por um preço premium e nós estamos apenas vendendo alguns milhares delas'.
Aí estão maneiras de você monetizar o seu negócio, mas a maneira tradicional de ir para uma loja de discos e ter de pagar por isso, esses dias estão terminados. Nos EUA, não sobrou nenhuma loja de discos. O único lugar... é como uma Best Buy, onde você vai comprar uma máquina de lavar e tem aquela pequena prateleira de DVDs e CDs. Penso que agora mesmo estamos entre modelos de negócios [diferentes]...
Estou tentando tudo o que posso para contribuir quando vier o próximo modelo, não importa qual seja, se for por subscrição ou o que seja, onde o artista estará representado de uma forma mais igualitária e vai ter uma voz e será compensado, e você não estará pagando milhões para presidentes de gravadoras... Eles estão nos seus últimos momentos de morte, e eu estou feliz de ver eles indo, pois eles são todos ladrões e mentirosos".
Leia mais no Inquirer.net, no endereço abaixo.
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