Alice Cooper: o humor de Rob Zombie e o absurdo de Zappa
Por Eduardo Alves
Fonte: Aquarian Weekly
Postado em 01 de outubro de 2009
James Campion do The Aquarian Weekly recentemente realizou uma entrevista com o lendário Alice Cooper. Alguns trechos da conversa podem ser conferidos abaixo.
The Aquarian Weekly: Você já relacionou sua linhagem com a de "O Vagabundo" de Charlie Chaplin na cultura pop americana? Quando você pensa sobre a imagem de Chaplin hoje, retratada em pôsteres ou estátuas, é sempre O Vagabundo. Além disso, em termos de tempo; como Chaplin criou este personagem vagabundo, que ridicularizava os excessos dos Roaring Twenties (N.T.: período da década de vinte, principalmente nos EUA, quando houve um grande dinamismo cultural e social), a forma como Alice certamente ridicularizava os excessos do Me Decade (N.T.: período da década de setenta, quando o individualismo prevaleceu), como vilão e vítima.
Cooper: "Ah, sim, Alice com certeza foi criado como um personagem americano, e acho que ele começou como vítima, porque eu era uma vítima. Eu era um alcoólatra na época, mas nunca admiti. Quando inventei Alice acho que foi de uma maneira subconsciente. Alice sempre era pisoteado, sempre era assassinado. A imprensa nunca foi muito favorável a ele. Por muito tempo havia um Alice Zé Ninguém isolado nos cantos, então eu meio que o criei para ser aquele garoto chorão. Mais tarde, quando me curei do alcoolismo, criei um Alice para ser Hannibal Lecter, e de repente uma nova postura surgiu. Então acho que há duas encarnações do Alice. Mas sim, não vejo o porque de daqui as uns cem anos alguém não fazer o papel de Alice, como alguém fazendo o papel do Capitão Gancho".
The Aquarian Weekly: É interessante ouvi-lo se referindo a Alice na terceira pessoa e isso passa uma ideia de que você pode ser possuído por qualquer Alice que quiser por um curto período para fazer certos comentários e ironias sociais.
Cooper: "Alice foi um personagem necessário porque você não poderia ter um drama rock and roll sem um vilão. Quero dizer, precisa haver heróis, vilões e vítimas, e Alice precisava ser um vilão visual. Não havia um vilão personificado no rock and roll, então disse, 'Bom, ficarei feliz em ser um!'. E a melhor coisa sobre ser um vilão é que o vilão geralmente tem um excelente senso de humor".
The Aquarian Weekly: Isso me leva a muitos dos seus imitadores ao longo dos anos. Parece-me que eles sempre falharam em representar o senso de humor, ironia e sátira que o Alice criava. Marilyn Manson, por exemplo, sempre me pareceu uma figura rebelde muito séria, mas sem aquele sarcasmo que leva mais ao entretenimento do que ao protesto.
Cooper: "Sim, sempre fico esperando a punchline (N.T.: frase final de uma piada, o clímax) (risos). Bom, alguém com um bom senso de humor é Rob Zombie. Rob é um estúdio de tatuagem que veio a vida. As coisas dele são tão animadas. Ele tem o mesmo respeito e reverência a Bela Lugosi [NE: o mais famoso e clássico intérprete de Drácula] como ao The Munsters [NE: no Brasil, o seriado cômico "Os Monstros" de Herman Monstro e sua família]; o assustador e absurdo. Ele é como um irmão. Nós temos exatamente o mesmo senso de humor. Frank Zappa era assim. Zappa tinha um real senso do absurdo, pelas razões certas. Ele entendia o absurdo, o que não podia ser explicado. Você olha para aquilo e é puramente absurdo simplesmente por ser absurdo".
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