Jim McCarty: por que ele não foi o baterista do Zeppelin?

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Por Otávio Fernandes, Fonte: Examiner, Tradução
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Matéria de 17/05/11. Quer matérias recentes sobre Rock e Heavy Metal?

Jim McCarty, baterista e membro fundador dos YARDBIRDS e RENAISSANCE, concedeu entrevista ao jornalista Ray Shasho, do site Examiner.

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Confira alguns trechos da conversa:

Primeiramente, acho que os YARDBIRDS faziam parte de uma categoria própria e estavam definitivamente à frente de seu tempo. A banda tinha uma imagem bad boy, como os ANIMALS e os STONES. E não era nada mal ter três dos maiores guitarristas do mundo dentro da banda.

JIM MCCARTY: Uma coisa engraçada a respeito desses três guitarristas, que hoje são estrelas mundiais, é que eles nasceram num raio de 20 ou 30 milhas de distância uns dos outros. Isso não é estranho? Todos eles tocaram na mesma banda e se tornaram mundialmente conhecidos.

O guitarrista original Anthony “Top” Topham saiu da banda e Eric Clapton entrou em 1963. Você já conhecia o Clapton antes?

JIM MCCARTY: Não. Chris Deja e Keith Relf o conheciam por causa da faculdade de artes que eles freqüentavam em Kingston. Não sei muito bem como eles se conheceram. Eu não o conhecia até ele vir para a audição.

Eric Clapton deixou a banda depois de mais ou menos um ano. Foi Clapton que recomendou Jimmy Page?

JIM MCCARTY: Não tenho certeza se foi Clapton que recomendou Page ou se foi nosso primeiro empresário, Giorgio Gomelsky. Você já ouviu falar de nosso empresário russo maluco? Os americanos costumavam pensar que ele era Fidel Castro. Ele tinha esse tipo de imagem. Usava barba e tinha um sotaque russo. Mas ele conhecia Jimmy Page. E Jimmy costumava aparecer em nossos shows. Claro que ele estava tocando em todas as sessões nos estúdios de Londres, então ele não estava muito interessado em se juntar a nós naquela época. Ele estava indo muito bem como músico de estúdio e não queria colocar o pé na estrada. Jimmy era realmente um prodígio.

Jeff Beck foi uma indicação de Jimmy Page?

JIM MCCARTY: Jeff Beck foi recomendado por Jimmy. Ele costumava tocar em algumas sessões com Jimmy. Eles eram velhos amigos. E era como Clapton. Podia tocar todo o lance do blues e também podia tocar qualquer outra coisa muito bem. Tinha uma variedade muito ampla de estilos. Ele realmente decolou nesses últimos dois anos. Ele trocou de empresário há dois anos. Bem, o empresário deve ter dito que a única maneira de ter sucesso hoje em dia é tocar o tempo todo. Ele parece que está tocando direto. Nós fizemos uma faixa do nosso álbum de 2003 na casa dele. A faixa “My Blind Life” (do álbum “Yardbirds Birdland), nós tocamos e gravamos na casa dele. Ficamos por lá, tinha alguma comida e bebida, meio num clima de festa. Foi divertido.

Você acha que a fase com Jeff Beck foi a época de maior sucesso dos YARDBIRDS?

JIM MCCARTY: Eu acho que a melhor formação foi na época em ele estava no grupo. E é claro que ele estava com a banda durante os primeiros grandes hits. A banda trabalhava muito bem em conjunto. Nós colocavámos nossas idéias na mesa e aquela sonoridade divertida vinha à tona. E todo mundo se interessava. Havia muitos músicos de talento na banda.

Em 1966, Paul Samwell-Smith decidiu deixar o grupo para trabalhar como produtor musical. Jimmy Page entrou no grupo para tocar baixo?

JIM MCCARTY: Sim. É engraçado, não? Ele entrou na banda para tocar baixo. Depois de um tempo Chris trocou com Jimmy. Chris nunca havia tocado baixo antes, mas acabou dando realmente certo no fim. E, então, os dois (Beck e Page) tocavam guitarra. Funcionava aqui e ali, mas não o tempo todo. Provavelmente, funcionaria melhor hoje em dia.

Qual era sua música favorita dos YARDBIRDS?

JIM MCCARTY: Acho que “Shapes of Things” foi sempre muito emocionante para mim. E "Happenings Ten Years Time Ago". “Shapes of Things” foi gravado em Chicago bem quando estávamos no topo. Gosto do que diz a letra. Um grande solo de guitarra e uma boa performance de todos. Acho que foi provavelmente minha favorita.

É verdade que Jeff Beck foi demitido da banda em 1966?

JIM MCCARTY: Bem, eu suponho que seja verdade. Estávamos fazendo uma turnê com Dick Clark (showman da televisão norte-americana). Uma turnê bem cansativa, por sinal. Quarenta datas, dois locais por noite, com todas as outras bandas num ônibus Greyhound. Jeff fez apenas um par de apresentações e desapareceu. Ele disse que não podia dar conta e foi pra Califórnia com uma namorada. Nós acabamos fazendo a turnê inteira sem ele. Sair em turnê era a única maneira de conseguir fazer algum dinheiro, sem royalties de gravações e coisas do gênero

Peter Grant foi empresário de vocês. Como ele era?

JIM MCCARTY: Sim, ele foi o empresário. Ele era muito bom conosco. Certificava-se de que estávamos sendo bem tratados e recebendo nosso pagamento. É algo que funcionou como um quarteto. Muito profissional e coeso. Nós não chegamos a ter o Jeff perdendo a cabeça. Mas, por outro lado, não havia aquele brilho. E também não estava acontecendo aquele lance criativo. Uma música como “Dazed and Confused” era o tipo de coisa que precisávamos, então nós fomos por aí. Várias músicas desse tipo nós trouxemos pro repertório.

Nesse ponto, parecia que a banda estava se transformando no LED ZEPPELIN? Quer dizer: Page estava tocando guitarra com o arco de violino, Grant era o empresário, vocês tocavam “Dazed and Confused”. Por que não foi você na bateria, em vez do John Bonham?

JIM MCCARTY: Chegamos a um ponto em que já não dava mais, especialmente pra mim e Keith. Precisávamos de um ano fora ou algo assim, o que é loucura, ou teríamos que parar. Eles realmente fizeram uma parte da nossa turnê e tocaram nosso set list. Naquela época tudo era baseado num único hit e todo o dinheiro estava na estrada. Você não podia se dar ao luxo de parar. Foi só quando o ZEPPELIN começou que o mercado de discos se tornou enorme. O ZEPPELIN estava no lugar certo, na hora certa. E eles tinham toda a energia, todo o frescor, e tiveram um set list para começar.

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Sobre Otávio Fernandes

Paulistano, trinta e tantos anos, formado em dramaturgia com especialização em documentário. Burocrata de profissão, já foi um pouco de tudo: de diretor de curta-metragens a barqueiro no rio Amazonas. Particularmente interessado no blues-rock do final dos anos 60 e no hard rock do início dos 70.

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