Mistério: por que a maioria das músicas tem 4 minutos?
Por Nacho Belgrande
Fonte: Site do LoKaos Rock Show
Postado em 14 de agosto de 2011
Por Paul Resnikoff, traduzido por Nacho Belgrande.
Um estudo interessante foi conduzido em 2010 sobre a duração média de uma canção. O pesquisador analisou milhares de canções pertencentes a várias coleções e determinou que a duração média era quase que exatamente de 4 minutos – sem muita variação. As do gênero Punk eram mais curtas, as Techno mais longas, e Rock e Pop por volta daquela marca.
E, a maioria dos sucessos segue a mesma regra: preste atenção na abrangente parada ‘Ultimate 100’ do site BigChampagne, ou ouça uma estação de rádio terrestre, e a duração das músicas têm, tipicamente três e quatro, por vezes cinco minutos.
Rádio
Mas por que isso? E, as plataformas digitais estão mudando isso lentamente? Nessa altura do campeonato, ainda é difícil de dizer, apesar da rádio estar tendo um papel vital nessa discussão. Se você quer um sucesso mais apelativo para as rádios, você precisa jogar por certas regras, incluindo restrições de duração. As faixas mais curtas são mais comuns e mantém os ouvintes mais atentos, mais vivos e menos propensos a mudar de estação. E elas são mais adequadas para entrar em alta rotação.
Mas ainda assim, por mais potente que a rádio tradicional seja, ela permanece sob ataque por todos os lados. Isso não só inclui aplicativos como o Pandora, mas também iPods e smartphones, aonde o comprimento da canção é bem menos importante. Afinal, é da sua coleção que estamos falando: é a sua trilha sonora, sem interrupções comerciais e flexibilidade ilimitada. Então quem se importa se uma faixa tem 3 ou 30 minutos?
O Novo Rock n’ Roll
O eletrônico, por assim dizer, é ‘o novo rock n’ roll’. O gênero oferece uma evidência muito concreta dessas mudanças. DJs como Kaskade, deadmau5, Skrillex e Mord Fustang não estão preocupados com restrições de tempo, a menos que haja um mix para as rádios ou uma colaboração com um nome do pop envolvidos. E esse é um formato em ascensão aonde o ‘long play’ é muitas vezes a norma.
Apenas observe as multidões de pessoas indo a festas de música eletrônica por toda parte. Isso é tudo menos música pop de 3 minutos, e tais grupos são formados quase que inteiramente por um público bem jovem. Essa é uma parcela da população acostumada a pular faixas, usar a função shuffle, e usar fones de ouvidos brancos. Essa não é uma revolução sendo transmitidas por ondas terrestres de rádio.
O Velho Rock n’ Roll
O que carrega alguma semelhança com a experiência dos pais desses ‘filhos de Echo’. Se o single de 78 rotações limitava as canções a três ou quatro minutos, a explosão dos álbuns as libertou. ‘In-A-Gadda-Da-Vida’ e ‘Free Bird’ são exemplos imediatos, e tal como antes, ‘influências libertadoras’ que foram muito além de formatos e tecnologia.
A Natureza Humana
Mas e quanto à maior tecnologia de processamento de som, nossos cérebros? Talvez todas essas teorias sobre LPs, formatos digitais e restrições de rádios sejam apenas secundárias a nossa natureza humana. Trocando em miúdos, o ouvinte casual pode simplesmente estar fixado em faixas de 4 minutos, desconsiderando a tecnologia ou formato que o cerca.
E agora, mais do que nunca, nós podemos finalmente testar essa teoria na prática. Se as pessoas querem faixas de 30 minutos, elas podem tê-las, armazená-las, trocá-las, e acessá-las sem dificuldade alguma. Mas se essa ‘revolução digital’ nos ensinou algo, é que escolhas ilimitadas e flexibilidade nem sempre se traduzem em mudanças radicais. E as canções de 3 a 4 minutos podem servir muito bem à maioria dos ouvintes, muito obrigado.
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