Dorsal Atlântica: Euclides da Cunha é tema de nova música
Por Sergio Filho
Fonte: Catarse
Postado em 10 de maio de 2012
Embora a volta da Dorsal Atlântica esteja causando polêmica e dividindo opiniões, a campanha para a arrecadação da verba para o novo disco está indo de vento em popa. Para complementar as informações pertinentes ao projeto, a banda está publicando numa espécie de blog que funciona dentro do site do Catarse textos explicativos acerca da questão dos impostos e entrevistas antigas.
Hoje foi publicado um texto contando a história de uma das novas músicas que comporá o disco, caso ele seja gravado. Trata-se da canção "Meu Filho Me Vingará" (os títulos ainda não são definitivos, conforme informado em outra publicação), que conta o trágico fim de Euclides da Cunha. Segue abaixo a publicação, na íntegra:
Faixas do novo CD da DORSAL ATLÂNTICA: "Meu Filho Me Vingará".
Dorsal Atlântica - Mais Novidades
A partir desta postagem explicarei os temas das composições do novo CD.
MEU FILHO ME VINGARÁ fala sobre o rumoroso caso do escritor Euclides da Cunha, autor do clássico Os Sertões (1902), morto pelo amante de sua mulher, Ana de Assis ou Ana da Cunha.
Euclides entrou para a história, bem antes do livro Os Sertões, no episódio do sabre em 1888. Faltava pouco para a abolição e a deposição do Império. Os militares estavam insatisfeitos com o tratamento dado a eles após a guerra do Paraguai. O ministro da Guerra do Império foi inspecionar as tropas, e apesar de vários estudantes terem combinado jogarem seus sabres ao chão em protesto contra o governo, apenas Euclides tentou quebrá-lo e o jogou em frente ao ministro. Foi um escândalo. Alguns aconselharam Euclides a se declarar doente mental para se safar da acusação. Ele preferiu a integridade. Foi preso durante 2 meses em uma fortaleza no Rio, para em seguida ser expulso da escola, o que pelo menos, o impediu de ser fuzilado.
Apesar de conhecido pela insurreição do sabre, e já escrevendo para o Estado de São Paulo, obviamente atacando o Império, não foi convidado pelos próceres revolucionários para depor os Bragança em 15 de novembro de 1889. Comemorando a deposição do Império, conheceu Ana ou Saninha em uma festa na casa do pai da moça, o major Sólon Ribeiro, um dos mais importantes militares conspiradores, o mesmo que entregou a carta do banimento para D. Pedro II. Euclides casa com Ana de Assis ou Saninha em 1890, a mulher que lhe daria filhos e o enlouqueceria.
Ausente durante anos do Rio, ao retornar à cidade, Euclides encontrou Saninha de 30 anos, grávida. Como Euclides o "moreno enfezado" com 1 metro e 65 poderia ser páreo para a presença constante do cadete Dilermando de Assis de 17 anos, alto, loiro e de olhos verdes? O desgosto mais profundo de Euclides é que ele havia auxiliado financeiramente na formação do jovem Dilermando desde cedo. Mas quem seduziu o jovem militar foi Ana, mãe dos filhos de Euclides. Ana dá a luz a um menino chamado Mauro, que falece de debilidade congênita uma semana após seu nascimento. Ana engravida novamente e o nome da criança é Luís Ribeiro da Cunha. A esperança de um recomeço acabou na cor dos cabelos louros do mais novo filho do casal, o que fez Euclides associá-lo desconfiadamente a uma "espiga de milho", para levantar ainda mais suspeitas, apesar de Saninha ter prometido romper a relação com Dilermando.
Segue descrição de matéria de O Malho sobre o desenrolar dos acontecimentos:
"No dia 12 de agosto, Ana da Cunha, sob o pretexto de procurar uma outra casa para onde se mudar saiu e não voltou para sua residência, onde morava com Euclides (Nossa Senhora de Copacabana 23). Pernoitou fora de casa, sem que seu marido soubesse onde, apesar de ter saído a indagar. Saindo ele novamente a sua procura no dia seguinte (13), encontrou-a na casa de sua mãe. Os dois combinaram que Ana lá permaneceria até o dia seguinte (14), quando deveria ir visitar Euclides no Ginásio Nacional e levar para casa seu filho menor. No entanto, o combinado não foi cumprido. Euclides da Cunha exasperou-se quando, no sábado (14), depois de dar aula pela manhã no Ginásio Nacional, indo à casa de sua sogra, foi informado de que sua mulher ali não passara a noite, nem lá chegara até aquela hora; o estado de excitação de Euclides aumentou vendo que também de sábado para domingo a esposa não aparecia nem dava notícia de si."
Ana levou os filhos para o subúrbio de Piedade para a casa de Dilermando, após ter "enrolado" o marido por anos. Apenas o filho mais velho, que estava na Escola Militar não foi.
Em um domingo chuvoso de 15 de agosto em 1909, Euclides com 43 anos acordou disposto a dar término à humilhação. Pediu um revólver a um primo para "matar um cão raivoso", que mesmo desconfiado, cedeu-lhe a arma. Euclides, com guarda-chuva emprestado tomou um bonde, pegou um trem (com passagem de ida e volta) à Estrada Real de Santa Cruz, 214. Quem o recebeu foi Dinorah, irmão de Dilermando (curiosamente: Dinorah era jogador de futebol campeão do Botafogo). "Onde está minha mulher?" perguntou raivoso. Antes que qualquer resposta fosse dada, Euclides investiu pela casa, para arrombar a porta de um quarto no qual Dilermando estava. Euclides disparou a esmo, enquanto Dinorah correu em defesa do irmão. Dilermando pegou sua arma e, segundo declarou, para intimidar Euclides disparou duas vezes para cima. Dilermando que era campeão de tiro, matou o escritor com dois disparos. Dilermando levou um tiro na virilha esquerda e Dinorah recebeu outro na coluna vertebral.
Prossegue o Malho: "O escritor foi cair junto à porta da rua, mas foi transportado em seguida para um leito. Momentos depois lhe prestava socorros sua esposa, que disse haver chegado durante o desenrolar da tragédia e que para ali fora com o fim exatamente de a evitar. Mas contam também os jornais que, na verdade, a esposa de Euclides da Cunha esteve o tempo todo na casa de Dilermando, escondida em um dos quartos do fundo. Seja como for, Euclides veio a falecer em seguida, tendo dito para o seu assassino : "Odeio-te, mas te perdôo!"."
Os jornais fizeram uma campanha escandalosa pedindo a cabeça de Dilermando. O julgamento só aconteceu dois anos depois e o assassino foi absolvido por legítima defesa. Houve apelação para o Supremo e ele ganhou outra vez. Dilermando saiu da cadeia para se casar com Saninha, confirmando o óbvio. O casamento durou 15 anos.
Sete anos depois, em 1916, o aspirante naval Euclides da Cunha Filho ou Quidinho, o filho de Euclides e Saninha tenta vingar o pai no centro do Rio. Novamente Dilermando se defende, matando o novo rival e sendo mais uma vez absolvido.
"Cometi o crime de matar um Deus", Dilermando teria dito a um jornalista em uma das dezenas de entrevistas feitas sobre o assunto.
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



A música do Black Sabbath que é o "marco zero" do thrash metal, segundo Andre Barcinski
Avenged Sevenfold reafirma em São Paulo porquê é a banda preferida entre os fãs
O que o retorno de Angela Gossow ao Arch Enemy representa na prática?
Assista o primeiro teaser do filme oficial sobre a história do Judas Priest
Regis Tadeu afirma que último disco do Megadeth é "uma aula de dignidade"
"Superou minhas expectativas", diz baterista sobre novo álbum do Evanescence
Um dos maiores sucessos dos Stones, descrito como "porcaria" por Keith Richards
Cinco clássicos do rock que você reconhece nos primeiros segundos e já sai cantando
O cantor que Jack Black chamou de "Pavarotti do heavy metal"
As 10 tablaturas de guitarra do Iron Maiden mais acessadas na história do Ultimate Guitar
Tony Iommi presta homenagem ao álbum de estreia do Black Sabbath
A melhor faixa do primeiro disco do Metallica, segundo o Heavy Consequence
Mayara Puertas quebra silêncio e fala pela primeira vez do rumor envolvendo Arch Enemy
Chuck Billy diz que vinil "tem um som diferente", mas aponta um detalhe que muda tudo
A música de novo disco do Megadeth que lembra o Metallica, de acordo com Gastão Moreira
O guitarrista que deixou Tony Iommi impressionado: "Eu nunca tinha ouvido nada parecido"
O incrível álbum dos anos 80 com três músicas que bateram 1 bilhão no Spotify
O artista de rock com 3 bilhões no Spotify que David Gilmour disse ter péssimo gosto musical


A melhor banda de metal de cada estado do Brasil e do Distrito Federal segundo Gustavo Maiato
Dorsal Atlântica termina gravações do seu novo disco "Misere Nobilis" e posta vídeo reflexivo
Metal nacional: quinze álbuns clássicos de bandas brasileiras



