Dio: 9ª parte de discografia comentada no Minuto HM
Por Alexandre Bside e Flávio Remote
Postado em 01 de junho de 2012
Dando sequência a série de homenagens ao eterno Ronnie James Dio (http://minutohm.com/2011/05/16/ronnie-james-dio-serie-de-pesquisas-para-escolha-da-melhor-musica/), chegamos ao álbum Dream Evil.
Após o fim da bem sucedida tour de Sacred Heart, sem dúvida a mais longa já feita pela banda até então, Dio se reúne com Craig Goldy ainda no fim de 1986 para a sequência da carreira, iniciando as composições do próximo álbum. Após a costumeira pausa para as festividades do fim daquele ano, a partir de janeiro de 1987 a banda toda começa a ensaiar as novas composições. As gravações do novo álbum, Dream Evil, iniciam-se em março e duram cerca de dois meses, utilizando-se de um estúdio muito renomado na Califórnia, o The Village Recorder. O álbum traz a presença de Craig Goldy em 8 das 9 faixas compostas, tendo apenas Naked in The Rain como faixa exclusiva à cargo de Ronnie. Claude Schnell, Jimmy Bain e Vinnie Appice também contribuíram para 4 ou 5 das canções, desenvolvidas a partir das ideias de Craig e Dio que foram elaboradas ainda em 1986. Por conta da extensa turnê do álbum anterior, e também pelos ajustes com a entrada do novo guitarrista, pela primeira vez a banda não lançou nada inédito em algum ano desde sua formação, em 1983. Assim, passaram-se quase dois anos entre os lançamentos de Sacred Heart e Dream Evil, este lançado em julho de 1987. A dupla Dio e Goldy, que tinha um entrosamento anterior muito antes à entrada do guitarrista, durante a turnê de Sacred Heart, teria sua prova de fogo com o lançamento deste novo trabalho.
http://minutohm.com/2012/05/08/discografia-homenagem-dio-parte-9-album-dream-evil/foto-da-banda/
Na verdade, a entrada de Craig para a banda era algo desenhado desde que os constantes desentendimentos profissionais, financeiros e pessoais entre Vivian Campbell e Dio começaram a aparecer. Goldy participou de bandas como o Rought Cutt, que era empresariada por Dio e sua esposa Wendy. Naquela ocasião, teve sua entrada na banda californiana por solicitação direta do casal, que havia recebido uma fita "demo" de Craig Goldy, onde nítidas influências do estilo britânico de Ritchie Blackmore chamaram a atenção do vocalista. O guitarrista também afirma, por exemplo, que chegou a ouvir o histórico álbum Holy Diver ainda em seu formato embrionário, sem a mixagem e masterização definitiva, na própria casa de Ronnie. Quando as coisas iam bem no Rought Cutt, porém, Craig deixou a banda para ingressar no Giuffria, contrariando as idéias de Wendy e Ronnie James Dio. A decisão, no entanto, provou ser mais acertada, visto que o Giuffria conseguiu contrato para lançamento de um álbum, enquanto o Rought Cutt ficava temporariamente sem gravadora na ocasião. Nenhuma das duas bandas tinha, logicamente, o peso e reconhecimento da banda DIO. Assim, quando Vivian Campbell não estava mais na banda, não houve qualquer tipo de seleção: a vaga era de Craig. E a primeira contribuição de Goldy na banda se dá ainda antes do lançamento do novo álbum, pois no EP ao vivo Intermission, lançado em junho de 1986, encontramos uma faixa inédita, composta por todos da banda: Time To Burn.
http://minutohm.com/2012/05/08/discografia-homenagem-dio-parte-9-album-dream-evil/craig-goldy/
Para o lançamento de Dream Evil, um retorno: em sua capa, volta o mascote original, o "diabinho" Murray. O conceito da arte gráfica, mostrando um quarto de criança e todo o tipo de pesadelo comum à crianças daquela idade se complementa com a figura de Murray aparecendo pela janela. Juntamente com o álbum, são produzidos dois videoclips para os singles All The Fools Sailed Away e I Could Have Been A Dreamer, mas ambos fracassam em atingir qualquer repercussão mais favorável; enquanto All The Fools Sailed Away nem figura nos charts, I Could Have Been A Dreamer chega ao modesto 33º lugar nas paradas americanas.
Os shows da turnê de Dream Evil se iniciam com um show filantrópico na Califórnia para o projeto Children Of Night, capitaneado pelo próprio vocalista. Depois, a banda segue para a Europa, onde faz shows em diversos países, participando de edições do Monsters Of Rock na Itália, Inglaterra e Alemanha. Estes shows trazem bandas como Metallica, Ratt, Anthrax, W.A.S.P, entre outras, sendo Dio headliner da versão italiana.
O show inglês foi mais recentemente lançado no póstumo CD ao vivo, onde a banda foi a penúltima atração da noite, abrindo para o Bon Jovi. Na Alemanha, tocou apenas antes do Deep Purple. Os shows europeus se seguem em outras cidades, mas o grupo sofre com acidentes que causam prejuízos financeiros nesta turnê, como uma queda que inutilizou um sintetizador avaliado em cem mil dólares , assim como um acidente de um dos caminhões na estrada, estragando boa parte do equipamento transportado. Tocando como banda principal, a turnê também trouxe boa receptividade de público, tendo como abertura bandas como Helloween até o mês de setembro de 1987. Eles fazem um único show no Japão em outubro, tendo uma inédita e improvável execução da faixa Stars, do projeto Hear and Aid, e retornam para a Europa, com abertura a cargo do Warlock, durante novembro e dezembro. No repertório, as 5 primeiras faixas do novo trabalho e algumas canções do Rainbow, músicas em quais Craig se sente bem à vontade. Se a parte européia funciona relativamente bem, apesar dos citados contratempos de percurso, não se pode dizer o mesmo dos shows em território americano: tendo o Megadeth e o Savatage para abrir os shows entre janeiro e março de 1988, o que se percebe são shows sem capacidade plena de público, alguns deles com cerca de metade de ingressos vendidos. Como consequência, a turnê termina em março sendo bem menor e rentável que anterior, e Dream Evil sequer consegue atingir status de disco de ouro.
Assim, a responsabilidade de se encontrar um substituto à altura de Vivian Campbell para o posto de guitarrista da banda não foi plenamente atingida por Goldy e desta forma Dio se vê na obrigação de mexer novamente no time, ainda que gostasse muito de ter o guitarrista na banda, para tentar recuperar o terreno perdido. Sem um single de sucesso, sem uma turnê americana rentável, acumulando problemas financeiros com incidentes na Europa e com uma consideravelmente menor vendagem do álbum, algo precisava ser modificado no line-up do grupo. Os detalhes deste novo caminho serão abordados no próximo post, até lá!
Para ver a nota dos redatores, mais fotos e vídeos muito interessantes, acesse a matéria original no Minuto HM:
http://minutohm.com/2012/05/08/discografia-homenagem-dio-parte-9-album-dream-evil/
16/maio: R.i.P. Ronnie James Dio.
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