RECEBA NOVIDADES ROCK E METAL DO WHIPLASH.NET NO WHATSAPP

Matérias Mais Lidas


Outras Matérias em Destaque

Alice Cooper, o cantor, lembra o fim de Alice Cooper, a banda

"Wind of Change", cinebiografia do Scorpions, ganha data de lançamento

Prestes a iniciar tour de despedida, L7 lança música inédita "Loma Linda"

Richie Kotzen lança novo single solo, "Big Money Club"

O guitarrista brasileiro que compôs frevo inspirado em Yngwie Malmsteen

A banda de rock nacional dos anos 1980 que Lobão comparou com o Palhaço Carequinha

O erro de avaliação de David Gilmour sobre o "Dark Side of the Moon"

Os 10 melhores discos do thrash metal, de acordo com a Kerrang!

Eleições 2026: e se os astros do metal disputassem todos os cargos?

Cantora canadense Sass Jordan morre aos 63 anos

Floor Jansen garante que novo álbum solo é mais metal que o Nightwish

O erro que James Hetfield admite ter cometido com Jason Newsted no Metallica

Os melhores álbuns de metal lançados em 1986, segundo Gastão Moreira

A música do U2 em que Bono precisou esconder que praticamente não conseguia cantar

O clássico do Led Zeppelin que deve seu sucesso a "Stairway to Heaven"


Fúria: a história e as histórias do heavy metal no Brasil

Por
Fonte: R7
Postado em 15 de julho de 2012

Na real, eu mesmo estou escrevendo. Mas será/é um livro with a little help from my friends. Junto ao trio do Wikimetal, meus amigos de três décadas Nando Machado, Daniel Dystyler e Rafael Mazini. E com quem mais tiver histórias pra contar.

Já fiz a pesquisa inicial, e a espinha dorsal do livro está armada. O que faltam são as histórias do resto do País, pois é uma cena underground, sem muito registro a não ser as experiências de quem participou dos eventos. Participei desde o início dos 80, mas das coisas de SP. Fatos principais estão elencados, mas histórias são o que montam a história. Caso tenha alguma(s), clique aqui para chegar à área do site onde está sendo publicado e colabore.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE - CLI
Anunciar bandas e shows de Rock e Heavy Metal

Bora escrever juntos?

Segue o prefácio.

Fúria – a história e as histórias do heavy metal no Brasil

Prefácio - Carmina Burana

O Brasil era um país bem estranho em 1985, 1986. Não se votava para presidente – o primeiro presidente pós abertura foi Tancredo Neves, que morreu antes de assumir deixando involuntariamente a nefasta herança de José Sarney e seu Plano Cruzado, que colocou o país de joelhos. Não existia TV a cabo e o país parava pra assistir Roque Santeiro à noite, ou Sala Especial (soft pornô) às sextas. Os traumas geracionais eram a descoberta da camada de ozônio e o perigo da passagem do Cometa Halley. Além, é claro, da escala de crescimento dos casos de HIV positivos, então conhecidos como aidéticos. Ou ainda pior, contaminados pela "peste gay".

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE - GOO
Anunciar no Whiplash.Net Anunciar bandas e shows de Rock e Heavy Metal

São Paulo era mais estranha ainda, pois o fluxo de informações não era como o atual e a cidade era ainda mais vértice representativo do país. O prefeito era Jânio Quadros, eleito com o jingle "Varre, varre, vassourinha...". O grande programa para a garotada era ir a um cinema na avenida Paulista, assistir os sucessos em cartaz, como "De Volta Para o Futuro" e "Goonies" e emendar com um lanche em um dos dois McDonald´s da via marco da cidade.

Mas o que mais recordo desses meados de anos 1980 é do calor que fazia. É uma memória que quase traz o sentimento físico. Certamente propiciado porque, independente das condições de tempo e temperatura, o uniforme que meus amigos e eu vestíamos não fugia da calça preta apertada (quase um torniquete no tornozelo), tênis Pony branco de cano alto, camiseta preta, casaco de couro (courino, melhor colocando) estilo motorcycle man, zíper cruzado no peito, e colete jeans com patch a cobrir as costas todas por cima.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE - CLI
Anunciar bandas e shows de Rock e Heavy Metal

Era assim que estava a turma de headbangers na tradicional manhã de sábado em frente à Woodstock Discos, na ladeira da Rua Doutor Falcão, no centro da cidade. Era assim todos os sábados.

Woodstock era a rede social paulistana headbanger à época. Dá para dizer que era a rede social brasileira, já que vinha gente de todo o Brasil para saber e consumir as novidades metal, como os irmãos Cavalera. "O Walcir (Chalas, dono da loja) se ligava no perigo que eu e o Max (Cavalera) passávamos, por isso abria a loja mais cedo só para a gente comprar. Depois voltávamos de ônibus para Belo Horizonte e gravávamos milhões de fitas para a galera", contou em entrevista recente Igor Cavalera, narrando a epopeia antes de formar o Sepultura com o irmão.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE - GOO
Anunciar no Whiplash.Net Anunciar bandas e shows de Rock e Heavy Metal

Pela loja passavam cerca de 1000 headbangers a cada sábado. Loja cheia, povo trocando ideia, trocando fitas K7 no calçadão em frente, quando surge um pesadelo metal isolado no meio da multidão, um careca do ABC (acrônimo das três cidades industriais da região metropolitana de São Paulo, Santo André, São Bernardo e São Caetano).

A situação dos skinheads à época era bastante confusa. Grosso modo, não existia o alinhamento político do extrato working class da sociedade. Não era a revolta pela ausência de empregos ou pela crise do lixo, como fora na Inglaterra, mas soava e os integrantes agiam mais como se fosse revolta pela revolta, simplesmente. Dentro desse (ou dessa falta de) contexto, nasceu polarização e ódio contra os headbangers.
A recíproca não era verdadeira. Posso dizer porque participava do lado negro e cabeludo da força. Comecei a frequentar a Galeria do Rock quando só havia ali a Baratos Afins (classic rock, novo rock e heavy metal), Grilo Falante (mais classic e menos metal) e a Punk Rock Discos (punk, skinhead e afins). Ficava horas perambulando entre as três e volta e meia dava de cara com um dos meus ídolos do movimento punk/hardcore, como Clemente (Inocentes), Fábio (Olho Seco e também dono da loja) ou Rédson (Cólera). Ou seja, não havia ódio de headbangers. Também não havia amor. Havia admiração pela música. Mas sabe-se lá por quais raios, os skinheads nos adotaram como inimigos e toda semana ficávamos sabendo de caso de headbanger que apanhara.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE - CLI
Anunciar bandas e shows de Rock e Heavy Metal

Voltando à manhã de três parágrafos atrás, eis que chega um careca do ABC em meia à turma do metal. Maioria do povo ali era moleque (como eu) e interessado tão somente em música (como eu) e não em briga, e torcemos silenciosamente para que fosse alarme falso e que ele saísse sem stress.

Ele não pensava assim.

Começou a causar, até conseguir arrancar uma briga com um headbanger também do ABC – era a vertente do povo do metal um pouco mais velha e com menos paciência que nós.

Começaram a rolar pelo chão da inclinada Rua Doutor Falcão até que o skinhead puxa um machadinho (eles costumavam carregar um) e é desarmado pelo headbanger, que usa a arma contra o dono e crava na parte de trás da cabeça, próximo à nuca, a lâmina.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE - GOO
Anunciar no Whiplash.Net Anunciar bandas e shows de Rock e Heavy Metal

Lembro de um silêncio sepulcral nesse instante. Aliás, toda a cena foi tão forte e representativa que ela vem em flashes para mim, quase 30 anos depois.

Próximo flash tem o sknihead subindo a rua praguejando e fazendo ameaças de morte por quem passava. Mas ainda com o machadinho cravado na cabeça.

História real. Mais que chocante, representa em quase plenitude o que era o movimento heavy metal brasileiro na gênese.

Fomos e somos os ratos do subterrâneo da música popular brasileira (afinal, quem na música brasileira é mais popular que o Sepultura no exterior? Tom Jobim? Ok. Mas segundo lugar é considerável.).

Nascemos e nos reunimos no centro sujo da cidade. Escondidos (ou ocultos) do cenário televisivo. Mas nós não estávamos interessados em ver ou em ser vistos. Pois mesmo como aqueles que a televisão não mostra, até hoje, somos os únicos de um movimento que ainda lota estádios em shows, como Metallica e AC/DC. Somos milhões. No underground. Quais ratos.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE - CLI
Anunciar bandas e shows de Rock e Heavy Metal

Mas sempre estivemos ali pela música. Seja trocando fitas na porta de uma loja, seja em páginas de revistas criadas por nós e que até hoje estão em circulação, seja na internet e agora em livro. Pois nosso princípio básico é um só: viva sua vida da maneira que quiser assim como vivo a minha, e se existe uma diferença entre nós é que gosto de música extrema. Isso não faz de mim um maníaco. Mas também não faz de mim um covarde. Pelo contrário. É uma filosofia que nos orgulha. Épica, diria.

Como todo épico, tem seus heróis. Aqui vão eles. Está dada a largada da saga.

Compartilhar no FacebookCompartilhar no WhatsAppCompartilhar no Twitter

Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps


Stamp

publicidadeGustavo Anunciação Lenza | Roberto Luis Pertsew | Luis Alberto Braga Rodrigues | Efrem Maranhao Filho | Geraldo Fonseca | Richard Malheiros | Vinicius Maciel | Luis Alberto Braga Rodrigues | Reginaldo Manuel Soares de Faria | Paulo Eduardo Farias | Thomas Wisiak | Rogerio Antonio dos Anjos | Miguel Angelo Leal | Adriano Lourenço Barbosa | Airton Lopes | Alexandre Faria Abelleira | Alexandre Sampaio | André Frederico | Ary César Coelho Luz Silva | Assuires Vieira da Silva Junior | Bergrock Ferreira | Bruno Franca Passamani | Caio Livio de Lacerda Augusto | Carlos Alexandre da Silva Neto | Carlos Gomes Cabral | Cesar Tadeu Lopes | Cláudia Falci | Danilo Melo | Dymm Productions and Management | Eudes Limeira | Fabiano Forte Martins Cordeiro | Fabio Henrique Lopes Collet e Silva | Filipe Matzembacher | Flávio dos Santos Cardoso | Frederico Holanda | Gabriel Fenili | George Morcerf | Henrique Haag Ribacki | Jorge Alexandre Nogueira Santos | Jose Patrick de Souza | João Alexandre Dantas | João Orlando Arantes Santana | Leonardo Felipe Amorim | Marcello da Silva Azevedo | Marcelo Franklin da Silva | Marcio Augusto Von Kriiger Santos | Marcos Donizeti Dos Santos | Marcus Vieira | Mauricio Nuno Santos | Maurício Gioachini | Odair de Abreu Lima | Pedro Fortunato | Rafael Wambier Dos Santos | Regina Laura Pinheiro | Ricardo Cunha | Sergio Luis Anaga | Silvia Gomes de Lima | Thiago Cardim | Tiago Andrade | Victor Adriel | Victor Jose Camara | Vinicius Valter de Lemos | Walter Armellei Junior | Williams Ricardo Almeida de Oliveira | Yria Freitas Tandel |
Siga Whiplash.Net pelo WhatsApp
Anunciar bandas e shows de Rock e Heavy Metal

Sobre Luiz Cesar Pimentel

Luiz Cesar Pimentel é jornalista, escritor e diretor de conteúdo do portal R7. Jornalista desde 1992, e autor dos livros Sem Pauta - Reportagens, Histórias e Fotos de um Jornalista pelo Mundo (Ed. Seoman, 2005), compilado de coberturas em 18 países como correspondente, e Você Tem que Ouvir Isso! (Ed. Pensamento, 2011). Trabalhou na Folha de S Paulo, Editora Abril, Trip, os portais Starmedia, Zip.net, UOL e Virgula além de ser colunista e colaborador de Caros Amigos, Carta Capital, Playboy, Rolling Stone, Sexy, Jornal da Tarde, Elle e Superinteressante.
Mais matérias de Luiz Cesar Pimentel.

 
 
 
 

RECEBA NOVIDADES SOBRE
ROCK E HEAVY METAL
NO WHATSAPP
ANUNCIE NESTE SITE COM
MAIS DE 3 MILHÕES DE
VIEWS POR MÊS