Kamala: Sete chakras, sete pecados e muito Heavy Metal

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Por Ben Ami Scopinho
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O Kamala se tornou, há tempos, um nome bastante conhecido pela região de Campinas (SP). Agora o pessoal está lançando seu terceiro álbum, "The Seven Deadly Chakras", que segue com tendências tão mais modernas que a faceta Thrash Metal de outrora ficou consideravelmente ofuscada. O Whiplash.Net conversou com a banda para saber o que anda rolando nesta nova fase, confiram aí!

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Whiplash.Net: Olá pessoal, é um prazer revê-los! Com três álbuns em quatro anos, o Kamala consegue manter uma constância em termos de lançamentos. Que tal começarmos com uma análise dos pontos positivos e negativos de sua trajetória, que está beirando a primeira década?

Raphael: O prazer é nosso, Ben! Vamos lá... Como você disse, estamos beirando a primeira década. Formei a banda em 2003 e em 2005 lançamos nossa demo; em 2007 nosso debut "Kamala", 2009 veio o "Fractal" e agora o "The Seven Deadly Chakras".

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Raphael: Sobre os pontos positivos, devido à sempre manter a ‘chama acessa’ lançando trabalhos bem recebidos pela mídia e publico, fazendo constantemente shows cheios de energia pelo país, percebemos que estamos a cada passo abrindo mais portas e evoluindo em vários fatores. No passado certas coisas não aconteceram e questionávamos o porquê, mas agora percebemos que ainda não era a hora. Hoje, com maturidade, podemos analisar melhor e achar onde erramos, onde acertamos e sabemos que agora estamos em um novo capítulo da nossa carreira, sem dúvida agora é a hora para passos maiores!

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Raphael: Somos uma banda independente, não temos um selo apoiando financeiramente para a gravação dos álbuns e clipes, então ainda temos que injetar nosso dinheiro para fazer as coisas acontecerem e com qualidade para nossos fãs. Porém, com o tempo esses investimentos voltam na forma de cachês de shows, venda dos CDs e demais produtos do nosso merch.

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Andreas: Pensando no nosso trajeto, não houve nenhuma fase negativa que no final não resultou em algo positivo. Aprendemos muito em cada passo e os nossos álbuns documentam o crescimento da banda. Falando da parte financeira, se a gente quisesse continuar no mesmo patamar não precisava mais investir do próprio bolso, mas para melhorar a imagem no palco, a qualidade dos nossos CDs, uma melhor oferta de merchandise e a distribuição internacional por conta própria são investimentos próprios, cada vez com um retorno maior até a próxima oportunidade de investimento.

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Whiplash.Net: A transição entre os discos "Kamala" (07) e "Fractal" (09) mostra que o Kamala evita se repetir. Dito isso, qual foi o ponto de partida para a elaboração de "The Seven Deadly Chakras"?


Raphael: Exatamente! Nunca buscamos repetir o mesmo álbum, sempre estamos focados em evoluir, em trazer novos elementos de forma natural para a música e, ao mesmo tempo, manter a personalidade na nossa arte. O foco sempre é o mesmo, lançar as melhores músicas que podemos escrever. O processo foi bem longo e, no final, até bem estressante, mas escutando o álbum, vendo o feedback extremamente positivo dos fãs e da mídia, sem dúvida nenhuma sentimos muito orgulhosos deste novo trabalho. Sentimos que evoluímos musicalmente e, sem dúvida, o próximo álbum, que já iniciamos as primeiras idéias, já mostra o reflexo desta evolução.

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Andreas: Não paramos de nos desenvolver. Ainda estamos crescendo e espero que esse crescimento nunca pare. Por isso também é tão importante lançar álbuns com freqüência. Vemos muitas bandas paradas com o primeiro álbum porque querem que saia perfeito. Mas a evolução de uma banda é dinâmica e sempre muda. Os nossos álbuns documentam onde nos encontrávamos naquele momento. Se a gente gravasse o terceiro álbum agora, sairia diferente de novo.


Whiplash.Net: Foram mais de 40 canções compostas, onde vocês aproveitaram apenas 14 para "The Seven Deadly Chakras". Afinal, em que ponto de todo esse processo de seleção decidiu-se que este disco seria conceitual?


Andreas: No início já sabíamos dos temas que seriam tratados no CD. Das 40 músicas, primeiro filtramos pela qualidade, que já diminuiu para 20. Com estas elaboramos quais mais se aproximariam para o conceito do pecado ou chakra. E depois fomos alterando estas canções para melhorar o conceito no CD.

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Whiplash.Net: Desde o início o Kamala adotou uma imagem meio mística, e o conceito de "The Seven Deadly Chakras" naturalmente segue esta linha. Mas como começaram as pesquisas para a ênfase no número 7, chakras, pecados, etc?

Raphael: Geralmente a banda chega ao conceito, mas no nosso caso, foi o inverso. Percebemos que tudo em nossa volta, girava em torno do número 7. As músicas começaram a ser escritas quando a banda tinha 7 anos, todos da banda tinham o primeiro nome com 7 letras, no primeiro álbum, são 14 faixas, mas no tracklist não colocamos a faixa 1, então 2 dividido por 14, resulta em 7... E por aí vai toda a paranóia que entramos (rs).

Raphael: Com isso começamos a estudar a ligação do número 7 na história da humanidade, e chegamos a muitas informações realmente interessantes, entre elas os 7 pecados capitas e os 7 chakras do corpo humano. Fizemos a ligação dos dois temas, pois um é do lado ocidental e o outro do oriental, algo que sempre buscamos mesclar. Estudando intensamente, fizemos a ligação que o lado do chakras busca equilíbrio e o outro lado, dos pecados capitais, provoca o desequilíbrio.

Whiplash.Net: Vocês compõem seguindo seus próprios termos e o ouvinte sempre pode esperar algumas surpresas pelo repertório. Gostaria que falassem especificamente sobre "Heart", que foge de tudo o que o Kamala já fez; e também sobre "Sacral", que originalmente possuía mais de 20 minutos de duração.

Andreas: Nós gostamos muito de brincar, experimentar e não se orientando sempre no mesmo meio musical. A idéia do Kamala, de se influenciar com sonoridades exóticas, sempre tem que ter o fator ‘alien’, a música é para ser explorada e não simplesmente consumida. Na "Heart" pensamos em como melhor explicar o coração, sua importância e o impacto que tem. Aquele músculo que a maioria do tempo nem percebemos... E do nada o infarto, a crise de pânico... E a melhor forma para descrever isso foram sons eletrônicos, pensando na aparelhagem de uma UTI.

Andreas: Quando compomos o "Sacral" pensamos no Tantra, aquele processo de chegar perto do clímax, mas segurando e voltando para crescer cada vez mais até a explosão. Ela foi composta em três fases, cada vez aumentando a tensão e voltando a um ponto tranqüilo, só para voltar a uma tensão mais intensa ainda... Quando escutamos os 21 minutos, percebemos que ficava muito cansativo ouvir, pois estávamos sempre apertando mais a tensão sem dar essa liberação até chegar nos 21 minutos. Por isto escolhemos cortar a música para ficar somente com as partes essenciais.

Whiplash.Net: Novamente o Kamala manteve a parceria com o produtor Ricardo Piccoli, e desta vez vocês gravaram sem amplificadores, inserindo a distorção no Amplitube 3. Quais os benefícios desta prática não convencional para uma banda de metal?

Andreas: Quando se grava os instrumentos, há vários fatores que definem a qualidade - a guitarra, o amplificador, a caixa, o microfone, acústica da sala, os cabos, o preamp do microfone e a própria interface de gravação. Alugar um estúdio com a top qualidade não é barato e você não pode chegar e falar, ‘... ahh não gostei tanto desse take, vamos gravar de novo...’.

Andreas: Usando amps virtuais, os únicos fatores são a guitarra, o cabo e a interface de áudio. Você pode gravar em qualquer lugar (inclusive em casa), regravar e editar à vontade. Muitas vezes saímos do estúdio para remotamente trabalhar em cima das nossas gravações e regravar certas partes sem se preocupar com os custos de um aluguel do estúdio.

Andreas: Agora que o Piccoli está na Itália, ainda não sabemos como continuar. Se ele vai poder vir para o próximo álbum ou se a gente vai até ele. Importante é fisicamente, trabalhando juntos. Provavelmente, a maioria das gravações será aqui no Brasil, regravando só partes críticas junto com o Piccoli.

Whiplash.Net: O baterista Nicolas quebrou o cotovelo durante as gravações do vídeo de "Solar Plexus". Em que situação isso aconteceu, afinal?

Andreas: Coisa doida. Ao invés de andar por volta de uma muretinha, tinha que pular e ficar com pé preso e cair no cotovelo. Foi muita sorte que ele se recuperou tão rápido!

Diego: Com certeza foi algo que pegou todo mundo de surpresa. Eu estava bem ansioso com toda a situação, por ser também a minha primeira ‘participação’ na banda. Todo mundo ficou bem abalado, mas tivemos que ser profissionais e continuar gravando assim mesmo. Acabou sendo uma estreia bem emocionante.

Raphael: Não poderíamos ficar sem os shows, já que o álbum tinha acabado de sair. Com isso contamos com a força do Estevan Furlan, baterista da banda ItSELF, e ele fez um trabalho incrível! Impressionante que a recuperação do Nicolas foi muito mais rápida do que todo mundo esperava, onde ocorreu tudo bem na cirurgia e com toda dedicação dele na fisioterapia e no tempo em casa, ele voltou muitos meses antes do previsto. Foi uma queda completamente ‘besta’ que resultou em 12 pinos, placa e prótese... E resultou também em uma banda cada vez mais unida.

Whiplash.Net: O baixista Adriano Martins saiu do Kamala. O que rolou, considerando que ele atuava há anos com vocês? E o que podem adiantar sobre seu sucessor, o Diego?

Raphael: Foi o próprio Adriano decidiu sair. Ele abriu o jogo, falou que sabia das nossas metas e objetivos, e quando a quantidade de shows começou a aumentar, ele percebeu que aquilo não era o que ele buscava na vida e que, ao mesmo tempo, não queria atrasar a Kamala. Depois do Adriano, quem assumiu foi o próprio produtor Piccoli, que é um baixista sensacional e sempre foi o quinto membro da banda. Mas ele comunicou que em um ano ele se mudaria para a Itália, e então achamos melhor procurar outro baixista para a gravação do novo álbum, mas já era certo que novamente o Piccoli faria a produção.

Raphael: Foi quando o André Rudge, que tocava baixo em outra banda que o Andreas tinha, chamada Soulriver, começou a cobrir os shows e depois o convidamos ele para ser membro oficial. O André que gravou os baixos, mas na faixa "Lust" foi o Piccoli, que domina a arte dos slaps (rs) e queríamos fazer pelo menos um registro com ele, devido ao tempo em que ele esteve efetivamente na banda. Pouco antes do lançamento do "The Seven Deadly Chakras", em reuniões de planejamento e metas, percebemos que o André não estava na mesma sintonia e que em breve ele deixaria a banda na mão. Sentíamos que a banda era 3 + 1, e não 4 membros de fato. Então comunicamos ao André que, mesmo com o lançamento, seguiríamos sem ele.

Raphael: Já o Diego é amigo de um amigo meu, e teve banda nos Estados Unidos por quatro anos. Assim que ele voltou ao Brasil, esse meu amigo falou dele. E foi exatamente no mesmo período em que a banda colocou o André como baixista, mas nada é por acaso. Então, depois que comunicamos para o André que seguiríamos caminhos opostos, entramos em contato com o Diego, e desde o começo sentimos que ele era o cara certo para ser o quarto membro que procurávamos. Ele mostrou ter muita experiência profissional pela banda dos EUA e, desde o primeiro teste, tocou com muita segurança e aprendendo os detalhes. Já sentíamos que ele tinha personalidade e que isso somaria para a banda. E para finalizar, basta vê-lo ao vivo e todo mundo vai poder ver o quanto a banda teve um upgrade com sua entrada.

Whiplash.Net: Pois bem, e quais os próximos passos que o Kamala está planejando para a divulgação do novo trabalho?

Raphael: Nesta semana (27/08) lançamos nosso novo site, trazendo muitas informações, com muito material interativo e um belo visual. Estamos marcando shows constantemente por todo país e planejando nossa primeira turnê internacional para 2013. Também estamos trabalhando em alguns projetos que ainda precisam tomar mais forma para fazermos o anúncio oficial, e em breve teremos o lançamento do clipe de "Solar Plexus", novamente produzido pelo Studio Kaiowas. E acreditamos que a galera vai se surpreender!

Whiplash.Net: Pessoal, o Whiplash.Net agradece pela entrevista e deixa o espaço aberto para o Kamala fazer seus comentários finais, ok?

Raphael: Ben, gostaria de agradecer a você e ao Whiplash novamente pelo espaço. E convidar todos os leitores a visitarem nosso site, nossas redes sociais, comparecerem nos nossos shows e ficarem ligados nas novidades, pois estamos trabalhando intensamente para trazer sempre novidades para nossos fãs!

Contato:
http://www.kamala1.net
http://www.myspace.com/kmlthrash

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Sobre Ben Ami Scopinho

Ben Ami é paulistano, porém reside em Florianópolis (SC) desde o início dos anos 1990, onde passou a trabalhar como técnico gráfico e ilustrador. Desde a década anterior, adolescente ainda, já vinha acompanhando o desenvolvimento do Heavy Metal e Hard Rock, e sua paixão pelos discos permitiu que passasse a colaborar com o Whiplash! a partir de 2004 com resenhas, entrevistas e na coluna "Hard Rock - Aqueles que ficaram para trás".

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