Opeth: guitarrista fala sobre o "controverso" álbum "Heritage"

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Por Kako Sales, Fonte: Blabbermouth.Net, Tradução
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Mark Holmes, do Metal Discovery, entrevistou o guitarrista Fredrik Åkesson, da banda sueca de Metal Progressivo Opeth, em 12 de novembro, em Nottingham, Inglaterra. Alguns trechos da conversa seguem abaixo.

Metal Discoveery: Inicialmente, houve um certo alvoroço causado pelo (mais recente álbum do Opeth) “Heritage” ano passado, entre os fãs mais antigos do Opeth devido à ausência de vocais guturais, porém as vendas do álbum e os reviews favoráveis não refletiram esse alvoroço. Você acha que algumas pessoas perderam de vista o fato de que o Opeth é genuinamente uma banda progressiva que realmente faz progressos?

Fredrik Åkesson: Eu endendo o ponto de vista dos fãs, mas o (frontman do Opeth) Mikael Åkerfeldt compõe a maioria do material e ele reaslmente sentiu que a banda precisava fazer algo diferente para continuar existindo. Acho que muitos dos fãs provavelmente acreditaram que ele não iria mais tocar nada que fosse Death Metal... O que realmente aconteceu na primeira turnê; não tocamos Death Metal. Mas esse set que vamos tocar hoje à noite, acredito que muitos fãs mais antigos ficarão bastante satisfeitos com ele.

MD: Eu estava no show de vocês em Birmingham, no ano passado, e parece ter havido mais controvérsia por não terem tido músicas com vocais guturais no set do que uma controvérsia com o álbum em si, e você podia escutar a galera gritando: “Toquem algo pesado!”... E foi exatamente aí, na minha opinião, que o pessoal se equivocou, porque algumas das músicas eram bem pesadas, ainda que sem vocal gutural...

: Foi assim durante toda a turnê, e eu tenho orgulho de termos finalizado a turnê e por termos dado um passo atrás, porque agora estamos tocando um set completamente diferente. Acho que isso é o mais longe que você vai quando quer criar um conceito. Mas na turnê atual, tocamos novamente um set sem vocais guturais, quando tocamos na Union Chapel, em Londres.

MD: Vocês foram muito vaiados durante a turnê do ano passado, com o set apenas com vocais limpos?

: Não, acho até que foi bem aceito. Houve alguns incidentes, mais nos Estados Unidos, talvez... Alguns caras gritavam para o Mikael: “Eu te desafio para um duelo!” Oi?! Mas, no geral, a galera que ouve Opeth tem a mente bastante aberta e compreensiva. Ao menos parece ser assim. Muita gente ainda aparece nos shows. Quer dizer, é claro, demora um pouco, eu diria. Quando demos início à turnê “Heritage” nos Estados Unidos, quando o álbum havia acabado de ser lançado, demorou um pouco para a galera digerir o tipo de estilo do álbum.

MD: Você acha que as coisas são sempre da mesma forma com cada álbum do Opeth, porque a música é desafiadora e leva tempo para... gostar, se o álbum foi lançado numa semana e na semana seguinte vocês já estão em turnê, as pessoas ainda não estão familiarizadas com o material, então isso leva um certo tempo?

: Sim, e você pode notar claramente o progresso disso no final da turnê, como três ou quatro semanas depois, as pessoas já curtem mais as músicas porque elas já estão familiarizadas com o material.

MD: Sendo bem-sucedidos como vocês são, você acha que o Opeth ajudou a mudar a opinião das pessoas sobre o que é ser considerada uma banda progressiva no século 21 – ou seja, uma banda que realemente progride ao invés de imitar a si mesma ou a bandas de rock progressivo anteriores?

: Sim, acho que o fato de Mikael ser um colecionador ávido, se ele é capa de várias revistas diferentes é porque ele tem bagagem para falar sobre as bandas antigas das quais ele é fã. Então eu acho que há bastante do Opeth para os quais ele abriu novas portas. Com certeza. E também o estilo do Opeth, se é a isso que você está se referindo, definitivamente é Progressivo, mas ainda é Metal também.

MD: Pois é, é essencialmente Prog Metal. Mas muitas das chamadas bandas de Prog metal apenas imitam outras bandas de Prog Metal, como os clones do Dream Theater e tal. Opeth é uma das bandas, provavelmente uma das poucas bandas que é genuinamente progressiva.

: Sim, e quando estávamos trabalhando em “Heritage”, Mikael compôs algumas músicas no começo em que ele sentiu que estava começando a imitar a si mesmo, então essa foi uma das razões pelas quais “Heritage” surgiu.

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Sobre Kako Sales

Mineiro de Januária, baterista autodidata, cresceu em ambiente familiar ligado à música popular e erudita. Seu pai chegou a fazer pequenas turnês com bandas da Jovem Guarda como tecladista no fim da década de 70. Aos 10 anos, iniciou os estudos de teoria musical e piano clássico. Teve o primeiro contato com o mundo do metal ao escutar o CD Angels Cry do Angra, aos 15 anos. Desde então tem se dedicado a conhecer, colecionar e difundir o melhor do metal brasileiro e mundial. Graduado em Letras/Inglês, principalmente por influência da língua-mãe do rock, tem como principais ícones do metal as bandas Angra, Symphony X, Dream Theater e Opeth.

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