Dave Mustaine: vícios, religião e Jeff Hanemann
Por Fernando Portelada
Fonte: Blabbermouth
Postado em 02 de agosto de 2013
Richard Bienstock do Denver Westword recentemente conduziu uma entrevista com o frontman do MEGADETH, Dave Mustaine. Alguns trechos desta conversa estão disponíveis abaixo.
Denver Westword: Antes do Gigantour, houve uma conversa de que você e Jason Newsted, dois veteranos do METALLICA, iriam se juntar para tocar uma das músicas que você ajudou a compor durante seu tempo na banda, mas isto ainda não aconteceu.
Mustaine: "Falamos sobre isso inúmeras vezes. E eu falei com minha banda sobre isso e eles estavam de acordo. Eu falei todas as músicas que eu me sentia confortável tocando, e também falei a Jason. 'Se você quer tocar baixo, está ótimo. Se quer cantar, está ótimo também.' Então é com ele, mas também teve sua doença, sua pneumonia, e sua banda está de fora das datas canadenses, mas se eles voltarem e quiserem fazê-lo? Cara, eu já estou lá. Eu conheço as músicas [risos]"
Denver Westword: Você e David [Draiman do DEVICE E DISTURBED] são dois músicos que são muito abertos sobre suas crenças religiosas. Isto é muito raro no rock and roll, particularmente no Heavy Metal. O que o motiva a compartilhar esta parte de sua vida?
Mustaine: "Eu acho que é só uma questão de coragem. Você tem de olhar os velhos provérbios. Todos os homens de fé tem coragem e todos os homens de coragem tem fé. Toda guerra, todo grande nome, toda luta, são esses caras que sempre fazem uma oração antes de entrar na batalha. É como a Aposta de Pascal, que eu canto em 'Dread And The Fugitive Mind': É melhor viver sua vida acreditando em Deus e descobrir que ele não existe, do que viver como se não houvesse Deus e descobrir no final que ele está lá. Mas honestamente, para acabar com isso, a religião, ela é uma merda. Para mim, é sobre ter uma crença pessoal [com Deus] e as pessoas não querem fazê-lo porque não querem esta responsabilidade. É quase como estar no AA: Você tem um padrinho que o ajuda a passar pelos dias sem beber. Eu precisei desta responsabilidade para me ajudar a passar pela heroína e meu passado de drogas é bem narrado, mas o engraçado é que muitos dos caras com quem eu ficava chapado, ninguém sabia que eles também estavam fazendo-o, até que isto surgiu depois. E é tipo: 'Você não percebia? Estávamos sentados juntos, ambos parecíamos completamente drogados e você achava que eu era o único?' Mas após analisar toda estas coisas você percebe sabe o que? Não há vergonha nisso."
Denver Westword: Ainda sobre vícios, em maio passado o guitarrista do Slayer, Jeff Hanneman, morreu de uma cirrose alcoólica. Ele também estava lutando contra sua fasciite necrosante advinda de uma picada de aranha em seu braço direito, que ao final o deixou inapto para tocar sua guitarra. Como alguém que lidou com abuso de substâncias e uma vez até sofreu um problema no braço que ameaçou sua carreira, você teve a chance de falar com ele sobre algumas das coisas pelas quais ele passava?
Mustaine: "Não. Infelizmente, Jeff e eu nunca fomos muito próximos. Nós fizemos várias turnês com o passar dos anos, mas nossos acampamentos eram bem separados. As bandas eram como conhecidas no começo, porém isso era mais comigo e Kerry [King, guitarrista que tocou em uma das primeiras formações do MEGADETH]. Jeff sempre foi meio de fora. Era o tipo de coisa: 'E aí, cara, tudo beleza?' quando nos víamos. Além disso, por um grande período de tempo em que o conheci, eu estava em rota de me afastar dos vícios, e eu estava inapto a ficar próximo de pessoas que estavam festejando. E as pessoas sabem sobre o problema de Jeff com a bebida, e é uma infelicidade que isso levou à sua morte. Foi uma falência do fígado. E você sabe, ser mordido por aquela aranha, isso foi algo completamente aleatório. Mas eu acho que Jeff não estava ciente do que estava acontecendo, e usava mangas compridas o tempo inteiro, ninguém viu seu braço, e ninguém, portanto, disse: 'Cara, você tem um problema por aqui'. A coisa triste é que perdemos um cara legal e um poderoso guitarrista. Mas agora o que precisamos perguntar é: O que podemos aprender com isto? Como podemos honrar a memória de Jeff e como podemos usar este triste acontecimento para ajudar nossos jovens a não seguir o mesmo caminho? Então isso tudo me entristece, mas não posso agir como se fossemos melhores amigos, porque não éramos. Foi algo similar com Dime [guitarrista do PANTERA, Dimebag Darell, que foi assassinado no palco em 2004], quando todos começaram a falar sobre a banda após sua morte. Eu não faço isso."
Leia a entrevista completa, em inglês, em:
http://blogs.westword.com/backbeat/2013/07/interview_megadeth_dave_mustaine_denver-westword.php
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