Savages: a selvageria em preto e branco
Por Fábio Gudolle
Fonte: Cogumelo do Zebu
Postado em 21 de maio de 2014
As sensações ao ouvir a banda londrina SAVAGES são várias e complexas ao mesmo tempo. Variam entre satisfação, esperança, energia, introspecção e êxtase.
Reúne todas as características de uma arte sonora que fascina quem gosta do bom e velho rock and roll feito com vigor e dedicação. Personalidade musical agressiva, minimalista, lúgubre, imagem icônica, temáticas cruas e atuação hipnotizante.
Música potente e simples. Direta ao ponto. Sem firulas. Um fusão de JOY DIVISION, DEAD KENNEDYS, SIOUXSIE AND THE BANSHEES, e em certos momentos, QUEENS OF THE STONE AGE. E muito mais sentimento ao invés da técnica vazia. No fim das contas, isso é o que importa.
Os atributos são muitos e mesclados. Uma completude instrumental sólida surpreendente. Guitarras dissonantes que cortam alma; baixo audível e latente; bateria que beira ao militar; e a voz desesperada, suave e gritante no ponto certo. Não se pode tirar nada dali que o monstro se desmorona.
Em apenas três anos de atividade já fizeram um estrago no mainstream. Parece que dedicaram parte de suas vidas somente se alimentando do melhor do punk, do pós-punk, e de uma arte vanguardista; para no momento certo, com acuidade, estourarem a bomba. O palco é o lugar de batalha das Savages. Uma banda literalmente do "ao vivo". As quatro dão o sangue ao tocarem. Como se a Terra fosse explodir ao final da última nota.
São nessas faíscas de genialidade, como as cabeças dessas quatro mulheres, que nos faz sentirmos orgulho de viver para e pela música. E que isso, ao contrario do que muitos acham, não é tempo perdido. O rock está muito vivo e imperioso.
"Silence Yourself" é transgressor e Savages é o que tem de mais requintado no rock atual. Não há muito que dizer e sim muito que sentir.
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