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PRB

Kiss: A depressão de Paul Stanley em 1983

Por Marcelo de Andrade
Fonte: Face the Music a Life Exposed
Em 18/05/14

Abaixo trecho traduzido e adaptado de "Face the Music a Life Exposed", a biografia de Paul Stanley.

Nós tivemos que pagar pelos nossos pecados com o Unmasked e The Elder. Nós voltamos aos trilhos com o Creatures, mas os fãs não nos perdoaram. Levaria um bom tempo para reconquistá-los e ganhar um novo público. Nós traímos nossos fãs e a própria banda e isso não seria fácil de ser perdoado.

Eu amava o status que eu consegui. Eu amava o tamanho da banda e como eu era reconhecido por isso e perder tudo aquilo foi horrível. Horrível. Eu lidava com a minha depressão dormindo. Eu estava tão mal que eu não conseguia manter os meus olhos abertos. Cheguei num ponto onde eu dormia no camarim antes dos shows. Às vezes, eu apagava antes de fazer a minha maquiagem e outras vezes depois de ter me preparado. A nossa equipe tinha dificuldades em me acordar.

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Minha depressão piorou depois da minha separação com Donna Dixon. Ela me dava segurança e tranquilidade. Nós passávamos horas ao telefone. Aí ela me disse que precisava de mais espaço. Eu a disse que se ela quisesse realmente se separar, ela teria que dizer isso na minha frente. Nós nos encontramos e foi o fim.

Eu não sabia se a situação do Kiss havia afetado o Gene. Ele não estava totalmente focado na banda naquela época. Afinal ela sugeriu um coral infantil pro álbum (Creatures) e estava disparando pra todos os lados. Numa manhã, quando o Kiss se preparava para ir a América do Sul, eu dei uma olhada no jornal e uma notinha chamou minha atenção: A atriz Donna Dixon se casou com o ator Dan Ackroyd.

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De repente eu se senti debaixo d´água. Eu mal podia me mover. Eu a telefonei. "Você estava saindo com esse cara enquanto nós nos falavámos?". Ela disse que algo que torcia que eu pudesse encontrar o que ela tinha encontrado. Sem explicações. Sem pedidos de desculpas. Eu desliguei.

A partir dali era um esforço pra fazer qualquer coisa. A depressão me abraçou como um vício. Eu tinha que me cobrar todos os dias: Levante o seu traseiro da cama.

Tudo ao meu redor estava desmoronando. Continue nadando se não você se afoga.

A imprensa parecia se deliciar ao ver o Kiss se degradar. Uma dia, depois de lutar pra sair da cama pra conceder uma entrevista, o repórter me perguntou: Como se sente ao estar no Titanic? Essas pessoas nos olhavam como objetos e esqueciam que eramos pessoas. Outro entrevistador me perguntou como era a sensação de estar morrendo. Eles eram abomináveis. A frieza deles e a alegria perversa não se perdiam em mim. Um dia eu percebi algo ao me questionar perguntas de má fé como aquelas. Ninguém vai me dizer quando isso vai acabar.

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Claro, tudo ao meu redor deu errado. Mas e com relação a mim? E a minha sobrevivência? Só dependia de mim. Como é a sensação de morrer?

Aqueles otários no telefone não iriam decidir se eu fosse vaiado ou ovacionado nos shows.

O Kiss era tudo para mim.

E a partir dali eu jurei que faria de tudo pra continuar vivendo.

O Kiss nunca irá morrer.

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Sobre Marcelo de Andrade

Mora em São Paulo e tem 30 anos. Fanático pelo Kiss e pelo Iron Maiden. Morou em Londres por mais de 7 anos. Seus primeiros discos foram Xou da Xuxa e Trem da Alegria.

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