Megadeth: O amor de Dave Mustaine pela América do Sul

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Por Daniel Molina, Fonte: Rust In Page, Tradução
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Dave Mustaine postou em seu Facebook uma mensagem falando sobre a turnê sul americana e o amor doentio dos fãs do Megadeth nessa parte do Globo, vale a pena, BOA LEITURA!

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Enquanto rumamos para o aeroporto novamente para deixar esse continente e seis países (Equador, Chile, Uruguai, Argentina, Brasil e Colômbia) nós, mais uma vez, saímos com os corações cheios de memórias de nossos irmãos e irmãs - nossa família sulista - e temos apenas mais um país para tocarmos antes que retornemos aos nossos lares e familiares, eu gostaria de repassar os últimos dias na minha cabeça para vocês que não estiveram nos shows daqui.

Em um palavra, amor, é tudo que posso dizer. Amo vocês, nós amamos vocês, e agora o resto do mundo ama vocês também. E a forma como vocês nos amam me faz esquecer que o mundo está pegando fogo no momento. Foi um prazer imenso conhecê-los e ter inspirado a vida de vocês. E agora que começamos a fazer "meet & greets", poder apertar a mão de vocês, abraçá-los, e sim...segurá-los quando vocês estão cheios de alegria é a coisa mais recompensadora do planeta.

Cada país tem um lugar especial no meu coração, assim como nos corações do Shawn, David e Chris, mas mais importante que a beleza dos países, os monumentos que mostramos e as deliciosas comidas que saboreamos, eu costumo avaliar cada plateia pelos shows também. Deixe me contá-los sobre essa viagem.

Quito foi um belo começo de tour, que mesmo os problemas técnicos puderam estragar a noite. Apesar que o voo para Montevidéu no dia seguinte não deveria acontecer, o começo da tour com sorrisos, a cantoria e, sim, o grito cunhado pelos argentinos de "Aguante Megadeth!" tornaram a experiência incrível. Agradeço ao promoter Christian Kramer pelo trabalho fantástico, e pela insistência em tentar nos levar para Montevidéu.

Quando finalmente deixamos o Equador, fomos até o Panamá e de lá para o sul de Santiago, e devo dizer que um fenômeno estranho está acontecendo comigo, onde estou tão familiarizado com a cidade, com a paisagem e com as pessoas, fiz muitos amigos no Chile que sinto que pertenço à esse lugar quando chego lá. Eu sei que falo isso muitas vezes, mas quantas vezes nos sentimos fora de lugar ou preterido quando viajamos?

O show em Santiago não decepcionou e pude finalmente conhecer os caras do Voivod pessoalmente. Acho que as vezes parece besteira dizer "vocês são os mais barulhentos" ou "vocês são os melhores", mas nunca falha. Não importa a rota da tour, a competição amistosa entre os países para ver quem canta melhor, quem faz mais mosh, quem pula o mais alto, quem tem mais bandeiras, quem tem mais presentes, etc, etc...aumenta a cada cidade, até que não existe explicação plausível para tanta adoração.

Tenho certeza que se a tour fosse agendada em reverso, aconteceria o mesmo, mas devíamos ter feito algumas coisas de forma diferente, como Montevidéu. Vocês conhecem o Megadeth e me conhecem, então quando a ideia de cancelar o show no Uruguai apareceu, eu disse, "Não!" antes mesmo da pergunta ter sido finalizada. Mesmo tendo sido uma das viagens mais difíceis que possa me lembrar (e eu sinceramente agradeço minha Megacrew por tolerar as besteiras de agendar essa tour), então rumamos para a costa leste. E foi aí que as coisas complicaram.

Depois do voo maluco para Santiago, quando finalmente chegamos em Montevidéu, tudo que queria era ir para o hotel, tomar banho quente e sair dirigindo para ver os prédios e casas na vizinhança. Minha esposa estava interessada em comprar um casa lá para quando nos aposentarmos, mal podia saber da surpresa desagradável que estava por vir. Quando entrei no veículo no aeroporto, o motorista gentilmente perguntou, "Para o local do show ou para o hote, Senhor Daveed?!" Depois de franzir a sobrancelha, dar um sorriso de insatisfação com a pergunta e tentando esconder minha cara de "O que você acabou de dizer?", eu perguntei a ele, "Por que iria ao local do show agora?" Imaginem minha cara quando ele disse, "O show começa as 20:00, Senhor Daveed!"

Isso foi um flashback cósmico para as datas de tour que o Led Zeppelin fez na época do 'The Song Remains The Same." Agora a paisagem se reduziu a uma corrida horrível para me levar ao hotel para tomar um banho de cinco minutos (como na época de edição física na escola) e ir ao local do show para me preparar para o show e fazer o nosso maravilhoso evento que é o "meet and greet". Foi um começo frenético de turnê, mas nada poderia me preparar para o que estava prestes a ver. Só havia estado no Uruguai uma vez antes dessa, nosso caso de amor começou bem e ficou evidente com os fãs mostrando a maior bandeira que já vimos.

Deixei o palco pensando que nosso grande amor - os argentinos - teriam que fazer de tudo nos shows deles para superar os três shows anteriores. Começamos em Córdoba, onde encontrei meu amigo de longa data, Caesar, e fiquei surpreso ao ver quantas pessoas conhecemos lá e que tinham viajado de outros países para nos ver em Córdoba. Uma cidade muito bonita, que fica bem distante de Buenos Aires, eles superam as expectativas e esse foi o primeiro show que nos fez voltar aos trilhos com nossos espíritos voltando onde nossos corpos estiveram. Fugindo do assunto, a trupe dos Ringling Brothers estava no mesmo hotel que a gente e logo depois de nos vermos, aconteceu um acidente trágico com um dos companheiros deles nos Estados Unidos. Nossas orações e pensamentos positivos para os que se machucaram.

O quê posso dizer da próxima cidade? Nossa amada Buenos Aires. Acho que deve ter alguém na minha árvore genealógica que tem o mesmo sangue dessas pessoas da terra da prata. Desde o momento que as todas do avião tocaram o chão até o momento de ver nosso amigo Gustavo e o promoter Ariel. Comemos bife, tomamos vinho, celebramos a vida e por um momento não éramos americanos e argentinos em um restaurante...éramos um só.

O primeiro show em Buenos Aires foi no mesmo local que nos despedimos dessa turnê da última vez, já que tocamos no Estádio Malvinas pela última vez. Me consider próximo de todos vocês, e quando acho que o local é perigoso, mesmo para as pessoas do país, decidimos tocar em um local diferente. Então foi com grande carinho e pelas grandes memórias que tenho dali, que decidimos adicionar um show a mais, para que nossos droogies saibam que estamos ouvindo vocês. Não apenas ouvimos, mas queremos que o resto do mundo ouçam vocês... e eles ouviram!

Os dois shows na Argentina foram orgásmicos. O barulho ensurdecedor em ambos os shows , os rostos alegres de moças e rapazes se divertindo demais foi o pote de ouro que sempre buscamos. Desde as primeiras notas de Hangar 18 até os últimos passos para for a do palco, ao menos que esteja lá, você nunca irá entender. Volume, presentes, bandeiras...tudo importa para mim, mas há algo nesse país que o faz ser o meu favorito. Plateias mudam e shows não são tão bons quanto foram da última vez, mas sempre me sinto mal quando saio da América do Sul, e começa quando saio de Buenos Aires.

Nossa próxima parade foi ao local onde tocamos na América do Sul pela primeira vez, Brasil. E apesar de termos tocado no Rock in Rio em 1992 diante de 140.000 pessoas, aquele show ficou marcado pela morte trágica de duas pessoas e isso sempre me traz lembranças tristes. Foi também o berço da música "She-Wolf" por causa dos eventos que ocorreram lá. São Paulo é bem diferente do Rio, e apesar de dizerem que tem os melhores lutadores de Jiu-Jitsu do mundo, seja BJJ, Gracie Jiu-Jitsu ou Jiu-Jitsu japonês, não decolou até que o UFC e a família Gracie trouxe esse estilo de arte marcial ao mundo que tornou o MMA famoso como é hoje.

Se você andar pelas ruas de São Paulo, verá uma variedade enorme de pessoas, lugares para comer e algo estarrecedor: de um lado da rua você tem ótimas lojas e do outro, favelas ou um terreno baldio. Tenho dito isso, o show lá foi em um local novo, com lotação esgotada e com os melhores fãs brasileiros que já vi até hoje. Não sei como aconteceu, mas temos os fãs mais intensos e classudos no mundo da música. Nosso promoter Julio Corsario foi fenomenal, e apesar de ter sido mais do mesmo tipo de adoração, foi também uma celebração à música e do nosso relacionamento juntos.

Aqui é onde quero dizer algo importante. Eu sei que digo que amo esse lugar, ou amo aquele lugar, mas eu amo mesmo. E quando digo que temos um "relacionamento", aqueles de vocês que me conheceram pessoalmente, sabe que é verdade. As pessoas não veem o tempo que passamos juntos e não estão lá para testemunhar a alegria de vocês quando vocês me cumprimentam e eu os reconheço, quando a expressão de alegria se acalma e sabemos que somos realmente amigos.

Depois de rumar do Brasil para a Colômbia, ouvimos que eles tinham algo "grandioso" preparado para a gente. Nada poderia ter nos preparado para o quê aconteceria naquela noite. Não me levem a mal, os fãs clubes do Chile, Argentina e Brasil são meus melhores presentes e os países com os quais começamos a nos relacionar são tão ardorosos e fanáticos quanto os antigos. Fora o show de apoio ao Black Sabbath, se levar em consideração os shows que fizemos nos últimos anos, não há mais plateia criativa e artística no mundo.

Permitam-me dizer por que acho isso. Nosso primeiro show nesse local fomos abordados pelo nosso fã clube colombiano e nos foram dados presentes caros e bem detalhados. Não que fossem joias preciosas, não eram... mas era como se fossem. Deram-nos fotos e os presentes atenciosos de sempre, mas também fizeram questão de criar um bracelete como o nome do Megadeth e do fã clube colombiano, e usei na minha mochila até que se quebrou no mês passado. É como sempre digo a minha família, "As pequenas coisas são que me trazem felicidade".

Quando voltamos para a tour de aniversário do "Countdown To Extinction, a coisa mais linda aconteceu. Durante a faixa título do álbum, os fãs, de alguma forma, se organizaram e se coordenaram e seguraram, todos ao mesmo tempo, uma folha de papel com a arte do álbum. Eles haviam combinado de segurar durante a fala da garota japonesa, onde não toco minha guitarra, então quando me afastei estava de costas. Imagine minha alegria quando me virei e vi que a plateia estava segurando arte do "Countdown" durante a música título. Ninguém nunca fez isso. E esse foi um dos poucos pontos altos artísticos da minha carreira, até agora. Até a noite passada!

Quando chegamos, havia bebês pendurados no teto, e a lavadeira estava pendurada no teto também, então pensei, "Essa é a grande surpresa" e fiquei emocionado. Não imaginava o que estava por vir. Durante a música 'Youthanasia' a apresentei e falei que todo esse lance de 20º aniversário foi um pesadelo para a gente, porque ainda não faz 20 anos, mas eu disse "nós amamos vocês e vamos tocar mesmo assim", e começamos a música, Me perdoem por não notar o momento que fizeram, porque olho constantemente para as minhas mãos enquanto toco. Quando eu olhei para cima, a plateia toda estava segurando bebê de papelão, e quase dei um grito enorme de aprovação.

Está tarde e preciso contar ovelhinhas de metal, então nos vemos no próximo capítulo de "Os dias da vida do Dave", desligando tudo aqui.

Love and Bruises,

Dave Mustaine

p.s. Essa carta é o motivo de eu ter removido o post no twitter na volta de Bogotá. Não queria dar dicas.




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Sobre Daniel Molina

Nascido em 79, professor de inglês e tradutor. Conheci o metal e suas várias vertentes através de um amigo do meu irmão no final dos 80, onde em 89 acabei me deparando com Megadeth dentre os vinis que estava ouvindo e foi amor à primeira ouvida, uma paixão que dura 20 anos. Apaixonado por thrash metal, especialmente Bay Area e East Coast mas também aficcionado por NWOBHM, Hard e Death. Com o passar do tempo percebi que o rótulo é o que menos importa e sim o tipo de música que nos agrada, mas apesar de tudo, thrash sempre acima de tudo. Já trabalhei com vários sites, cobrindo shows e fazendo entrevistas mas sempre tocando a Rust In Page por amor ao Megadeth, e hoje além de dedicação total ao meu trabalho salvo bastante do meu tempo para manter a página rolando firme e forte e mantendo os Droogies brazucas informados.

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