Ira!: "Sabe faz, faz muito tempo, faz...", o retorno aos palcos
Por Flávio Fogueral
Fonte: Notícias.Botucatu
Postado em 04 de junho de 2014
Uma discussão colocava fim a uma das bandas de maior influência do rock brasileiro na década de 1980 e 1990. Dessa maneira, o Ira! anunciava em 2007 o final de sua trajetória nos palcos. A desavença entre os integrantes Edgard Scandurra, André Jung, Ricardo Gaspa e o vocalista Marcos Valdão, o Nasi, escancarava o clima hostil que se desenhava nos bastidores.
Foi por causa do pagamento sobre o uso do direito da imagem da banda que a briga era evidente. O empresário da banda Artur Valadão chegou a pedir interdição judicial de Nasi . O grupo estava em turnê do álbum "Invisível DJ". Nasi não subiria mais aos palcos e os membros restantes, tentaram levar adiante os shows. Mudança até no nome da banda, que se referia apenas como Trio. A receptividade do público foi adversa e forçou o fim definitivo dos músicos ‘irados’.
Após um hiato de sete anos, projetos e carreiras em separado, a reconciliação acontece. No final de 2013, Nasi é convidado pelo guitarrista Edgard Scandurra para uma apresentação beneficente. Naquele momento as desavenças e mágoas pareciam ter sido deixadas de lado. Semanas depois os dois membros originais anunciam o retorno do Ira! (mas sem Gaspa e André Jung), e com os músicos Johnny Boy- que acompanhou a banda em algumas turnês e álbuns lançados-, Daniel Scandurra (nos baixos) e Felipe Maia (na bateria).
A terceira apresentação deste retorno, que leva o nome de "Núcleo Base" foi em Bauru, na madrugada de 1º de junho, durante a Virada Cultural Paulista. O público presente no Parque Vitória Régia levantou ao som de Longe de Tudo. Na sequência, clássicos como "Gritos na Multidão", Envelheço na Cidade" e "Eu Quero Sempre Mais" dividiram o setlist com músicas que fizeram sucesso antes do final do grupo como "No Universo dos Seus Olhos" e "Flerte Fatal".
Edgard Scandurra e Nasi se sentiam à vontade no palco. Os músicos de apoio deram um diferencial ao show impondo mais peso e ritmo a cada música. Esse foi o tom da apresentação do novo Ira! ao público após o fim traumático.
Em entrevista, o guitarrista Edgard Scandurra frisa que o período de separação proporcionou amadurecimento tanto a ele quanto a Nasi. Os projetos paralelos também vão contribuir em influência para um novo trabalho que tem sido planejado para o próximo ano.
Esses sete anos separados mudaram a postura da banda?
Edgard Scandurra- Hoje em dia a gente vem mais maduros justamente por essa separação de sete anos em que cada um cuidou de suas próprias carreiras com trabalhos positivos e pontuais, que foram incríveis (Scandurra participou de turnês com o ex-titã Arnaldo Antunes e Nasi lançou três discos solo). Isso libera um oxigênio suficiente para se pensar no retorno da banda. A gente percebia a saudade do público que tinha uma carência de rock and roll, além da nossa vontade de retornar e tocar nossas músicas e encontrar de novo as pessoas e esse foi nosso terceiro show.
A ideia sobre o retorno da banda já estava sendo pensada?
Edgard Scandurra- Na metade do ano passado o Nasi e eu fizemos as pazes e aí teve um show beneficente que produzi em que ele se apresentou como voluntário. A partir daí começamos a ter essa ideia, um embrião que resultou nessa nova formação e na turnê que estamos fazendo até setembro. Há um projeto maior de shows e talvez até um disco.
Futuramente os fãs podem esperar um novo trabalho…
Edgard Scandurra- … estamos compondo.Já temos uma música que tocamos aqui em Bauru e ainda há outras que estão cruas, mas que a banda está aprimorando, ou seja, estão no 'laboratório'.
Tanto você quanto o Nasi mostraram carreiras solo consolidadas e com muitas parcerias. Até que ponto este retorno interfere no trabalho pessoal?
Edgard Scandurra- O Ira! tem uma procura muito grande de show e isso pode reduzir meus projetos solo. Mas não vamos parar. A banda sai pra estrada de quinta a domingo praticamente e temos os dias que restam para nossas parcerias. Estou produzindo um disco novo com a cantora Sílvia Tape, que tem um projeto independente em São Paulo. E tenho um material para lançar ano que vem. A gente não sabe como, porque o CD já era!
Durante o show você falou que estavam em extinção por ser uma banda de rock. Quais ‘espécies em extinção’ ainda tem ouvido?
Edgard Scandurra- Ouço The Jam, The Who e até do próprio Ira!. Há músicas que percebo uma certa ingenuidade, algo de uma época que hoje não existe mais. Mas reconheço que e um trabalho maravilhoso, vigoroso.
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



A canção do Iron Maiden que arrepia Bruce Dickinson; "genial"
O melhor disco dos anos 80, segundo a Classic Rock
Nergal anuncia que o Behemoth suspenderá atividades em 2027
O álbum do Guns N' Roses que Axl Rose queria superar; "Quero crescer como artista"
Jimmy Page renega o álbum apontado como seu favorito do Led Zeppelin
Banda venezuelana Van Der Dijs perde todos os integrantes em terremoto
Em clima de Copa do Mundo, Angra lança videoclipe da releitura de "Pra Frente Brasil"
Mike Portnoy - o melhor baterista de todos os tempos, segundo Edu Falaschi
A única banda em que Geddy Lee entraria "sem pensar duas vezes"
Com Roger Daltrey e Eddie Vedder, Best of Blues and Rock 2026 confirma atrações
Por que Iron Maiden nunca será grande como Metallica, segundo Bruce Dickinson
Quando Geezer Butler descobriu o tamanho da influência do Black Sabbath
O gigante do jazz que impressionou Angus Young; "um dos maiores músicos de todos os tempos"
Clássico do Led Zeppelin supera 1 bilhão de plays no Spotify
A lenda do rock que Lou Reed odeia: "Pessoa mais sem talento que já ouvi na vida"
A opinião de Edu Falaschi sobre Raimundos, Charlie Brown, Skank e Pitty
Roadrunner: os 50 melhores frontmen de todos os tempos
Gilby Clarke: Axl Rose nem falava diretamente comigo


10 músicas de rock nacional dos anos 1980 que ainda estão na memória afetiva do brasileiro
Assista ao "Sons de SP: Rock" documentário da TV Globo sobre o estilo musical
A vergonhosa prática atual que faz críticas a gravadoras perderem sentido, segundo Nasi
O clássico imortal do rock que fez Charles Gavin mergulhar de cabeça no mundo da música



