Runaways: Jackie foi estuprada e hoje tem que lidar com os haters
Por Bruce William
Fonte: Loudwire
Postado em 13 de julho de 2015
Jackie Fox, ex-baixista da Runaways, falou sobre a matéria publicada recentemente pela Huffington Post que descreve com certa riqueza de detalhes o abuso sexual que ela sofreu em meados dos anos setenta, tendo como agressor o empresário da banda, Kim Fowley (veja detalhes no link abaixo).
Veja a seguir a tradução adaptada das palavras de Jackie:
Tenho sido incrivelmente elevada às alturas nos últimos dias pela quantidade de amor e apoio que se seguiu à história do abuso sexual que sofri no Ano Novo de 1975/6.
Quando falei com o Huffing Post no começo do ano, nunca imaginei que minha história causaria tão grande celeuma. Imaginava se alguém fosse ler ou se importar, e a reação me pegou de surpresa.
Não foi uma história fácil de contar, tive que reviver detalhes da pior noite de minha vida, não apenas uma mas várias vezes. O autor do texto, Jason Cherkis, e outros da equipe do Huffington Post checaram várias vezes meu relato, eu e minha família abrimos sem reservas nossos arquivos para Jason, que teve acesso à anotações privadas e pessoais. Ele conversou com pessoas que eu não vejo há anos, tanto pessoas que não gostam de mim quanto as que gostam. Falou com cada pessoa que se tem notícia que estava presente na noite que aquilo aconteceu, exceto uma delas. Falou com amigos que perdi contato, outras que sinto muita falta. Tive sérias dúvidas sobre tornar tudo público, não sabia como isto afetaria minha família, como meus amigos passariam a me ver, se a partir disto eu sempre seria conhecida como "a garota daquela banda que foi violentada".
Achei que estivesse preparada para os haters - eu estava enganada. Fiquei chocada com algumas críticas, mais ainda pelo fato que quase todas foram feitas por outras mulheres. Mas suas reclamações foram sufocadas pelas mensagens de apoio de mulheres que respeito e admiro. E além disto teve também as mensagens privadas, uma quantidade imensa de pessoas que me relataram suas histórias pessoais de abusos e violências que sofreram que me partiram o coração, sendo que muitos me disseram que nunca compartilharam a história com outra pessoa, ou que até chegaram a contar mas ninguém acreditou. Mas eu ter relatado minha história lhes dá uma esperança que as coisas mudem, e outros passaram a ver seu drama entendendo que infelizmente vivenciou uma situação onde as pessoas nada fazem por causa do Efeito Bystander (N.do tradutor: conhecido também como síndrome Genovese ou Efeito Espectador, quando várias pessoas presenciam algum acontecimento trágico ou violento mas não oferecem nenhum tipo de ajuda para a vítima ou as vítimas). Como disse uma pessoa que me escreveu, por minha causa ela percebeu que as pessoas que estavam presentes também eram vítimas, seu comportamento não significa que eu merecia o que passei, mas sim que elas tinham medo e não sabiam o que fazer.
Também sei que muitas pessoas que viram o drama online se sentiram desencorajadas pela ausência de apoio que recebi de minhas colegas de banda. O que posso dizer é que eu espero que nunca passem pelo que passei, foi traumático para todos, não apenas para mim, e todos tiveram que lidar com o trauma do seu próprio jeito. Foi necessária uma coragem excepcional de muitas testemunhas para falar abertamenta sobre como se sentiam. A maioria me pediu desculpas pela falta de atitude daquela noite - desculpas que não eram necessárias, mas são bem vindas.
Minha experiência também deixou marcas em Victory (Vicky Blue, que sucedeu Jackie em 1977 na banda), além de pessoas que apenas vivenciaram indiretamente o que aconteceu naquela noite. Não tem sido fácil ouvir o que dizem sobre o modo como a banda me tratou depois que eu saí, algo que eu não sabia na época. (Nota do tradutor: Vicky disse que quando entrou as demais integrantes se referiam ao episódio dizendo que "Kim havia traçado a Jackie como um cachorro"). Tudo o que posso dizer é que minhas colegas de banda eram jovens que presenciaram algo criminoso e trágico. Não tenho dúvidas que lidaram com aquilo da melhor maneira que puderam. Elas não tinham nenhum adulto responsável que as pudesse orientar - apenas um estuprador e seus defensores.
Se há algo que me desapontou é que a história se tornou palco de disputa para apontar sobre quem sabia o que e quando aconteceu e quem não sabia. Não é esta a questão. Seria interessante se todos que estiveram presentes pudessem relatar como isto os afetou no decorrer dos anos. Mas se não querem falar sobre o assunto eu respeito a decisão. Levei anos para conseguir falar sobre aquilo sem me sentir envergonhada.
Apenas gostaria que se minhas ex-colegas de banda não possam se lembrar do que aconteceu aquela noite - ou se a recordação delas é diferente - elas simplesmente digam isto. Ao afirmar que se tivessem me visto sendo abusada sexualmente elas teriam feito isto ou aquilo, elas perpetuam o mito que estou tentando desfazer ao contar minha história. Ser uma espectadora passiva não é um crime, todos já passamos por isto em algum ponto de nossas vidas. Para termos alguma esperança que tragédias como esta possam ser evitadas, precisamos parar de duvidas dos que acusam e passar a enquadrar os que violentam, abusam e intimidam. O que não precisamos é de alguém para apontar o dedo acusando quem não tem culpa sobre seus atos.
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