Rush: Donna Halper - a radialista que descobriu o Rush
Por Tânios Acácio
Fonte: Portal Rush Brasil
Postado em 08 de maio de 2017
Em 1974, o empresário do Rush - Ray Danniels - procurava insistentemente por alguma gravadora interessada no power-trio, mas encontrava imensas dificuldades. Sem êxito em terras canadeses, a trajetória da banda iniciou em Cleveland, nos Estados Unidos, quando a Dj Donna Halper da rádio WMMS 101 FM que tinha recebido uma cópia do álbum, percebeu que a música "Working Man" era perfeita para o cenário "caótico-industrial" da cidade, em que as pessoas trabalhavam excessivamente, e portanto, resolveu tocar a música em seu programa.
Os telefones começaram a tocar e os ouvintes pediam informações à radialista: "onde posso comprar esse álbum do Led Zeppelin"? Donna Halper precisou explicar muitas vezes que aquele som era na verdade de uma promissora banda canadense. Pouco tempo depois, o Rush conseguira seu primeiro grande contrato com a Mercury Records e desde então, o Mundo do Rock agradece diariamente à Donna Halper por ter dado uma chance ao maior power-trio da história (ainda que sem a formação com o professor Neil Peart naquele momento).
A senhorita Halper é indubitavelmente uma das pessoas quem mais conhecem profundamente a carreira de sucesso de Alex Lifeson, Geddy Lee e Neil Peart e adora conversar com fãs pelo Facebook. Ela já havia concedido uma entrevista aqui no Whiplash em 2012 e agora concedeu uma entrevista para o Portal Rush Brasil que ficou tão grande que foi preciso dividir em duas partes. Conseguimos autorização para publicar 3 perguntas e as demais, você pode conferir direto no Portal Rush Brasil:
PRB - Na cerimônia de 2013 do Rock n roll of Fame em que o Rush recebeu a homenagem com o discurso de David Grohl, vimos ele dizendo: "sem modinha, sem fazer besteira, o Rush conseguiu de baixo para cima (...) sem nenhum tipo de ajuda da imprensa que dita tendências: Rolling Stone (tosse, tosse, tosse). Foi uma tossida direcionada para uma revista, mas é claro que significou para muitos opositores do Rush. Gostaria que você comentasse sobre os críticos do power-trio e o posicionamento seguro da banda perante ao fãs para esse tipo de questão.
DH - Durante muitos anos, havia um grupo de críticos musicais que odiavam o Rush, que insultava sua música, fazia piadas sobre a voz de Geddy e até mesmo dizia que a banda não tinha talento. Isso, é claro, foi ultrajante: é verdade que o primeiro álbum de Rush foi muito básico, mas depois disso, eles continuaram fazendo um trabalho incrível e criativo. Mas esses críticos mais antigos tinham desprezo pelo Rush, e alguns tentaram manter a banda fora do Rock & Roll Hall of Fame. Os rapazes me disseram que não se importavam, mas no fundo eu tenho certeza que eles ficaram frustrados porque o Rock Hall não lhes mostrava nenhum sinal de respeito. (...) Um novo grupo de críticos musicais tomou seu lugar, e desde que eles cresceram ouvindo a banda, eles se tornaram fãs. Muitos escreveram críticas favoráveis e elogiaram o Rush pelo seu talento e longevidade e esses críticos não tiveram nenhum problema em votar para que eles entrassem no Rock Hall. Então, a história teve um final feliz!
PRB - Sendo Neil Peart inquestionavelmente uma referência literária em crônicas de viagem, porque não vemos estudiosos falando sobre sua obra?
DH - Mas nós vemos, embora não tanto quanto alguns de nós gostaríamos. Existem vários livros que analisaram as letras e a filosofia da música do Rush (e as letras de Neil). Mas fazendo justiça aos professores e estudiosos, eles não estão intencionalmente ignorando Neil. Na verdade, existem muitas bandas de rock que nunca são analisadas ou escritas por estudiosos. Infelizmente, ainda há uma crença de que a música rock é apenas "cultura pop" e não é um assunto adequado para o estudo acadêmico.
A banda mantém uma identidade ao longo desses 40 anos. Se formos dividir a carreira da banda em fases, veremos heavy, prog rock, new wave com sintetizadores, etc, etc etc, bem no final ainda é Rush. Quero dizer, rótulos nunca se encaixam bem quando tentamos descrevê-los e eu sempre tive a sensação que se deixássemos Alex, Geddy e Neil em um quarto com objetos aleatórios como: latas, canivetes-suíços e galhos de árvores, eles iriam sair de lá e nos entregar uma canção brilhante com a marca "Rush". Como eles podem fazer isso? Isso é um quase que um dom coletivo de "Macgyvers".
DH - Na verdade, trata-se de criatividade e visão. Neil foi escolhido, não apenas por sua habilidade com a bateria, mas por sua habilidade com palavras e sua capacidade de escrever letras inteligentes e provocadoras. Neil criou conceitos novos e excitantes, e então os rapazes colaboram para encontrar a música certa (às vezes é o contrário - Alex ou Geddy pensam em alguma ideia musical, e então Neil cria as palavras certas para ela). Neil adora livros - ele os escreve, mas também os lê. Ele é como um poeta em sua capacidade de escolher as palavras perfeitas para uma canção - ele usa metáforas e símiles lindamente e pode pintar um quadro com palavras. Isso é um dom que nem todos têm.
Leia a matéria completa no link abaixo.
https://www.portalrushbrasil.com/entrevista-com-donna-halper-intro
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