Mike Portnoy: "Quem eu me tornei quando era um alcoólatra"

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Por Carol Manzatti
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Mike Portnoy lutou muito contra um grande problema em seu caminho: o álcool. Muitos músicos enfrentam problemas com drogas e álcool, muitos influenciados apenas pela pressão da fama, porque faz "parte da pose de rockstar". Mike teve uma trajetória muito dolorosa que culminou em alguns anos de problemas e luta em sua vida, prejudicando sua carreira. Em entrevista, ele conta um pouco sobre essa luta:

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"Eu era um alcoólatra responsável no começo, digamos. No início era algo que eu conseguia esconder. Não era um bêbado ou drogado (viciado) porque eu não dependia disso, não funcionaria de maneira responsável se eu fosse assim. Eu só abria minha primeira cerveja no fim do show. Depois que o trabalho acabava, é que eu ia tomar umas e ficava até as 4 da manhã nisso, mas ou dentro do ônibus de turnê ou na privacidade da minha casa. Então, passei de 'não vou beber até o fim do show' para 'não vou beber até o bis', não vou beber até o solo do teclado, não vou beber até que a banda de abertura começasse. Fui encurtando o tempo que eu me segurava pra não beber, fui começando a não me manter tão responsável quanto antes, não me segurava até o momento em que eu iria beber algo, foi ficando cada vez mais cedo a necessidade".

Lembrando um show do DREAM THEATER no Texas, quando estava completamente bêbado no palco, ele diz: "Eu fiz um discurso no microfone, tropecei em uma das peças da bateria e errei a música Pull Me Under, que eu podia tocar de olhos fechados. Podia tocar essa música até nos meus sonhos. Minha esposa me levou para o ônibus depois do show, e foi um desses momentos de clareza onde percebi que esse hábito de beber estava começando a atrapalhar minha vida pessoal e profissional. Eu nunca tocava "fodido", aéreo, bêbado, mas eu percebi que estava cruzando a linha nesse momento".

Falando sobre como ele usou seu problema com o álcool e enfrentou seus demônios para fazer música, ele diz: "Eu sempre escrevi letras sobre acontecimentos e situações da minha vida, e sendo essa luta pela sobriedade e os passos a seguir que eram uma parte tão grande do que eu estava passando, inevitavelmente escrevi sobre isso. Criei a Twelve Step Suite por isso. Pra me libertar, pra poder falar sobre meu problema e a luta que é. Foi terapêutico escrever sobre as etapas publicamente. Foi como um 'agora posso seguir em frente'. É claro que eu fiz corretamente os meus passos com o meu padrinho (quem vai ao alcoólicos anônimos tem alguem que o ajuda, esse se chama padrinho), eu estava indo a reuniões todos os dias, mas escrever sobre isso realmente foi a melhor maneira de me tratar definitivamente. Então eu escrevi sobre os 3 primeiros passos em uma única música."

"Comecei pela Glass Prision. A letra é sobre sair das trevas em que você entra quando está na pior e se render. A linha de abertura da música é rápida, poderosa. Ela da uma sensação que qualquer um que esteja nessa fase de reabilitação consegue se identificar emocionalmente. Eu era capaz de levar o conceito de escrever sobre os passos muito a fundo, eu tinha ideias de como as músicas podiam se unir, escrever sobre os 12 passos em uma única música seria impossível. É um processo tão amplo. Achei que seria uma boa ideia começar com as três primeiras etapas e, em seguida, torná-lo um processo contínuo nos próximos álbuns e transformá-lo em uma grande peça conceitual. This Dying Soul é sobre os passos quatro e cinco (a continuação). Olhando pra si mesmo, refletido no espelho. Essa provavelmente é a letra mais sombria. The Root of All Evil, que é sobre os passos seis e sete, é sobre se entregar e deixar a dor ir embora e os passos oito e nove, são sobre arrependimento e reflexão, que são contados em Repentance. Minha saga termina com The Shattered Fortress, lidando com os passos 10, 11 e 12, uma música libertadora posso dizer, a energia dela me faz sentir bem."

Falando sobre o porque dessas composições, Mike diz: "Minha intenção com essas letras nunca foi "pregar" nada a ninguém, ditar o que se deve fazer. Era realmente apenas para eu ajudar a mim mesmo, mas é ótimo poder ajudar outras pessoas nesse processo. Com qualquer boa letra sobre qualquer assunto, a beleza da arte para qualquer músico é poder atingir alguém de forma positiva com as letras. Eu conheci fãs que me disseram que estavam lutando, e essas músicas os levaram ao programa de reabilitação. Eles ficaram sóbrios e conseguiram colocar a vida de volta ao lugar, isso é surpreendente, o poder que a música tem".

Ele fala também sobre sua fase atual: "A primeira coisa que vem à mente (depois de ser grato por comemorar 50 anos) é que, graças a Deus eu consegui mudar minha vida e estar aqui para meus filhos e minha família, meus amigos e fãs. Eu olho para John Bonham e Keith Moon, dois dos meus heróis que morreram em uma idade tão prematura da vida, por causa desta doença (sim, o alcoolismo é uma doença, que muitos não conseguem ter força pra se libertar) e agradeço que eu consegui sair daquela prisão.

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Sobre Carol Manzatti

Ex-baterista, cozinheira, apaixonada por rock'n'roll. Viveria da música se possível, mas ainda não foi aceita no Iron Maiden, então seguirá só escrevendo sobre bandas. Fã do Darth Vader.

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