Tony Martin: O que o deixa com raiva na indústria musical?
Por Nathália Plá
Postado em 15 de junho de 2018
Tarja Virmakari, do Metal Shock Finland, entrevistou em 2011 o ex-vocalista do BLACK SABBATH Tony Martin.
Black Sabbath - Mais Novidades
Metal Shock Finland: Tony, você tem 45 anos de experiência no music business, e ainda tem aquela chama acesa dentro de você. Diga-me, qual seu segredo para mantê-la viva?
Tony Martin: Eu sou músico desde os sete anos de idade e não consigo tirar isso de mim. Tenho treinamento em várias coisas, desde eletricista até encanador! Eu já até trabalhei numa sex shop, hahaha!!! Aquilo foi hilário!!! Mas a música é o que me manteve e aquilo do que consegui viver de alguma forma. Nunca fez de mim um milionário e jamais fará, mas a maior parte da minha vida adulta eu estive envolvido com isso de um jeito ou de outro.
Metal Shock Finland: Falando sobre o music business de hoje em dia, há alguma coisa que te deixa com raiva? E se pudesse, você mudaria algo?
Tony Martin: Ah, bem, claro! Se você for pensar, o artista é a PRIMEIRA pessoa na cadeia. Nós COMPOMOS as coisas com que TODOS os demais ganham a sua vida com elas. Produtores, empresários, selos, gravadoras, imprensa... TODOS eles vivem às custas do que criamos mas somos os ÚLTIMOS a receber. Somos a mesma pessoa! Todas essas pessoas recebem sua fatia e porcentagem e salário, que eles AINDA recebem, mesmo apesar de haver bem menos dinheiro na indústria, o que deixa o artista com nada. Isso tem de mudar, tudo, mas tem de começar com os músicos e artistas. Em primeiro lugar, parar de trabalhar de graça. Isso não ajuda em nada... Parar de ficar dando música de lambuja... isso não ajuda... E começar a mudar os contratos e porcentagens que damos. Os selos NÃO SÃO a resposta, não hoje em dia, quando tem tanta coisa à disposição do indivíduo. Nós nunca tínhamos acesso ao mundo quando eu tive meu primeiro contrato com um selo. Nós PRECISÁVAMOS dos selos, mas não agora. Eu honestamente acho que eles são um obstáculo para muitos de nós. É hora de repensar e tomar de volta o valor do que criamos. A música é uma arte sem valor hoje em dia; não há valor nela. Eu fui até a advogados para tentar descobrir por que nós, como criadores e fabricantes, não temos os mesmos direitos que os outros. Eles podem esperar um piso de preço pelo que eles fazem, mas nós não. Parece que o mundo não gosta do preço que colocamos, e nós, como grupo, devíamos ter nosso próprio mecanismo que devia nos proporcionar direitos básicos – contratos – mas eles são inúteis hoje na era dos downloads. Assim que o artista mudar a forma que trabalha ele vai mostrar ao público o VALOR do que eles tiram de nós, em comparação é o meu ponto de vista.
Tome por exemplo ir ao cinema – você vai ver um filme e paga 10 pratas. Você vê o filme e deixa suas dez pratas lá! Se você quiser ver de novo, VOCÊ PAGA DE NOVO!! Não é assim com a música. Uma vez que você adquire a música, é sua PRO RESTO DA VIDA! Você não tem de pagar a cada vez que põe ela pra tocar. E AINDA ASSIM tem gente que acha que é caro demais. Bem, isso é uma grande bobagem! Também houve o tempo em que conseguíamos tirar dinheiro com shows, mas NA MINHA EXPERIÊNCIA, nos últimos cinco anos, nós agora temos de pagar a um PRODUTOR só para estar lá e vender, e eu tive de pagar tudo entre 20 e 50 por cento da mercadoria! Então isso não é muito atrativo. MUITAS coisas têm de mudar, e eu poderia continuar falando por semanas.
Leia outros trechos da entrevista no link abaixo.
Comente: E você? O que o deixa com raiva na indústria musical?
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Dez guitarristas que David Gilmour, do Pink Floyd, elogiou ao longo dos anos
Scorpions confirma primeiras datas na América Latina em 2027
As músicas que Steve Harris, do Iron Maiden, se recusava a ouvir no carro
A coisa no Iron Maiden que só Bruce Dickinson faz bem, segundo Steve Harris
Lost Society conclui sua transformação em "Hell Is a State of Mind"
O disco do Black Sabbath que todas as faixas são "mágicas", segundo Rob Halford
Joey Belladonna, vocalista do Anthrax, é detonado por performance do hino americano
A música do Queen que Brian May quase proibiu de ser usada em propaganda; "Eu gosto de dinheiro"
Rachel Bolan reafirma que o Skid Row nunca se reunirá com Sebastian Bach
Os 50 melhores álbuns de thrash metal da história segundo os leitores da Metal Hammer
Jairo Guedz conta o que ouviu de Andreas Kisser sobre sua saída do Sepultura
Chuck Billy, do Testament, corta os cabelos compridos e mostra novo visual
Confessori traz um trabalho moderno, técnico e ambicioso em seu álbum solo de estreia
Por que o Iron Maiden deixou as feras mitológicas de lado, segundo Janick Gers
Scott Ian considera AC/DC com Bon Scott "a melhor banda de todos os tempos"
Como James Hetfield, do Metallica, ajudou a mudar a história do Faith No More
A canção "anti-Stones" que os Stones não queriam gravar e se tornou um de seus grandes hits

O momento em que Tony Iommi percebeu que Ozzy Osbourne tinha que sair do Black Sabbath
Quando Tony Iommi mentiu sobre o som do Black Sabbath e isso trouxe reclamações
O álbum que Ozzy Osbourne queria gravar antes de morrer, segundo Zakk Wylde
O clássico do Black Sabbath inspirado pela iminência de uma guerra nuclear
A curiosa reação de Ozzy Osbourne ao conhecer Axl Rose, segundo Zakk Wylde
Jorn Lande gosta de dois dos álbuns mais criticados do Black Sabbath
A mensagem que Ronnie James Dio quis passar em "Stand Up and Shout"
A banda de heavy metal que Josh Homme ama, mas não quer imitar de jeito nenhum
Seguidores do Whiplash.Net elogiam a "fase Tony Martin" do Black Sabbath
Black Sabbath: O acidente que tirou as pontas dos dedos de Iommi



