Neil Young: Celebrando a arte e a vida em autobiografia

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Por Fabrício Luíz Vidal
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Sentado à penumbra do palco, dedilhando um velho Martin e tocando gaita. Ora sussurra sobre abandono, ora canta sobre amores. Cena típica de uma apresentação de Neil Percival Young, músico canadense que no auge dos seus 72 anos continua produtivo e visionário, envolvendo-se em projetos e causas que extrapolam a campo da música e não muito raro adentram no viés socioambiental. Embora haja algumas rugas e cabelos brancos, a assiduidade de Neil continua tanta que o seu sobrenome acabou se tornando uma combinação perfeita de seu estado de espírito.

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Os 58 anos de carreira do músico certamente renderam além de canções atemporais, boas histórias, protagonizadas por paixões, desilusões, conquistas, bons amigos e alguns arrependimentos. E tudo está escrito agora em um livro de 408 páginas, escrito pelo próprio Neil e publicado em português pela editora Globo Livros.

Embora de fato trate-se de uma autobiografia, a narrativa escolhida por Young não é tradicional. Não espere linearidade cronológica durante a leitura do texto. Com a proposta de ser mais intimista, o livro é dotado de aspectos da vida cotidiana de Young, servindo de gatilho para as histórias do passado; desde sua infância em Winnipeg (região central do Canadá), suas lembranças com os pais, os problemas com a poliomelite quando criança, as primeiras bandas (The Squires e The Mynah Birds), o sucesso com a Buffalo Springfield e Crosby, Stills & Nash até a sua trajetória com a Crazy Horse e como artista solo.

O modo como a leitura flui no livro se assemelha à música de Young através dos anos: simples e sincera e isto é percebido em alguns momentos. Na época, escrito em 2011, Neil julgou estar sem inspiração para escrever canções. Segundo ele até aquele momento a "musa" (termo usado para se referir à inspiração) ainda não lhe havia abençoado e entre as pausas das turnês e gravações, escrever um livro seria uma boa alternativa para gerar receita. -Sincero, não?!

Recusando-se a aceitar a ajuda de ghostwritters, Neil decidiu escrever sozinho todo conteúdo do livro, e levando em conta a sua inexperiência, foi bem-sucedido nesta empreitada, talvez por influência do seu pai Scott Young, um conhecido colunista e escritor canadense.

Infelizmente a tradução do livro não é das melhores e acaba sendo um destaque negativo em meio a um conteúdo tão convidativo. Não são poucos os momentos em que deslizes como "harpa elétrica" e "pedal de baixo de bateria" podem incomodar até mesmo o leitor menos exigente.

É interessante notar o respeito com que o músico aborda o passado, reconhecendo os eventos ligados a ele como uma base sólida de constante aprendizado e mudanças, evitando fomentar antigas desavenças conhecidas (ou não) pelo público. Aqui somente há espaço para as memórias e recordações de uma vida, no que o Los Angels Times destacou como "uma meditação de fluxo de consciência" em que as páginas ainda são poucas para celebrar a sua arte, a vida, família e os bons companheiros que vivos ou não, são sempre lembrados com afeto ao final de cada menção.




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