Slow: Guitarrista relembra os tempos sombrios da ditadura
Por Maicon Leite
Fonte: Maicon Leite
Postado em 08 de agosto de 2019
Press-release - Clique para divulgar gratuitamente sua banda ou projeto.
O trio porto-alegrense SLOW está divulgando o álbum "Lágrimas de Ícaro", apresentando composições do início da banda, na década de 1980, época em que a ditadura instaurada no Brasil obrigava os músicos a passar suas músicas pelo crivo da censura. Lauro Levandowski (guitarra/baixo e vocal), um dos remanescentes daquela fase, relembrou alguns fatos que fizeram parte da carreira da banda naquela primeira metade de década, quando o Heavy Metal no Rio Grande do Sul dava seus primeiros passos. Formada nos idos de março de 1980, a SLOW passou pelos mesmos problemas da maioria dos músicos da época: não tinha equipamentos decentes e tocavam em qualquer lugar. Instrumentos como um violão serrado ao meio que virou uma "guitarra", uma bateria improvisada com surdos, tarol e pratos e um piano elétrico, os jovens músicos deram o pontapé inicial do que viria a se tornar uma das primeiras bandas de Heavy Metal gaúchas. Após algumas melhorias, tudo iria ficando mais profissional e as primeiras composições foram criadas, assim como shows em Porto Alegre.
Ouça "Lágrimas de Ícaro" no Spotify:
Já em 1983, Lauro recorda que "falar deste ano é difícil, até pelo número de coisas que aconteceram. Tivemos o trabalho terrível de em meio à ditadura, registrar cada música, enviar letra e gravação, isso sem falar em reservar um teatro por duas semanas...". O guitarrista se refere ao Teatro do IPE, local que abrigou dezenas de shows na época, e que era carregado de burocracia, afinal, já haviam tocado em diversos colégios de Porto Alegre e foi tudo muito fácil. "A diferença para os dias atuais é que no caso destes shows tinha todo um clima de ordem imposta por medo. As leis continuam as mesmas para coisas graves. Mas o clima que me refiro é de desconhecimento que podíamos ter mais liberdade. No caso da temporada no Teatro do IPE foi outro cenário. O pessoal da administração se surpreendeu quando eu e o Leandro fomos até lá para alugar o teatro por duas semanas. Achamos legal eles aceitarem, mas depois veio uma burocracia terrível para nós com apenas 18 anos. Todos os integrantes tiveram que se registrar na Ordem dos Músicos do Brasil. Depois gravar as músicas em fita K7 e encaminhar com as letras para a censura federal, levou cerca de dois meses para finalizarem as músicas no ECAD. Uma espera interminável para jovens sedentos por música."
Entretanto, uma das músicas, "Demonólotra", foi barrada pela censura por ser ofensiva. Lauro conta que poderia ser pior: "Na época TODOS tinham pavor do fiscal do ECAD. Se ele "batesse" em algum bar e pedisse carteirinha de músico e se alguém da banda não tivesse não podia tocar. Em bares que tocamos, como o Rocket 88, o fiscal não apareceu, mas era comum a galera se ferrar. Nas apresentações no Teatro do IPE o ECAD não apareceu, somente a Brigada Militar, mas a administração estava lá e comunicou a legalidade do evento. A liberdade te permite ser criativo. Como ser criativo se já partir do princípio que algo pode ser censurado? É essa a liberdade que não tínhamos.".
Ouça a versão original de "Incubus e Sucubus", de 1983 e considerada um dos grandes clássicos da banda.
Ouça a versão original de "Demonólotra", censurada em 1983.
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Sepultura anuncia título do último EP da carreira
A banda punk que Billy Corgan disse ser "maior que os Ramones"
Os 15 discos favoritos de Bruce Dickinson, vocalista do Iron Maiden
As cinco bandas de rock favoritas de Jimi Hendrix; "Esse é o melhor grupo do mundo"
Os guitarristas mais influentes de todos os tempos, segundo Regis Tadeu
Dave Mustaine comenta a saída de Kiko Loureiro do Megadeth: "Era um cara legal"
O conselho que Rodolfo recebeu de vocalista de histórica banda de hard rock brasileira
Mick Mars perde processo contra o Mötley Crüe e terá que ressarcir a banda em US$ 750 mil
"Um baita de um babaca"; o guitarrista com quem Eddie Van Halen odiou trabalhar
A melhor música de cada disco do Megadeth, de acordo com o Loudwire
A música feita na base do "desespero" que se tornou um dos maiores hits do Judas Priest
Luis Mariutti anuncia seu próprio podcast e Rafael Bittencourt é o primeiro convidado
A música de rock com a melhor introdução de todos os tempos, segundo Dave Grohl
O solo de uma nota que Eddie Van Halen elegeu como um dos maiores; "um tapa na cara dos virtuoses"
A voz que Freddie Mercury idolatrava; "Eu queria cantar metade daquilo", admitiu o cantor
O mega sucesso da Legião que Renato Russo não queria escrever a letra por preguiça
O hit do rock nacional que vendeu tanto que desbancou "Billie Jean" do Michael Jackson
O álbum do Deep Purple que é o favorito de Tony Iommi: "É um clássico atrás do outro!"






