Obskure: trinta anos de destaque no cenário extremo nacional

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Por Leonardo Daniel Tavares da Silva, Fonte: Daniel Tavares
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1989

Quantos aqui presentes já estavam neste mundo nesse ano?

Enquanto David Vincent e o MORBID ANGEL lançavam no estrangeiro o seminal "Altars of Madness", no Brasil, o SARCOFAGO lançava o "Rotting". E nesse álbum, que se tornou clássico, já havia uma menção em forma de agradecimento no encarte a uma nova banda que estava surgindo no Ceará, representando o estilo mais extremo do Heavy Metal no estado, assim como já o faziam a SARCÓFAGO nacionalmente e o MORBID ANGEL mundialmente. Essa banda era a OBSKURE.

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No Ceará, joias do Heavy Metal como as citadas ainda chegavam lentamente e eram garimpadas num tempo em que ninguém tinha ainda ouvido o termo "Internet" e sequer sonhávamos com serviços como Spotify, Deezer e ITunes. Era (e é) um tipo de música pesada, como diz o nome, não afeita a cordialidades e romantismos e, distante que era dos gostos mais populares, difícil de encontrar por aqui. Naquele (e em muitos anos que se seguiram), para ouvir música fora do convencional, dos Robertos, Caetanos e trilhas sonoras das novelas globais, era preciso torcer para que algum amigo trouxesse um LP de fora, trocar fitas por correspondência ou ir ao centro, nas lojas da Galeria Pedro Jorge. Não era fácil.

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Amaudson Ximenes (o nome é uma homenagem ao norueguês Roald Amundsen, primeiro explorador a chegar ao Polo Sul) e seu irmão Jolson Ximenes eram ainda dois moleques quando decidiram que não seria bastante apenas ouvir aquele tipo de música. Eles queriam fazer aquele tipo de música. A Amaudson na guitarra e Jolson no baixo juntaram-se Nertan, nos vocais, e Jorge, na bateria. Era a gênese da OBSKURE, a primeira banda grind/death da região.

No ano seguinte, 1990, depois de vender alguns dos álbuns que haviam batalhado tanto para adquirir, depois de vender caipirinha em uma feira de artesanato e com apoio dos pais, o quarteto conseguiu dar o primeiro passo mais firme na trajetória que ficaria marcada solidamente na história da música extrema cearense. Veio ao mundo a primeira Demo Tape, com um nome que simbolizava e sintetizava tudo aquilo que aqueles jovens queriam transmitir: "Uterus and Grave". A fita não ficou conhecida apenas no Ceará. Ultrapassou as fronteiras do estado e do país, atravessando até mesmo o Atlântico e indo chegar a ouvidos atentos no Velho Mundo, colocando a OBSKURE e o Ceará em posição de destaque no grind/death mundial.

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De lá para cá foram 30 anos. No metal cearense outros grandes nomes despontaram como BEOWULF e INSANITY. Alguns deixaram de existir. Outros se transformaram. A banda também se transformou várias vezes. Vieram novas demo tapes, veio o primeiro álbum completo, "Overcasting", em 1998, uma obra prima do metal cearense, ou melhor, uma obra prima do metal brasileiro. O disco foi reconhecido como um dos principais discos de Death metal do Brasil dos anos 90. E o termo obra-prima não vale apenas pela qualidade, mas também pelo fato de ser mesmo também o primeiro full-length de uma banda de metal extremo no Ceará. A voz agora era de Daniel Boyadjian. Mantendo até hoje o núcleo formado pelos irmãos Ximenes, alguns membros entraram. Outros sairam. Boyadjian saiu e voltou, mas optou por ficar apenas na guitarra. Marcos Mano jamais poderá voltar, mas deixou sua marca indelével na história da banda.

A banda seguiu sendo a primeira em tudo (primeira banda de Death Metal do Ceará, também primeira banda de Death Metal a ter um tecladista em palco, primeira banda cearense a abrir um show internacional de Death Metal no Ceará, o do ROTTING CHRIST, primeira banda a ser convidada para tocar com o KRISIUN em São Paulo, além da mencionada citação nos agradecimentos do clássico álbum do SARCÓFAGO).

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O segundo álbum, "Dense Shades of Mankind", veio também com o primeiro clipe oficial, "Christian Sovereign". Cabe ainda notar (e eu pessoalmente faço questão disso) que a obra obscura tem em "Tension Eve Massacre" um dos mais belos solos de guitarra já construídos no metal brasileiro, não deixando nada a dever quando comparado àqueles arquitetados por Kissers, Loureiros e Bittencourts. E em 2014, quando celebrava 25 anos de carreira, a banda lança o DVD "Obskure 25 anos", gravado no Festival Dragão Metal, no Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, em Fortaleza/CE.

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Sempre inquieto, Amaudson Ximenes também foi a mente por trás da instituição da Associação Cearense do Rock, uma agremiação que procura difundir o estilo no estado, remover obstáculos, orientar bandas iniciantes e, de maneira geral, promover a união entre os grupos que se apresentam nos palcos da cidade e os headbangers. A iniciativa também fomentou o festival Forcaos, antes uma alternativa a um outro festival que fazia sucesso na cidade com músicas da Bahia, agora, uma sempre aguardada data no calendário de eventos da cidade.

O trabalho mais recente é o EP "Sacrifice of The Wicked", mas além das demo-tapes também é possível ver a marca da OBSKURE nos tributos que a banda foi convidada a participar. Canções dos soteropolitanos HEADHUNTER D.C, dos portugueses do MOONSPELL, dos australianos AC/DC, dos ingleses do MOTÖRHED e dos pais do Heavy Metal Black Sabath foram mais que homenageadas. E a própria OBSKURE já teve quem lhe rendesse homenagens também. FACADA e SIEGE OF HATE, dois dos maiores nomes do grind core nacional na atualidade, regravaram "Factoring Sarcasm" e "Ridiculous Dignity", respectivamente. E, mais recentemente, em seu álbum de covers que faz um apanhado da cena cearense, a banda de Punk Rock THRUNDA também regravou "Factoring Sarcasm".

É um reconhecimento de que a OBSKURE sempre esteve engajada no crescimento de toda a cena, não apenas no seu próprio crescimento. Uma postura colaborativa. A banda sempre buscou incansavelmente evoluir sua música, respeitando uma identidade musical trazida desde o início. Estar 30 anos ativo é estar 30 anos exposto, dando a cara à tapa... é resistência, resiliência, vontade e superação.

E tudo começou em 1989. Em 2019 ainda está sempre começando novamente. Vida longa à OBSKURE.

A OBSKURE é:

Germano Monteiro: voz
Daniel Boyadjian: guitarra
Amaudson Ximenes: guitarra
Jolson Ximenes: Baixo
Mardônio Malheiros: Bateria

Nota final: a OBSKURE completa 30 anos e marcará a data com show especial no icónico Cine Teatro São Luiz, no Centro de Fortaleza, em 16 de agosto. Também temos o que comemorar. Completamos 10 milhões de page views aqui no Whiplash. Nada mais justo que comemorar o feito com uma matéria sobre a banda que foi influência ímpar em todos estes anos e também uma das que dedicamos uma de nossas primeiras matérias. Agradecemos Whiplash.net pela confiança e todas as experiências que tivemos ao escrever aqui. Agradecemos também a cada um dos leitores do Whiplash que nos fizeram chegar a essa marca e proporcionaram tudo o que obtivemos até agora, tanto com críticas positivas como (e principalmente) com as negativas (desde que construtivas).

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Sobre Leonardo Daniel Tavares da Silva

Daniel Tavares nasceu quando as melhores bandas estavam sobre a Terra (os anos 70), não sabe tocar nenhum instrumento (com exceção de batucar os dedos na mesa do computador ou os pés no chão) e nem sabe que a próxima nota depois do Dó é o Ré, mas é consumidor voraz de música desde quando o cão era menino. Quando adolescente, voltava a pé da escola, economizando o dinheiro para comprar fitas e gravar nelas os seus discos favoritos de metal. Aprendeu a falar inglês pra saber o que o Axl Rose dizia quando sua banda era boa. Gosta de falar dos discos que escuta e procura em seus textos apoiar a cena musical de Fortaleza, cidade onde mora. É apaixonado pela Sílvia Amora (com quem casou após levar fora dela por 13 anos) e pai do João Daniel, de 1 ano (que gosta de dormir ouvindo Iron Maiden).

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