Entrevista: Martin Popoff, a máquina de escrever do rock/metal
Por Mário Pescada
Fonte: 80 Minutos
Postado em 02 de outubro de 2019
É possível que o leitor já tenha ouvido falar do escritor canadense Martin Popoff, mas ainda não tenha tido contato com uma de suas obras já que apenas uma pequena parte da sua imensa obra está disponível em português. E quando disse imensa, não foi exagero: Martin tem mais de 80 (!) livros sobre rock/metal, 1.800 entrevistas e pasmem, mais de 7.900 resenhas.
Recentemente, a Editora Denfire lançou no Brasil uma de suas obras, o ótimo "Hit The Lights: O Nascimento do Thrash". Aproveitando esse lançamento, o site 80 Minutos conseguiu uma entrevista com ele, que falou sobre seu método de trabalho, gostos musicais, como se tornou essa máquina de produção, etc.
A entrevista foi feita por Mário Pescada (MP) com colaboração de André Luiz Paiz.
MP: Martin, você tem números impressionantes no universo rock/metal: mais de 85 livros publicados, 1.800 entrevistas e mais de 7.900 resenhas. Já trabalhou em dezenas de rádios, revistas, sites, etc. Como tudo isso começou?
Popoff: Bem, eu era um fã louco pala música desde meados de 1974 e então, em 1993 eu publiquei por minha conta um livro sobre 1.900 resenhas de discos e então isso me fez encontrar e ter amizade com Tim Henderson, e juntos, nós começamos as revistas Brave Words e Bloody Knuckles, e daí em diante, escrevendo mais resenhas, entrevistando bandas. Esse primeiro livro foi reeditado por um editor em 1997 e desde então tem sido lançado, mais ou menos, um livro por ano, até o ponto onde há hoje 85 livros. Mas sim, você não pode fazer livros do jeito que tenho feito, a menos que você tenha feito muitas entrevistas, então, nesses anos, a maior parte pela (editora) Brave Words, mas por outras revistas e sites pelo caminho, eu tenho feito muitas e muitas entrevistas, provavelmente umas 1.800 a essa altura. E assim que tenho por volta de 20 entrevistas, eu estou na posição de estar apto a trazer algo novo em termos de fazer um livro sobre alguma banda.
MP: Você é canadense, e quando falamos do Canadá, logo nos lembramos de RUSH, EXCITER, ANVIL. Há bandas canadenses que você diria mereciam ter tido mais sorte?
Popoff: Pergunta interessante: obrigado por isso! Eu acho que as que me vêm à mente seriam VOIVOD e KICK AXE. Talvez, MOXY, certamente, assim como RIDING HIGH, que é uma banda clássica. Sim, e também SANTERS, cujo segundo disco "Riding High" é um clássico. Cara, você abriu as comportas pra mim. CONEY HATCH também. SANTERS e CONEY HATCH poderiam ter tido um sucesso comercial grande (e SWORD). Elas eram simplesmente perfeitas no hard rock, pré-hair metal. Também, Kim Mitchell é um dos meus três guitarristas favoritos de todos os tempos, então ele poderia ter sido maior, e Max Webster, eu tenho listado eles como minhas bandas favoritas de todos os tempos. Eles não fizeram isso se tornar grande, mas mais uma vez, me mostraram muito peculiarmente a como fazer isso ser grande. Eu imagino que VOIVOD é peculiar também. Mas todos que mencionei são exemplos perfeitos de bandas que trouxeram um potencial comercial massivo a cena, e provavelmente, mais, sendo do Canadá e não se mudando para Hollywood, por exemplo, elas não poderiam ter chegado ao topo.
MP: Eu li que você tocou bateria por um tempo nos anos 80, é verdade?
Popoff: Sim, comecei tocando bateria no final dos anos 70, tinha nosso próprio set ao vivo com uma banda em 1984, que se tornou profissional, digo, tocamos por dinheiro em bares. Não mais do que isso. Éramos conhecidos como TORQUE. Muitos covers estranhos de heavy metal, com um punhado de punk, como THE CLASH e provavelmente a música mais estranha do BLUE OYSTER CULT a ser tocada ao vivo, "The Vigill".
MP: Seus livros são focados em bandas clássicas, fundamentais para o rock/metal, como JUDAS PRIEST, DEEP PURPLE, METALLICA, IRON MAIDEN, AC/DC, etc. Você escuta bandas novas?
Popoff: Não mesmo, não. Simplesmente não tenho tempo para isso. Quando estou escrevendo esses livros eu tenho que fazer pesquisas profundas nos seus catálogos, então isso toma muito do meu tempo disponível para ouvir. Tendo dito isso, claro, eu me deparo com algumas coisas, de tempos em tempos. Há muitas bandas que são novidades, mesmo que não novas, que eu ouço muito, que eu não escrevi livros a respeito. Eu amo CLUTCH, PANTERA, KING’S X e tenho muito tempo para SLOW FEG e HAMMERS OF MISFORTUNE, DEVIN, PORCUPINE TREE. Então mesmo quando estou ouvindo bandas novatas, são essas bandas com acervos grandes que eu vou e volto por longos períodos.
MP: O público brasileiro está tendo a oportunidade de ler em português parte da sua obra, graças à Editora Denfire, que lançou por aqui "Hit The Lights: O Nascimento do Trash" e vai lançar em breve "Where Eagles Dare: Iron Maiden In The 80s". Como surgiu essa parceria?
Popoff: Sim, é muito legal que a Editora Denfire me pegou! Mas, não se esqueça, há algumas outras (editoras) como Voyageur Press. Certamente, o (livro sobre o) METALLICA, possivelmente um ou dois. Eu imagino que meu antigo livro do BLACK SABBATH saiu em português, certo? (nota: refere-se ao livro "BLACK SABBATH. A Biografia"). Mas sim, eu acho que o livro do IRON MAIDEN será bem recebido pela Denfire (nota: "Where Eagles Dare: Iron Maiden In The 80s" que será lançado pela Editora Denfire em 2020). Como isso se tornou possível? Bem, eu só preciso alguém que acredite que cópias suficientes serão vendidas em português. Simples desse jeito. E, também para responder a questão anterior sua, não, eu acho que eu farei uma trilogia do thrash terminando em 1991.
Para ler mais desse bate papo, acesse o site do 80 Minutos:
https://80minutos.com.br/interview.php?interview=49
Para adquirir o livro "Hit The Lights: O Nascimento do Thrash" e em breve "Where Eagles Dare: Iron Maiden In The 80s", visite o site da Editora Denfire.
Para conhecer mais da imensa obra de Martin, acesse seu site pessoal.
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