System of a Down: dinheiro, fama e bajuladores travaram a banda, diz Dolmayan
Por Igor Miranda
Fonte: Eddie Trunk / Ultimate Guitar
Postado em 26 de fevereiro de 2020
O baterista John Dolmayan voltou a falar, em entrevista ao Trunk Nation transcrita pelo Ultimate Guitar, sobre o hiato criativo no qual o System of a Down se encontra. A banda acabou em 2006 e retornou em 2011, mas, desde então, só fez turnês esporádicas, sem um novo álbum de estúdio.
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O músico destacou que a situação do System of a Down é "disfuncional". Todos os integrantes da banda têm projetos paralelos, porém, ainda se reúnem para shows. "A verdade é que nenhum de nós deveria ter tempo para outros projetos. Deveríamos estar focados na banda e explorando nossos talentos, fazendo músicas para o System of a Down", afirmou.
Em seguida, Dolmayan disse que casamentos acabam e longas amizades se dissipam "porque acontece", especialmente em um contexto individual de artistas. "Você terá brigas e o resultado é: quanto maior a banda, mais as pessoas dizem que você é ótimo, que seu papel é o mais importante. Alguns ouvem isso mais do que outros e se apaixonam por suas próprias ideias", comentou.
O caráter "disfuncional" do System of a Down não foi analisado por Dolmayan porque ele entrou quando o grupo já existia, não sendo integrante da primeiríssima formação. O baterista destacou, ainda, que os quatro integrantes da banda são muito diferentes.
"Eu era amigo dos caras antes de estar na banda, mas como tudo na vida, quanto mais dinheiro e fama você tem, mais complicado isso se torna. De alguma forma, você perde a mentalidade que te fez chegar a isso, que é 'nós contra todos'. Acontece em toda banda. Costumávamos ser nós contra todo mundo, certo? Pensamos como: temos algo a provar, vamos fazer nossas músicas, estamos lutando, não temos grana... é isso que fortalece", disse.
O músico pontuou que quando essa mentalidade "nós contra todo mundo" é perdida, outras motivações precisam aparecer, senão, torna-se uma "banda de coletânea". Ele também reconheceu que é criado um frenesi em torno de alguns grupos específicos, já que não é muito fácil achar atrações principais para festivais de rock nos dias de hoje.
"Sabíamos que conseguiríamos lotar um lugar com 3 mil pessoas, mas tocamos no lugar de 2 mil pessoas e criamos um frenesi em torno daquele show. Também acho que não há tantas bandas para entrar nesses festivais. Há mais festivais e menos bandas chegando para atrair 50 mil a 70 mil pessoas. Então, precisamos das mesmas bandas. Nos últimos 20 anos, isso diminuiu, porque as gravadoras não investem mais em bandas como nós", afirmou.
Dolmayan apontou que o System of a Down é "único", mas não acha que a banda teria conseguido um contrato com gravadora hoje em dia ou 10 anos antes da formação, lá no fim da década de 1980. "Tudo foi perfeito. Porém, não há tantas bandas de rock ou metal surgindo agora. Isso pode mudar, é cíclico", concluiu.
'O ego atrapalha muito'
Em entrevista recente ao programa "Drinks With Johnny", do baixista Johnny Christ (Avenged Sevenfold), John Dolmayan também disse que o System of a Down precisa superar seus problemas. A banda voltou no início da década e, desde então, apenas se reúne de forma esporádica para shows em festivais. Os últimos álbuns, "Mezmerize" e "Hypnotize", saíram em 2005. O guitarrista Daron Malakian e o vocalista Serj Tankian chegaram a se estranhar publicamente por causa disso.
"Tivemos enorme sucesso um com o outro, então, o ego atrapalha muito, seja nos relacionamentos ou nos negócios, e, às vezes, você perde de vista o motivo pelo qual começou a fazer música junto com aqueles caras. Especialmente na música, as pessoas perdem o foco", disse, inicialmente.
O integrante do System of a Down completou: "É preciso perdoar algumas coisas. Deixe para trás e siga em frente. O System não conseguiu fazer isso ainda. Temos algumas coisas que entraram no caminho".
Apesar disso, John Dolmayan reforçou que a relação entre os integrantes é ótima e fez elogios ao System of a Down. "Sou o melhor quando estou com Serj, Daron e Shavo (Odadjian, baixista). Nada que eu faço na música vai se comparar a isso. Estou ciente, admiro isso. Tenho, na minha opinião, uma das melhores bandas de shows no mundo. Com todo o respeito a todos, somos o System of a Down. É como vejo isso", disse.
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