Paulo Faria: Redator lança livro em que satiriza a política e o patrulhamento
Por Junior Santos
Postado em 26 de agosto de 2020
Colaborador do Whiplash.Net lança livro em que satiriza a política nacional e a patrulha do politicamente correto. O autor ainda prepara uma biografia da banda mineira de gothic/doom metal Silent Cry e um livro sobre os mais melancólicos álbuns de gothic/doom metal, darkwave e atmospheric music.
Rock’n’roll e consciência política sempre andaram em sintonia. Não são poucas as canções do gênero que dão aquela enquadrada em nossos ilustres – para não dizer outra coisa – representantes nos poderes executivo e legislativo. Por isso, foi algo bem natural o lado contestatório de Paulo Faria ter acompanhado também a sua verve roqueira.
Esta última faceta nós conhecemos bem por meio dos artigos que ele publica há mais de oito anos no Whiplash. Mas graças a um livro lançado esta semana o leitor vai ver que o nosso colunista também é bastante eficiente ao destilar seu humor ácido – que dá o tom dos textos publicados aqui no site – para outros temas que não a música.
A Arte do Sarcasmo: Da Viva Alma Mais Honesta do Universo ao Capitão Cloroquina é a primeira publicação de Faria, e reúne textos que passeiam de forma crítica e debochada pelos mais recentes episódios da política brasileira, além de ironizar o discurso do politicamente correto.
E nenhum personagem do cenário público atual passa incólume pelo olhar atento e debochado de Faria. É o caso do artigo "Lula, o sociopata", no qual demonstra insatisfação em relação à decisão do Supremo Tribunal Federal, a qual impediu de "deixar engaiolado o Pai dos pobres que conseguiu o milagre da multiplicação dos miseráveis".
Já em "As desventuras do Capitão Cloroquina" o presidente Jair Bolsonaro é criticado pela forma desastrada com que conduz o país em meio à pandemia, ao "queimar dia após dia seus aliados, correr do Queiroz e colar com gente do naipe de Carlos Marun". Em outro texto, o "mito" é classificado como "uma fraude, um engodo, um charlatão, um imbecil".
Além dos personagens que inspiraram o título do livro, em A Arte do Sarcasmo ainda é possível conhecer a "múmia falastrona" Fernando Henrique Cardoso, os "pacifistas do ódio", a "hipocrisia do ativista", a "moralidade relativa" – desencadeada "quando a polícia resolveu meter a cara com um mineirinho safadinho e um vampirão" [uma referência ao episódio da delação do dono da JBS envolvendo Aécio Neves e Michel Temer] – além de outros temas, todos abordados com doses cavalares de sarcasmo e bom humor.
Nem mesmo Roger Waters escapa ao estilo ferino de Paulo Faria. Sem desmerecer o talento para a música do ex-Pink Floyd, Faria o chama de "pateta do ano", numa referência à adesão do cantor ao movimento #elenão quando de sua última passagem pelo Brasil. Na opinião ao autor, o artista inglês "tem fetiche pela miséria terceiro-mundista e por engajamentos inúteis" e "sua hipocrisia é do tamanho de sua conta bancária".
Enfim, como o autor deixa bem claro logo no início do livro, a obra "não tem qualquer pretensão de conscientização política", mas tão apenas "desvendar falsos mitos e destronar a hipocrisia" e tratar as figuras medonhas deste país com o mesmo desprezo e sarcasmo que dispensam a nós.
É com essas advertências em mente que devemos nos enveredar pela leitura de A Arte do Sarcasmo: Da Viva Alma Mais Honesta do Universo ao Capitão Cloroquina.
E como nem só de política vive Paulo Faria, ele prepara mais duas publicações: uma biografia da banda mineira de doom/gothic metal, Silent Cry – chancelada pelo fundador do grupo Dilpho Castro – e A Arte da Melancolia, que analisa os mais melancólicos álbuns de gothic/doom metal, darkwave e atmospheric music.
A Arte do Sarcasmo: Da Viva Alma Mais Honesta do Universo ao Capitão Cloroquina está disponível nas versões física e digital (e-book) na Amazon e no Mercado Livre.
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