Abyssal Forest: A velha escola do Metal Negro perpetuando nos ciclos da vida
Por Michel Sales
Postado em 20 de outubro de 2020
O Brasil não é somente uma nação diversificada em sua mansidão territorial, pois seu contexto social também reflete um povo criativo e habilidoso que se destaca, principalmente, no universo musical. E na vertente do Heavy Metal, cada cidade do país esbanja nomes que asseguram referências mundo a fora para a concepção de novas ideias, como é o caso da Abyssal Forest, de Palmas - Tocantins (TO).
Formada em 2017, a banda é composta por Igor Reinkaos (V), Anderson Skullkarved (G), Fabrpicio Dias (B) e Marcos Ribeiro (D), juntos eles referem o legado do Metal Negro, tocando com agressividade, melodia e velocidade numa sonoridade cantada em português e de forma grandiosa, o que valida característica própria para o quarteto.
Nos últimos anos, a Abyssal Forest tem chamado a atenção dos fãs de Metal Extremo e conquistado uma legião de adeptos após o lançamento do EP Além da Grande Vasta Floresta. O disco foi gravado no Rio de Janeiro (RJ) e contou com a participação de músicos da Velho. As faixas em destaque são: 1. Adentrando a Floresta Abissal (Intro); 2. Floresta Abissal; 3. Manifesto da Infâmia; 4. Profundo Delírio; 5. Cúpula Negra da Reflexão e 6. Armada Bestial.
Referindo mais detalhes sobre este lançamento e situando outras novidades da Abyssal Forest, o baixista Fabricio Dias conversou comigo, confere o que ele disse:
Fabrício, como ocorreu a produção do EP?
O EP "Além da Grande e Vasta Floresta" foi gravado no Albergue do Rock, Rio de Janeiro. Essa oportunidade rendeu a participação dos nossos amigos da Velho, no que o Thiago Splatter gravou a bateria e o Rafael Lopes produziu o material. O EP mesclou misticismo, poderes sobrenaturais e os mistérios da natureza numa atmosfera com a nossa assinatura em português, porque gostamos dessa brasilidade.
Qual sua impressão sobre o Heavy Metal tocado no extremo Norte do Brasil?
Existem ótimas bandas no Brasil, principalmente na região Norte representando o Heavy Metal. Vide a Brutal Exuberância, de Manaus-AM, com sua temática ufológica que é bastante interessante. Tem também a Carnívoro, de Boa Vista-RR, com seu Thrash Metal super agressivo e bem executado, entre outras bandas que agregam valor a cena.
Como você observa o trabalho da Cultura para a realização de eventos de Metal no Brasil?
O apoio cultural deveria ser mais bem trabalhado junto aos músicos. Pois os shows são importantes. Contudo, também focamos na satisfação da Abyssal realizar aquilo que curtimos. Esta é nossa recompensa. Nossa experiência nos palcos ainda é curta, porque iniciamos há pouco tempo. Porém, já praticamos o fervor de alguns espetáculos e percebemos o quanto a insanidade e a brutalidade da nossa música empolga os headbangers. A resposta tem sido satisfatória.
O que te levou a ser músico e como você vê o futuro do Metal diante das novas gerações?
A música faz parte da minha vida e eu não vivo sem ela 24h por dia. Quando fui convidado pelo fundador da Abyssal, o Anderson Skullkarved, eu logo apresentei uma proposta de composições temáticas que funcionou muito bem para o nosso EP. Desde então, estamos evoluindo. Já o cenário Metal, eu penso que ele está em constante evolução com o passar do tempo, e as novas gerações se mostram cada vez mais empolgadas diante da sonoridade extrema. Com isso, o objetivo da Abyssal é contribuir da melhor forma possível com o underground.
O artista consegue sobreviver somente da música, o que falta referir de melhor no apoio cultural?
Creio na possibilidade do músico se dar bem com seu trabalho, no que muitas bandas têm provado isso. No mais, é tudo um conjunto de engrenagens que podem funcionar e proporcionar um barulho bom para muitos apreciadores do estilo. Mas também é preciso criar um bom material, divulgar geral e realizar shows. O foco nessa possibilidade é tudo. E você tem que trabalhar com respeito, seriedade e responsabilidade na construção de sua carreira. Pois fazendo aquilo que você realmente gosta, sua vida é válida todos os dias. Portanto, realizar nossos sonhos é um esforço grande, mas no final do arco-íris pode ser magnifico.
Geralmente, fãs de Rock são consumidores ferrenhos de artigos relacionados a música: CDs, LPs, acessórios, camisas, entre outros produtos. Você considera importante essa característica para fazer valer a divulgação, identidade e legado do Rock?
É extremamente importante o apoio dos fãs na compra dos discos, tendo em vista que ajuda a banda a produzir mais material, investir em aparelhagem e evolução profissional.
Sabemos que a produção de um CD evolve muita gente, além da banda, ou seja, existem pessoas que dão suporte fotográfico, fazem a arte gráfica, inserem as letras e cuidam da divulgação. Portanto, curtir um som com o material prontinho e em mãos é uma graça para alguns e para outros não faz a mínima diferença. Contudo, configura no mercado musical o viés dos aplicativos de download. E nesta evolução de streaming, você considera que estas plataformas acabam restringindo a venda de discos, e de certa forma desestimulando as bandas em um modo de melhor caracterizar a mensagem num álbum?
Por um lado, sim! No entanto, a internet possui um poder de atenção fantástico, no que você pode até selecionar os conteúdos que gosta de visualizar e ter como informação. Esse é o futuro, a gente tem que se adequar. As ferramentas da internet funcionam muito bem para as divulgações artísticas. No mais, os fãs de Metal são consumidores ferrenhos, gostam de comprar o CD e colecionar os materiais mais cabulosos do Rock. E a internet também facilita a aproximação com a banda.
Neste período de Quarentena em meio a Pandemia de Covid-19, observamos a restrição de shows com a presença de público, mas em contra partida as redes sociais tem sido um subterfúgio criativo para apresentações on line e divulgação de materiais. Como você vê o auxílio destas mídias de comunicação referindo o acesso ao Heavy Metal?
As lives nas redes sociais são uma válvula de escape para que o artista possa „suar‟ seu trabalho. E essa possibilidade eu vejo como um fator primaz para evitar a estagnação das bandas.
Quais os próximos passos da Abyssal Forest?
Em breve, lançaremos um novo single intitulado "Noite na Colina". Posteriormente, iniciaremos a produção do nosso debut.
Fabrício, te agradeço o bate-papo. Deixe suas considerações finais, por favor.
Obrigado, Michel. Tivemos uma boa conversa virtual e vamos adiante nessa vida louca com todos contribuindo para fortalecer a cena Metal no Brasil, pois precisamos de eventos contínuos e de bons materiais. Juntos somos tudo.
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



A cantora que conquistou James Hetfield com sua voz "de cheiro de cigarro"
As músicas mais longas de 10 grandes bandas de heavy metal
As quatro melhores músicas do Led Zeppelin, segundo Robert Plant
A banda que Brian May achava que deveria ter sido gigantesca; "Eles foram nossos mentores"
Show do Iron Maiden em Paris é prejudicado por falta de luz
A melhor música de rock progressivo de todos os tempos, segundo os leitores da Prog
Eric Martin, Edu Falaschi, Tim Owens e Jeff Scott Soto anunciam setlist do Masters of Voices
Steve Harris foi único membro do Iron Maiden a receber Paul Di'Anno em show, revela documentarista
Os 20 melhores álbuns lançados em 1999, segundo lista da Metal Hammer
John Bush não lamenta ter feito menos sucesso que colegas de geração
A separação de banda que deixou Jimmy Page arrasado; "Ficamos tristes quando eles terminaram"
Metallica jogou fora o manual do heavy metal, segundo James Hetfield
Hellacopters acerta (de novo) com seu rock n' roll visceral em "Cream Of The Crap! - Volume 3"
Com a cantora Mona Miari, Roger Waters lança nova versão de "Comfortably Numb"
Hellfest anuncia edição de 20 anos com 10 palcos e mais de 300 bandas em 2027


Bon Jovi: chocando companheiros de banda com confissão
Chris Cornell: jornalista foi a último show e percebeu algo errado
Fascínio pelo terror: Cinco bandas que dão medo
Polêmica: as músicas mais controversas da história do Rock
Heavy Metal: o Diabo e personagens bíblicas nas capas
Eddie Vedder diz que tomar soco de Paul McCartney foi "um grande momento"


