Guilherme Arantes se defende de rótulo de "isentão" citando Pink Floyd e Raul Seixas
Por Gustavo Maiato
Postado em 27 de abril de 2022
O compositor Guilherme Arantes é dono de hits como "Planeta Água", "Cheia de Charme" e "Deixa Chover". Em entrevista concedida ao jornalista musical Gustavo Maiato, o músico se defendeu do rótulo de que seria "isentão" em relação aos assuntos da política brasileira e explicou que prefere se relacionar com a música a partir de outra proposta.
"Acho que esse papo cabeça é muito melhor do que a polarização que está aí. Prefiro milhões de vezes isso. Falávamos sobre disco voador. O próprio Raul Seixas escreveu sobre isso. Acho o Paulo Coelho demais. Essa era delirante dos anos 1970 é um sinal claro de para onde nossa música deveria ir. Constatei que hoje em dia tem uma moçada bem alinhada nesse som lisérgico. Essa abertura de mente do Pink Floyd. Existia um curto a abertura da percepção. Hoje, existe um culto ao fechamento da percepção. É um desbunde em que é diversionista politicamente. Tenta sair da sinuca de bico da definição política. O que você é? Por exemplo, quando explodiu aquele negócio do Sérgio Reis, em que ele se inclinou para o Bolsonaro, vieram me procurar para entrevistas. Eu me retirei de um disco do Sérgio que ele estava fazendo. Eu não quis falar sobre esse assunto porque isso ia desvirtuar. Eu estava na semana do lançamento do meu álbum. Me foi cravado um adjetivo de isentão, quando na verdade um cara que escreve em uma época dessas um disco chamado ‘A Desordem dos Templários’, posso ser chamado de tudo, menos de isentão", disse.
Em outro trecho, Guilherme Arantes continuou explicando o motivo pelo qual não pode ser considerado isentão e citou Glauber Rocha e Caetano Veloso.
"Se há alguém que está falando sou eu. Mas não preciso assumir esse velho protagonismo que é o protagonismo da contracultura do Glauber Rocha ou Caetano Veloso. Esses são compositores que falam e se colocam. O Brasil ainda está em busca desse ícone? Desse protagonismo extramusical? Para mim, foi uma decepção. Meu disco está falando tudo. Tem letras que retratam a truculência do totalitarismo. Você chamar um compositor desse de isentão é triste! Só porque não quis ficar metendo pau no coitado do Sérgio Reis. Ele foi um coitado. Foi maltratado pelos próprios colegas, que largaram", concluiu.
Confira a entrevista completa aqui.
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