A opinião de Herbert Vianna sobre a crítica musical e sua imagem de "bom moço"
Por Gustavo Maiato
Postado em 28 de maio de 2022
O compositor Herbert Vianna, dos Paralamas do Sucesso, já escreveu inúmeros hits da música brasileira e sem dúvidas é um dos grandes nomes da cena do rock que emergiu nos anos 1980. Em uma entrevista concedida em 1995, o vocalista e guitarrista comentou sobre sua imagem de "bom moço" e se isso interferia de alguma forma já que sempre tocou rock, estilo mais associado à rebeldia e transgressão.
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"Sobre essa minha imagem de bom moço, teria que achar que a crítica é muito pouco inteligente para que isso interferisse de alguma forma. Mas isso seria acreditar que o velho estereótipo do roqueiro ainda fosse algo válido", disse.
Em outro ponto, Herbert Vianna discorreu mais sobre o papel dos críticos musicais e confessou que não sente confiança no próprio trabalho.
"O que me incomoda nessa questão dos críticos é que se consagrou no Brasil uma estirpe de jornalistas que data de lá atrás que celebra esse tipo de coisa. Chamaram já o Lulu Santos de cachorro, já precisei sair em defesa do Djavan também. Não admito que o jornalista vá falar mal do meu disco me chamando de Judy Garland. A coisa extrapola o que acho que é aceitável e educado. O que mais prezo nas pessoas é educação e generosidade. Quando vem a público fazer isso comigo ou com as pessoas que gosto, não admito isso. Eu acho que o que faço tem valor. Acho que dentro de um certo universo, a formação de opinião passa pela crítica, obviamente. Duvido que exista uma pessoa que tenha essa segurança interior forte para se ver atacado no jornal de forma covarde ou grosseira e isso não incomodar. Bate, dói, machuca mesmo, não nego. Não sou superior, não tenho esse tipo de grandeza. Gostaria de ignorar, mas para isso, precisa de uma autoconfiança que não tenho. Não tenho confiança em mim para acreditar piamente na qualidade do meu trabalho", concluiu.
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