Rush: Geddy Lee fala sobre seu relacionamento e parceria com Neil Peart
Por André Garcia
Postado em 01 de maio de 2022
O Rush se tornou uma das maiores bandas de rock que já existiu, e isso se deve em muito à química entre Geddy Lee e Neil Peart. E não apenas pela relação íntima que o baixo e a bateria tem no rock, mas pelo fato de um interpretar e dar vida às letras concebidas e escritas pelo outro.
Em entrevista para o The Guardian, Geddy Lee falou sobre sua relação e parceria com o saudoso baterista, do dia em que se conheceram ao último show do Rush.
Sobre o dia que eles se conheceram
"[Neil Peart] era um dos caras com a aparência mais pateta que eu já vi: era muito alto [1,93m] e magrelo. Ele dirigia um pequeno carro esporte com a bateria saindo pelas janelas. Quando chegou, aquele cara grandão com uma bateria pequenininha, eu e Alex [Lifeson] pensamos que era um caipira do interior. Aí então ele se sentou atrás da bateria e destruiu ela — e a nós também! No que dependesse de mim, ele já estava contratado no instante em que começou a tocar."
Sobre cantar letras escritas por Neil Peart
"Às vezes era bem estranho, às vezes confortável, às vezes desconfortável… Ser o intérprete de Neil era um prazer para mim, e um trabalho bem desafiador, ao mesmo tempo. Nós nem sempre estávamos na mesma sintonia. Conforme amadurecemos enquanto banda, eu conquistei a confiança dele para ser seu conselheiro e editor. Assim, se eu não curtisse algo, ele deixava de lado. Essa é a beleza de uma relação duradoura."
Sobre o conceito do último álbum da banda, "Clockwork Angels"
"Eu cresci ouvindo Yes... e até hoje não sei dizer do que aqueles discos falam, para ser sincero. Eu não acho que isso importe, porque a música e a letra criam um som, o que te transmite uma imagem e um significado. Às vezes isso basta para você amar."
"Eu gostei do conceito daquele álbum ['Clockwork Angels'], e eu realmente o considero nosso melhor trabalho. Foi um disco difícil de fazer, liricamente, para chegar a algo que agradasse a mim e Alex, e ao mesmo tempo contasse suficientemente a história para satisfazer ao conceito de Neil. Há algo em 'Headlong Flight' que é quase a história da banda para mim. São 40 anos de carreira, e passaram num piscar de olhos. O sentimento dessa música é: 'Se eu pudesse, faria tudo de novo', e é verdadeiro."
Sobre o último show do Rush
"Neil estava convicto que era o fim, e tocou como se fosse nosso último show. Foi por isso que ele saiu da bateria e nos abraçou no palco, algo que ele jurou que jamais faria. Eu acho que eu ainda tinha esperanças… mas não. Acho que Alex aceitou melhor que eu. Para mim, nós realmente arrasamos naquela noite, mas é difícil dizer porque ficou muito emotivo nos últimos 20 minutos. Foi a primeira vez que minha garganta travou no microfone, então acho que, no fundo, eu sabia que era o fim."
Sobre saudades da banda
"Eu tenho saudades de tocar com o Rush… Eu não sinto saudades de viajar com o Rush, mas sinto falta de estar no palco com aqueles dois porque era uma honra para mim. Estou certo que voltarei a tocar algum dia… mas nunca será como a intensidade de fazer três horas de show com Rush. Aquilo me desafiava a meu máximo, o que é algo raro nessa vida."
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