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Pink Floyd: "The Dark Side of the Moon" comentado faixa a faixa pelos integrantes

Por André Garcia
Em 08/06/22

Lançado em 1973, "The Dark Side of the Moon" é o oitavo álbum do Pink Floyd, e aquele que levou a banda ao estrelato. Já prestes a completar 50 anos, entrou para a história como um dos discos mais vendidos de todos os tempos e realizou feitos impressionantes, entre eles o recorde de permanência no top 200 da Billboard, onde ficou até 1988.

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A Ultimate Classic Rock publicou um guia faixa a faixa do álbum, que entre outras coisas reuniu citações dos integrantes do grupo comentando cada uma de suas nove músicas. Confira abaixo algumas das coisas que disseram Roger Waters, David Gilmour, Richard Wright e Nick Mason a respeito daquele que é um dos mais importantes trabalhos da história da música popular.

Speak to Me (Mason)


Roger Waters: É meio que uma abertura clássica, um recurso utilizado há centenas de anos. Juntar alguns elementos do trabalho no começo, como um aperitivo.

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Nick Mason: Foi uma montagem que eu fiz com as músicas prontas. Você pode dizer que não há material novo ali, ou dizer que é uma montagem totalmente original.

Roger Waters: Eu passei muitos anos realmente arrependido de ter dado metade dos créditos de autoria, principalmente "Speak to Me". Eu dei a [Mason]. Ninguém mais teve qualquer coisa a ver com a música.

Breathe (In The Air) (Waters/Wright/Gilmour)


Roger Waters: A letra era um estímulo, principalmente para mim mesmo, mas também para qualquer outra pessoa que se desse ao trabalho de ouvir. É sobre querer ser fiel a seu próprio caminho.

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Richard Wright: O interessante nessa música é que ela foi totalmente originada de um acorde que eu ouvi, na verdade, no álbum "Kind of Blue", de Miles Davis. Eu simplesmente amei aquele acorde.

On the Run (Waters/Gilmour)


Roger Waters: É sobre o medo de voar, que todos nós desenvolvemos em algum momento.

Richard Wright: Eu estava exausto da [vida na] estrada, o desgaste das viagens. Para mim, ela expressa mais isso do que medo de o avião cair.

David Gilmour: Eu botei uma sequência de oito acordes no sintetizador e acelerei. Roger achou que não soava certo. Ele botou outra, parecida com a minha. Odeio admitir, mas a dele era ligeiramente melhor.

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Time (Mason/Waters/Wright/Gilmour)


Roger Waters: Talvez todo mundo sofra com o sentimento de oportunidades desperdiçadas, ou de que poderia ter feito mais, ou que poderia ter feito melhor. Talvez seja confortante ouvir isso ser expresso numa obra tão bem-sucedida quanto essa. As pessoas costumam pensar: "Se pelo menos eu escrevesse uma música e fizesse sucesso, tudo ficaria bem." Isso é legal, mas não resolve nenhum dos seus problemas.

The Great Gig in the Sky (Wright)


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Clare Torry: A única coisa em que eu pensava era em soar como um instrumento, uma guitarra ou algo assim, e não como uma cantora. Eu gravei três ou quatro takes, bem rápido, fui deixada totalmente por conta própria. E então eles disseram: "Muito obrigado." Na verdade, tirando David Gilmour, tive a impressão de que eles ficaram extremamente entediados com aquilo. Me lembro de ter ido embora pensando: "Aquilo nunca verá a luz do dia".

Richard Wright: Eu fico tão empolgado quando ouço Clare cantando... Para mim, não é necessariamente [sobre] morte. Eu ouço terror, medo, uma emoção enorme. Principalmente na parte do meio, e a forma como a voz dela casa com a banda.

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Money (Waters)


Nick Mason: Eu furei umas moedas velhas e passei um fio. Roger gravou moedas escorrendo numa bacia. Cada som era medido na fita com uma régua e cortado do mesmo tamanho, e depois cuidadosamente colados juntos.

David Gilmour: Eu toquei com ele [Dick Perry, o saxofonista]. Minha banda em Cambridge tocou num lugar domingo de noite, e Dick era músico da casa nas noites de domingo. O Pink Floyd não sabia como usar um saxofonista ou algo assim. Nós quisemos experimentar um sax em "Money" e "Us And Them", então chamamos Dick.

Us And Them (Waters/Wright)


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David Gilmour: Todos os nossos vocais estão perfeitamente equilibrados, por exemplo, em "Us And Them". Eu gravei sei lá quantas harmonias vocais, e ainda tinha as garotas por cima. Ficou ótimo, realmente animador. Se você mudar alguma coisa um pouquinho, o todo desaba.

Richard Wright: É um grande exemplo de música e letra combinados para criar uma emoção.

Roger Waters: Toda a ideia, o ideal político de humanismo, e se ele poderia (ou deveria) surtir efeito sobre nós, é disso que a música realmente se trata: conflito, nossa falha em nos comunicar com o outro.

Any Colour You Like (Mason/Wright/Gilmour)


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David Gilmour: Não é parte essencial da narrativa, mas há momentos em que é legal soltar as amarras e apenas tocar.

Roger Waters: Aquilo era apenas parte do padrão. Então, metaforicamente falando, "Any Colour You Like" é interessante nesse sentido, porque oferece uma escolha onde não há nenhuma.

Brain Damage (Waters)


Roger Waters: Foi um enorme choque para mim ver o efeito devastador da esquizofrenia tão de perto. Não tem como lidar com aquilo. Certamente não houve como com Syd [Barrett].

Richard Wright: Ela é bem simples, e também tem o mini-Moog. Ela soa como uma orquestra de hotel. Eu amo o refrão, e as garotas tão belamente misturadas.

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Roger Waters: Ela sugere que há uma camaradagem envolvida entre pessoas que estão preparadas para atravessar lugares sombrios sozinhas. Você não está sozinho!

Eclipse (Waters)


David Gilmour: Eu lembro de ter trabalhado duro em fazer, construir e adicionar harmonias que surgem conforme a música progride. Por que ela não tem nada — não tem refrão, não tem ponte… é direta como uma lista. Então a cada cinco versos fazíamos algo diferente.

Roger Waters: Ela não é muito positiva, mas é muito verdadeira. Diz que podemos expressar o lado bom de tudo, mas há todas aquelas coisas de que falamos no resto do álbum que pode ficar no caminho. Cabe a cada um fazer a mudança. Todos nós podemos escolher, em alguma medida.

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Sobre André Garcia

Sou redator e tradutor freelancer e escritor, autor do livro de contos Liber IMP. Ouço rock desde pequeno, leio coisas sobre bandas desde sempre e escrevo sobre ela já tem anos. Cresci como fã de Iron Maiden e paladino do rock, mas já me tratei. Hoje sou fã de nomes como Beatles, David Bowie, The Cure, Kraftwerk e Velvet Underground, e de cenas como a Londres psicodélica, a Nova Iorque proto-punk e a Manchester pós-punk. Escrevo notas e notícias rápidas para o Whiplash.Net visando compartilhar conteúdo relevante sobre música e cultura pop.

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