Angra (Bar Opinião, Porto Alegre, 25/06/2022)
Por Guilherme Dias
Postado em 03 de julho de 2022
Fotos por Liny Oliveira
O Angra voltou para Porto Alegre depois de 3 anos. O hiato foi devido às restrições da pandemia do Covid-19. Em 2019 o grupo realizava a "Magic Mirror Tour". Dessa vez um show mais do que especial. A atual turnê faz parte das festividades de 20 anos do "Rebirth", álbum lançado em 2001. Mais de mil pessoas lotaram o Bar Opinião, que recebe o Angra desde 1996.
A pista já estava com um bom público quando a Mortticia, banda local que tem em sua formação Lucas Zawacki (vocal), Lúcio Brenner (guitarra), Vicente Telles (guitarra), Guilherme Wiersbicki (baixo) e Anderson Dias (bateria) subiu ao palco. O grupo está divulgando o seu último lançamento, o EP "A Light In The Black". A primeira da noite foi a animada e direta "Limiar", com todas as características do heavy metal tradicional. No decorrer do show canções mais complexas, transitando entre momentos calmos e mais intensos foram apresentadas, com destaque para as longas Life Is On (One Flower) e Ocean Of Chance. Foi uma apresentação cativante e com muita satisfação, alegria e entrega por parte dos músicos.
A segunda apresentação foi do Rage In My Eyes, já conhecida pelo público por ter integrantes que já passaram por outras bandas do heavy metal gaúcho e pelo grande show na abertura para o Iron Maiden em 2019. Estiveram no palco Jonathas Pozo (vocal), Magnus Wichmann (guitarra), Pedro Fauth (baixo), Matheus Kleber (acordeon) e Thiago Caurio (bateria). Thiago substituiu o baterista Francis Cassol, que em comunicado nas redes sociais divulgou que não poderia comparecer aos shows do RIME no mês de junho devido a compromissos no exterior. O repertório iniciou com a melódica e veloz "And Then Come The Storm", que abre o EP "Spiral", lançado no ano passado. Do mesmo EP "Dare To Defy" foi tocada na sequência. Jonathas chamou o "gaitero" Matheus em "Death Sleepers", uma das canções mais marcantes do grupo, lançada em "Ice Cell" de 2019. A faixa "Winter Dream" mostrou a habilidade de todos os músicos nos seus instrumentos e o perfeito entrosamento com o baterista Thiago, que teve poucos ensaios junto com os colegas de palco. Jonathas foi ao piano para uma homenagem ao André Matos em "I Don’t Want To Say Goodbye", single de 2020. "Spiral Seasons" foi a responsável por finalizar o ótimo show, que além de muita qualidade sonora, ainda teve uma decoração de palco muito bonita com as artes de "Spiral" e interação com o público, que em boa parte já estava familiarizado com as músicas e cantou junto em diversos momentos. Importante ressaltar a identidade do RIME com a cultura gaúcha, ou melhor, bah.. foi tri ver os guri alentando a gauchada em plena querência!
Após brigas internas e a saída de membros importantes, o Angra teve uma mudança muito significativa na sua formação com a entrada de músicos que marcaram época. Edu Falaschi (vocais), Aquiles Priester (bateria) e Felipe Andreoli (baixo) se juntaram com os guitarristas Kiko Loureiro e Rafael Bittencourt. O primeiro álbum não poderia ter outro nome a não ser "Rebirth", que fez um sucesso absurdo logo no seu lançamento. Após 20 anos o disco continua sendo uma das referências do metal nacional. Daquela época permanecem na formação apenas Felipe e Rafael, muito bem acompanhados por Fabio Lione (vocal), Marcelo Barbosa (guitarra) e Bruno Valverde (bateria), além dos músicos convidados Dio Lima (teclados) e Guga Machado (percussão).
Próximo das 21 horas, as luzes se apagaram e "Crossing" pôde ser ouvida no som mecânico, introduzindo "Nothing To Say" do álbum "Holy Land". Depois foi a vez de "Black Widow's Web" ("Ømni", 2018) e a primeira pausa da noite. O intervalo tinha motivo e mais uma vez destaque pra trilha de fundo, dessa vez com "In Excelsis", para iniciar o álbum "Rebirth" na íntegra. "Nova Era" costuma ser uma das últimas presentes no repertório do Angra, mas causou o mesmo efeito de sempre mesmo no início da apresentação, muita euforia por parte da plateia, e muito entrosamento e qualidade técnica no palco.
Seguindo a ordem do álbum foi a vez de "Millenium Sun" e "Acid Rain" (com destaque para o melodioso e técnico solo de Rafael e Marcelo). A atenção dos fãs que estão sempre presentes estava nas canções menos apresentadas ao vivo, como o caso de "Unholy Wars" e "Judgement Day", tocadas pela primeira vez desde 2002. A animada, veloz e melódica "Running Alone" encerrava a primeira parte do show, antes de "Visions Prelude", que finaliza o "Rebirth" e nunca havia sido tocada ao vivo, apenas aparecendo como trilha em turnês anteriores, com muito destaque para os vocais líricos de Lione.
Enganou-se quem achou que o show estava próximo do fim. Ainda tinha tempo para mais ação. O grupo selecionou muito bem o repertório, priorizando uma música de cada álbum praticamente, e optando por algumas que estavam longe do repertório também. "The Course of Nature" ("Aurora Consurgens", 2009), não era tocada desde 2011, e "The Shadow Hunter" ("Temple Of Shadows", 2004) desde 2006, na turnê do "The Temple of Shadows".
O "Fireworks" (1999) foi representado pela potente e pesada "Metal Icarus" e o EP "Hunters and Prey" (2002) pela emocionante "Bleeding Heart", cantada por todos os fãs presentes. O bis final veio com "Carry On'', onde Lione se esforçou muito para alcançar as notas finais, tamanho o desgaste do repertório e alguns meses sem shows. O Angra entregou com maestria o que estava disposto, desde a seleção das canções, até a perfeita qualidade sonora e visual do palco. A casa estava lotada para comemorar os 20 anos de "Rebirth", mas para cativar os fãs para as próximas turnês é necessário lançamentos que empolguem e retomem a identidade do Angra, que pela postura e dedicação ainda possui vigor para futuros êxitos.
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