O hit dos Titãs que Gavin empacou em virada e fez Liminha dar esporro histórico
Por Gustavo Maiato
Postado em 10 de outubro de 2022
As gravações do álbum "Jesus Não Tem Dentes no País dos Banguelas" (1987) ficaram famosas pela bronca que o produtor Liminha deu no baterista Charles Gavin após ele propor uma virada para a música "Violência", mas empacar e não conseguir executar.
Em entrevista ao canal do Jota Abreu, Gavin relembrou o caso e disse que hoje em dia compreende o esporro que levou, já que estava apenas pensando nele e não nos Titãs como um todo.
Obs: A bronca de Liminha em Charles Gavin pode ser conferida na íntegra abaixo.
A vontade de melhorar como baterista
"A ideia de usar programação eletrônica na nossa música surgiu em 1987, na época do ‘Jesus Não Tem Dentes no País dos Banguelas’. É fácil de entender o porquê. Vínhamos do ‘Cabeça Dinossauro’, que foi gravado praticamente ao vivo no estúdio. Quase todos tocando juntos, na medida do possível. Esse era o método. Lembro que do ‘Cabeça’ para o ‘Jesus’, estudei muito bateria com o baterista do Tom Zé. Fui estudar formalmente enquanto profissional. Antes disso, não tive oportunidade de sentar e estudar. Tudo foi de forma autodidata e guiado pela intuição. A partir de 1986, passei a estudar. Para progredir, precisava de um professor. No ‘Jesus’, eu já tinha 2 anos de estudo e quis aplicar o que eu estava estudando".
Inspiração em Vinny Appice
"Na demo de ‘Jesus’, tudo que estudei está gravado e registrado. Estamos em negociação com a gravadora para liberar ela nos streamings. Só que na hora de gravar para valer, não estava saindo. Eu não conseguia tocar. Se você for ver aquele momento emblemático no YouTube, tem o produtor Liminha brigando comigo. Pouca gente entendeu aquele momento. Era uma virada difícil que não estava dando certo. Era uma música fácil de tocar chamada ‘Violência’, minha e do Britto. Era uma virada que eu peguei de um disco do Dio. Era o Vinny Appice, que foi do Black Sabbath também. Me inspirei nessa virada, mas não conseguia fazer! Passei muito tempo tentando gravar e não saía. O Liminha tem aquela explosão dizendo que a gravação não prosseguia. Como a bateria vai soar no disco é algo importante em uma banda de rock".
A justa bronca de Liminha
"Decidimos mudar a bateria de lugar e recomeçar a gravação. Isso explica o ego do músico quando está gravando. Tipo: ‘Olha como sou bom instrumentista’. Isso é uma das grandes armadilhas da profissão. Era uma música de batida fácil, mas estava emperrando porque eu estava querendo fazer uma virada. Explico para as pessoas que gravar disco não é só glamour. É conflito e discordância de ideias. Falavam que eu parecia o cara do Yes, meio progressivo. Minha concepção era aquela, mas acabaram comigo. Pensando bem, eu estava pensando só em mim. Era uma egotrip minha. Definitivamente. Aí, simplifiquei e tirei a virada".

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